Música
Paulo Flores apresenta novo disco "Kandongueiro Voador"
Paulo Flores prepara-se para comemorar os seus 30 anos de carreira com um espetáculo memorável na Aula Magna, no dia 28 de abril, numa produção da Frequentaplauso, onde irá apresentar o seu novo álbum de originais.
28 Abr 2018 | 21h30
Paulo Flores tem colhido grande reconhecimento da crítica e aceitação do público levando-o a pisar o palco de algumas das mais consagradas salas de espetáculo, nacionais e internacionais e a marcar presença, a solo ou em colaboração com outros artistas de renome, em festivais e concertos um pouco por todo o mundo.
Foi precisamente entre concertos em Luanda, na cozinha a que Paulo Flores chama de “laboratório criativo”, que "Kandongueiro Voador" foi “cozinhado” e gravado. Das mais de sessenta músicas compostas foram escolhidas as que, na sua opinião, melhor representam o contexto sociopolítico existente na altura.
São 12 os temas que compõem o mais recente trabalho discográfico deste autor, compositor e intérprete. Numa analogia ao Kandongueiro, o meio de transporte coletivo mais usado em Angola, é precisamente numa viagem pelas memórias e histórias de ontem, de hoje e do amanhã que Paulo Flores nos promete conduzir.
Foi na “Boca do Lobo”, metáfora para o local onde todo o processo criativo aconteceu e que estava precisamente no centro dos vários poderes vigentes, que Paulo Flores foi buscar inspiração, sendo o mote de arranque para o que se seguiria. A linguagem do Semba está inscrita em todas as faixas do disco, preservando e divulgando a mais intrínseca tradição musical de Angola, mas integrando novas linguagens e estilos musicais mais urbanos.
No “Semba da Benção e da Consolação”, a tradicional guitarra congolesa entrecruza-se com as rimas do jovem rapper Prodígio num encontro intergeracional que reflete esta mistura de sonoridades. Walter Ananás, grande intérprete da música de Angola e que fez parte de alguns dos primeiros grupos musicais da Kizomba mais vanguardista, é outro convidado deste álbum participando no tema “Não Dá Pra Contar”. O título remete-nos para a realidade difícil que se vive em Angola, mas o refrão alimenta a esperança para continuar a lutar e a não desistir pois “mesmo nessa condição somos nós a força e a nação”. Com uma consciência bastante crítica da sociedade, Paulo Flores inscreve no seu trabalho uma linguagem mordaz, por vezes de protesto e despida de preconceitos, num intento de “poder ser a voz daqueles que não têm…” Ao mesmo tempo a sua voz melodiosa transporta-nos para um outro registo, mais terno e doce, numa confessa apologia a um Semba que embala, a um Semba “que chora para fazer alegria”. E é com este tom nostálgico, das mornas e coladeiras, que Paulo Flores nos leva a Cabo Verde numa homenagem à lendária Cesária Évora. Na altura em que o tema “Cise Nos Rainha” foi composto tinham decorrido cinco anos após a morte da “diva dos pés descalços” e nele conta-se um pouco da história entre os dois cantores, numa viagem pelas memórias e vivências conjuntas. “Xinti”, que em crioulo cabo-verdeano significa sentir, é uma música romântica, para os “jovens se abraçarem e sentirem a pele” citando o artista. É interpretada em conjunto com a cantora “caçula” que apadrinha, Rhayra, que recentemente participou no Festival da Canção com uma música de Paulo Flores.
O disco é uma edição de autor e conta com a participação dos músicos Armando Gobliss (teclas), Chico Santos e Joãozinho Morgado (percussão), Edu Miranda (violão, cavaquinho e bandolim), Hélio Cruz (bateria), Manecas Costa (guitarra), Mayo (baixo), entre outros.
Em setembro de 1988 Paulo Flores apresentava-se na Aula Magna num concerto com “Os Tubarões” e Paulino Vieira. Trinta anos depois o cantor regressa ao palco desta emblemática sala de espetáculos para fazer uma viagem por todas essas histórias das memórias comuns destes últimos anos. Acompanhado de grandes músicos e convidados surpresa, esta será uma oportunidade para Paulo Flores partilhar, em ambiente de grande celebração, junto do seu público, música para ouvir e dançar pois como ele diria, “só depois de dançarem vão começar a escutar a minha voz”.
Bilhetes à venda na Ticketline.
Preços: 15€ a 35€

