"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Património Material

Fortaleza e Muralhas de Faro

Distrito: Faro
Concelho: Faro

Tipo de Património
Património Material
Classificação
Imóvel de Interesse Público
Proteção Jurídica
45/93, DR 280 de 30 Novembro 1993
Identificação Patrimonial
Monumento/Edifício
Época(s) Dominante(s)
Islâmico (Séc. IX a XII), Medieval
Tipologia original
Arquitectura Militar - Muralhas
Valor patrimonial
Valor Histórico
Áreas Artísticas
Arquitectura Militar
Uso atual
Local público
Descrição

As muralhas ainda conservam as suas linhas gerais e representam o mesmo círculo que fechava a cidadela desde o tempo dos árabes. Os panos de muralha que circundam o núcleo urbano mais antigo, conhecido por Vila-Adentro, remontam ao séc. IX e a sua edificação deveu-se a Ben Bekr, princípe muçulmano de um pequeno reino independente do Emirato de Córdova.

No séc. XII, com a invasão Almóada, foram construídas duas torres defronte de uma das entradas hoje denominada Arco do Repouso.

O conjunto forma um oval perfeito, sómente chanfrado na direção do "castelo", atingindo o máximo comprimento (377 m) na linha "Arco-da-Vila" - "Mesa dos Mouros" e a maior largura (225 m) na linha Porta Nova - Arco do Repouso.


Arco do Repouso

A fortificação apresenta quatro elementos diferentes: romanos, visigóticos, árabes e posteriores. Incluído nas muralhas encontra-se o "Arco-da-Vila", de aspeto rústico, mandado edificar pelo Bispo D. Francisco Gomes, no final do séc. XVIII, início do séc. XIX, pelo arquiteto Fabri, numa das entradas da "Vila-Adentro". No interior desse arco encontram-se as pedras de uma porta árabe, o que indicia ter sido por esse lado a entrada da cidade antes da conquista cristã, sendo fechada a face frontal por onde atualmente se entra. A muralha seguia na outra face do arco, em direção ao mar, pelo local onde hoje está o primeiro patamar da escadaria do Governo Civil.

Onde começam os edifícios das Finanças fletia ligeiramente para o interior e, aí se encontravam, ainda no séc. XIX, dois torreões, conservando-se as suas fundações. Encontra-se incluída nas paredes desses edifícios até à Tesouraria de Finanças (inclusivé), recomeçando a ver-se quando surgem quintais do Paço Episcopal e do Seminário. Nesse local encontra-se outro torreão (oprimido pelos remadores da Alfândega) e a muralha prossegue ladeando o edifício do Seminário até à Porta Nova, só aberta em 1630. Dessa fase em diante, a muralha integra pequenas casas modernas construídas sobre o adarve, interrompendo-o. No sítio onde existem três seteiras, o mesmo adarve foi rebaixado, existindo a seguir um pano, no qual as ameias e seteiras continuam com o aspeto antigo e o adarve volta a ter a mesma altura, num comprimento correspondente à denominada "Fábrica do Estanho". Seguem-se mais ameias, edificadas recentemente, com critério duvidoso.

A porta, inferior a uma casa, que sobrepuja a muralha, abre para uma rampa ascendente e penetra até ao interior do castelo. Poderia situar-se aí o corredor por onde era lançada a fusta na qual eram enviadas mensagens a Marrocos. Vinte metros adiante, a muralha inflete para o castelo encobrindo, ao encostar-se-lhe, parte de um dos torreões flanqueantes da porta que aí existe. Trata-se da única face do antigo alcácer dos mouros, mas totalmente modificado, pois possui as características da arquitetura militar portuguesa medieval. Além destes dois torreões existe, mais à frente, um terceiro, de forma hexagonal, do qual parte o adarve que ligava esta parte do castelo à do outro lado do corte da muralha. Neste ângulo SE do Castelo, e envolvendo-o a ponto de ficar nele incluída a sua maior torre e um bocado de muralha, foi edificado um revelim à Vauban, com merlões e canhoneiras, a marcar os progressos da artilharia.

Em 1923, houve um atentado contra a secular cerca de Faro, tendo sido feita uma abertura de 8,15 m. Mais tarde, construiu-se um torreão e, para o lado da horta, outro torreão. Era neste local que terminava, exteriormente, o Castelo.

A muralha continua para Norte, em direção ao Arco do Repouso, conservando esta porta alguns elementos da sua feição original, ou seja, quatro torreões. No entanto, o atual arco de entrada seria fechado, sendo abertos os outros: aquele onde está a ermida da Senhora do Repouso (1722), o fronteiro onde se encontra uma casa e o interior, que dava seguimento ao trânsito. Na traseira da capela é possivel observar-se a nítida influência árabe do arco.

Alguns metros adiante do Arco do Repouso existia um torreão heptagonal mas, devido a encontrar-se em mau estado, foi aí construído um mirante. A muralha continua e, a 12,70 m da escada desse mirante, inflete para poente. Na esquina da Rua do Albergue existia outro torreão, atualmente transformado num prédio. No entanto, a muralha continua nas traseiras das casas térreas ali construídas.

No quintal da Vidralve existe um outro torreão intacto. A muralha vai continuando até ao Arco da Vila e, no último troço, só do lado interior (resto da Rua Rasquinho), se consegue vêr.

Intervenções e Restauros

Em 1596, com o saque e incêndio da cidade de Faro por parte das tropas do Conde de Essex, as muralhas foram bastante afetadas, tendo as obras recomeçado passado pouco tempo e se prolongado durante largo tempo.

O fosso que rodeava as muralhas, encontrava-se em 1633 entulhado, tendo então sido necessário as obras de desobstrução, a fim de que as águas do mar invadissem a respetiva cava.

Após a Restauração de 1640, face à ameaça espanhola, foram destruídas algumas meias de torres, com o propósito de as nivelar em altura com os muros das cortinas e receberem peças de artilharia.

Morada
Sé e São Pedro
Faro
Fonte de informação
CNC / Patrimatic
Bibliografia
DIÁRIO DA REPÚBLICA, I Série-B, nº 280 - 30-11-1993.

LAMEIRA, I. C. Francisco, Faro: Edificações Notáveis, Faro, Câmara Municipal de Faro, 1995.

ROSA, José António Pinheiro e, Monumentos e Edifícios Notáveis do Concelho de Faro, Faro, Câmara Municipal de Faro, 1984.

Data de atualização
02/04/2014
Agenda
Ver mais eventos

Passatempos

Passatempo

Ganhe convites para o filme "Sirât"

Em parceria com o CENDREV - Centro Dramático de Évora, oferecemos convites duplos para assistir ao filme "Sirât", de Oliver Laxe, integrada no ciclo Take 1, com curadoria da Nitrato Filmes, no próximo dia 19 de junho, às 19h00, no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

Visitas
127,539,660