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Património Imaterial

"Andor da Senhora da Pena" inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

País: Portugal
Distrito: Vila Real
Concelho: Vila Real

© Duarte Carvalho
Tipo de Património
Património Imaterial
Classificação
Inventário Nacional de Património Imaterial
Descrição

O Património Cultural, IP aprovou o registo do “Andor da Senhora da Pena” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), conforme Despacho do Presidente do Conselho Diretivo de 25 de maio de 2026, já publicado em Diário da República.

Com este procedimento, o Património Cultural, IP reconhece a relevância do Andor da Senhora da Pena na atual matriz identitária das comunidades envolvidas, a sua importância histórica no território em que se insere, a sua influência social, cultural e religiosa, assim como as dinâmicas de transmissão de práticas e saberes desenvolvidas ao longo de gerações nos grupos e detentores dos conhecimentos associados.

O Andor da Senhora da Pena constitui a manifestação mais expressiva da procissão e da festa homónimas, que se realizam desde meados do século XVIII na freguesia de Mouçós, concelho de Vila Real, atraindo dezenas de milhares de romeiros. Todos os anos, o andor demora cerca de dois meses a ser preparado, num processo que de algum modo o reinventa visualmente, porque quase tudo é refeito de raiz.

Centenas de ornamentos, mais de mil metros de tecidos e dezenas de quilos de alfinetes ajudam a revestir a estrutura de madeira, com base num trabalho minucioso. Depois de pronto, o andor impressiona pelas suas formas, texturas e cores, mas sobretudo pela altura descomunal, ultrapassando os 23 metros.

No dia da procissão, o segundo domingo de setembro, o andor chega a pesar perto de três toneladas, sendo transportado em ombros por mais de uma centena de pessoas, num percurso circular de 650 metros, à volta do recinto do santuário. No final, em frente da Capela da Senhora da Pena (belo exemplar da arquitetura barroca), os carregadores elevam repetidas vezes a estrutura ornamentada, dando lugar por breves instantes a um movimento admirável, a que o povo chama a «dança do andor». É a apoteose de todo o esforço e de toda a coreografia, consumada sob os aplausos entusiásticos de milhares de romeiros e espetadores.

Quem carrega em ombros o Andor da Senhora da Pena costuma referir-se a uma experiência de grande emoção e superação, assente num costume que passa de pais para filhos. De facto, para os indivíduos que se aproximam da idade adulta e atingem a capacidade física necessária ao esforço, o transporte do andor constitui-se também como ritual de passagem, de que se orgulha a população local.

A organização da romaria é assumida de maneira rotativa por 11 aldeias da freguesia, cada uma das quais formando uma comissão da festa no ano em que lhe toca a tarefa. Na procissão, o transporte em ombros do gigantesco Andor da Senhora da Pena fica sempre a cargo de gente da aldeia à qual compete organizar a edição do ano seguinte, aceitando assim, também ritualmente, a passagem de testemunho.

Trata-se, portanto, de uma organização peculiar, de características etnográficas, sociológicas e antropológicas distintivas, mas trata-se também de um esforço comunitário, de uma tradição antiga que fortalece o sentimento de pertença à comunidade, o espírito de entreajuda, a solidariedade entre as povoações vizinhas que partilham o território de Mouçós.

O pedido de registo foi submetido pela Câmara Municipal de Vila Real, resultado de um processo de investigação no terreno conduzido em estreita colaboração com as comunidades envolvidas.

Fonte de informação
Património Cultural, Instituto Público
Data de atualização
08/06/2026
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