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João Ferreira | O Paraíso Segundo José Maria
A Pequena Galeria, em Lisboa, apresenta no próximo dia 20 de Setembro, O Paraíso Segundo José Maria, de João Ferreira. É um projecto em curso, o que o fotógrafo de Leiria vai mostrar naquele espaço.
20 Set a 20 Out 2018
O título do novo trabalho de João Ferreira surge inspirado por uma obra do escritor português João Tordo.
Tal como no livro “O Paraíso Segundo Lars D”, também neste ensaio fotográfico os homens revelam-se no silêncio. Um silêncio apenas interrompido pelas orações, que são proferidas em longas caminhadas diárias, de trinta a quarenta quilómetros, ao longo dos oito dias em que grupos de romeiros percorrem a ilha de S. Miguel, nos Açores.
Este ritual de recolhimento, que tem origem no século XVI, procura a reconciliação do homem com a natureza através de preces pelo fim das erupções vulcânicas e dos movimentos sísmicos.
O arquipélago era assolado por inúmeros terramotos e erupções vulcânicas.
Uma ilha onde se está só entre pedras negras e um verde denso.
Um caminho feito lentamente, ao som de orações, num mantra envolvente e pacificador.
Desde o século XVI vários grupos de homens percorrem, em romaria, a ilha de S. Miguel, num movimento circular no sentido dos ponteiros do relógio, mantendo o mar sempre do seu lado esquerdo.
Um culto religioso com séculos de tradição. Restrito a homens dos oito aos oitenta. A presença do feminino torna-se visível na indumentária dos romeiros. O xaile, o lenço nas costas, o bordão e a cevadeira - adereços que encontramos em comum nesses homens.
Rostos de traços vincados por um arquipélago à deriva num oceano.
Os terços. As orações. A fé. A busca da paz interior. O acalmar dos terramotos. O apaziguar das tormentas. Oito dias de comunhão com a força da natureza, sacrificando o corpo pela fé, purificando a mente pela introspecção.

