Teatro
Stabat Mater
A nova criação do Teatro da Garagem revisita a icónica imagem da mãe junto à cruz de Cristo para retratar cinco experiências da perda. Com texto e encenação de Carlos J. Pessoa, e interpretação de Custódia Gallego e Célia Teixeira.
12 Nov a 22 Nov 2026
Custódia Gallego dá corpo e voz a cinco mães, cinco perdas, cinco experiências-limite – a dor de viver de um filho ainda jovem, a deriva de uma adição, um acidente de estrada, o conflito entre maternidade e missão e, no limite da linguagem, o grito de uma mãe que já não é humana. Ao lado de uma interpretação íntima e emotiva de Gallego, a soprano e actriz Célia Teixeira atravessa o espectáculo entre o canto lírico e a improvisação.
Em cena até 22 de novembro, no Teatro Taborda, Stabat Mater propõe-se como uma liturgia cénica, em que a palavra tem peso e tempo para ser dita e escutada, e em que a música a acompanha com uma ênfase simultaneamente solene. Os versos em latim do poema encontram a melodia de Schubert e, mais adiante, uma batida rave e o simples dizer dos versos. À sua volta ecoam Rachmaninov, Monteverdi, Bach, Villa-Lobos e Messiaen. Entre o sagrado e o profano, o espectáculo procura acolher a tragédia e também o lado insólito, quase burlesco, da dor.
“Construí Stabat Mater de um modo que mostrasse até que ponto somos vulneráveis e até que ponto esta vida aparentemente segura e quase monótona, de súbito, nos dá aquela facada do destino, aquela rasteira que, de repente, vira tudo ao contrário.
A morte está sempre presente no teatro, quanto mais não seja, porque é a arte do efémero: começa e acaba.”
Carlos J. Pessoa, encenador e director artístico do Teatro da Garagem
A nova criação do Teatro da Garagem integra a programação do último quadrimestre de 2026 da companhia, cujo tema sublinha o tempo e a forma como interroga a sua passagem. Em Stabat Mater, o tempo imóvel é representado pela dor que uma mãe carrega, mas também pela perda de noção do essencial na vida: os afectos, o amor e as ligações absolutas.
No palco, Custódia Gallego explora diferentes limites dessa angústia. Com mais de 40 anos de carreira, através de um percurso notável no teatro, no cinema e na televisão, e conhecida do grande público, foi distinguida, em 2025, com o Globo de Ouro para Melhor Actriz de Teatro. Célia Teixeira, além de actriz, tem uma presença activa no panorama da música contemporânea em Portugal, com um trajecto que passa pela ópera, música barroca e música sacra.
Cantados ao longo da noite, os versos de Stabat Mater reflectem sobre o sentido da existência humana quando esta se vê confrontada com a perda maior, a da descendência, e com ela a perda do próprio futuro.
De 12 a 22 de novembro, no Teatro Taborda, Stabat Mater apresenta-se às quintas, 19h30; sextas e sábados, 21h00; e domingos, 16h30.
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