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Património Imaterial

"Combate da Coca"

País: Portugal
Distrito: Viana do Castelo
Concelho: Monção

© Câmara Municipal de Monção
Tipo de Património
Património Imaterial
Classificação
Inventário Nacional de Património Imaterial
Descrição

O Património Cultural, Instituto Público aprovou a inscrição do “Combate da Coca”, de Monção, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), conforme despacho de 27 de maio de 2026, assinado pelo presidente do Conselho Diretivo, João Soalheiro, e já publicado em Diário da República.

Esta inscrição reconhece a importância que a festividade mantém enquanto símbolo identitário da população de Monção, assim como os processos sociais e culturais nos quais teve origem, destacando a sua estreita ligação às celebrações religiosas do Corpo de Deus em Monção.

Evidencia-se também o papel que o poder local, enquanto representante da população, teve ao longo dos tempos na continuidade e longevidade desta festividade, e ainda as dinâmicas atuais de salvaguarda e valorização que resultam da partilha de objetivos entre o Município de Monção, o Arciprestado de Monção, as Juntas de Freguesia do concelho, as Associações Locais e a população deste território.

O Combate da Coca é uma manifestação de carácter profano e religioso, que se realiza anualmente, em Monção, no dia do Corpo de Deus (em 2026 assinala-se esta semana, dia 4 de junho). Remete para as narrativas mitológicas da luta do “bem”, personificado pelo cavaleiro São Jorge, contra as “forças do mal”, aqui representado pela Coca, figura que evoca o dragão.

Este combate, que começou por se realizar no Terreiro, atual Praça Deu-la-Deu, decorre, desde o final da década de 1970, no anfiteatro natural do Largo do Souto, um redondel em forma de semicírculo situado no alto de um dos baluartes (Baluarte do Souto), que constitui a fortaleza amuralhada de Monção, classificada como Monumento Nacional.

A Coca é um monstro gigante com estrutura em madeira e rede de arame, envolvida em tela e gesso que molda as formas curvilíneas. De cabeça móvel e rodas para melhor agilidade e deslocação, a figura é pintada de verde-escuro com desenho de escamas e com espinhos no dorso, terminando com calda longa e pontiaguda.

Construída numa estrutura arqueada de madeira de carvalho, coberta de tela e com rodas, a Coca é movida por quatro homens, três empurradores e um manobrador que se faz transportar no interior e que aciona, através de cabos de aço, as mandibulas que abrem e fecham e a cabeça que gira para ambos os lados. No topo da cabeça sobressaem as orelhas feitas de metal adornadas com brincos, presas todos os anos de forma a poderem, ou não, ser cortadas por São Jorge, que só depois de cortar uma das orelhas vence o combate.

O cavaleiro que personifica São Jorge é convidado diretamente pelo Presidente da Câmara de Monção. As celebrações de Corpus Christi têm início com uma arruada, na qual participa a Coca, o São Jorge e grupos de bombos.

Após a eucaristia dá-se início à procissão solene, na qual as duas figuras se integram e desfilam pelas ruas da vila de Monção. Quando termina a procissão, o pálio e representantes das paróquias e demais entidades regressam à Igreja Matriz para terminar a eucaristia, enquanto a Coca e São Jorge se vão deslocando para o local do combate.

Ao combate assiste toda a comunidade que, no final das celebrações religiosas acorre ao anfiteatro natural. A associação deste combate à luta do bem contra o mal, num meio rural como é Monção, está, desde longa data, ligada ao ciclo agrícola: se a vitória sorrir à Coca aproxima-se um mau ano agrícola, mas se São Jorge vencer, todos se alegram com as fartas colheitas vaticinadas para esse ano.

Com a crescente relevância que o vinho Alvarinho foi conquistando na agricultura, economia e sociedade do território, o contexto simbólico do combate adaptou-se às novas circunstâncias, sendo, desta forma, a derrota ou vitória de S. Jorge associadas a uma boa ou má colheita de vinho alvarinho.

A proposta de inscrição do “Combate da Coca” no INPCI foi apresentada pela Câmara Municipal de Monção, tendo por base o trabalho de investigação e documentação da equipa técnica da Divisão de Ação Social, Cultura e Turismo daquele município, realizado com recurso a recolhas no terreno junto da comunidade.

Fonte de informação
Património Cultural, Instituto Público
Data de atualização
08/06/2026
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