Ordem Internacional e Multilateralismo
O complexo sebastianista no comportamento político, por José Enes
Há uma permanente ligação entre o discurso legitimativo da soberania do Estado político e o messianismo político – seja ele religioso, filosófico ou outro –, entendido como crença na missão de transcendência história dos Estados e dos indivíduos que os personificam. Ora este messianismo político legitimativo do Estado soberano, quer a nível da estratégia de soberania e de atuação dos órgãos estatais, quer a nível dos sentimentos, dos juízos e das ações dos indivíduos e das multidões, assume a estrutura e o dinamismo de um complexo comportamental. No caso português, o rei D. Sebastião desempenhou um papel singular em relação ao discurso legitimativo de Portugal como Estado soberano, colmatando as percebidas carências e defeitos da coletividade nacional, que se reúne em volta desta nova identidade sebastianista. Esboçando os traços mais característicos do(s) complexo(s) sebastianista(s) e a sua expressão a partir do seu momento de criação, o presente estudo relaciona estes com os comportamentos políticos portugueses e as consequências do seu complexo comportamental para as suas relações externas.

