Teatro
"Terra Natal" a nova criação do Teatro da Rainha
Neste espectáculo, o encenador Luís Varela juntou duas peças curtas do escritor australiano Daniel Keene: A Chuva e Terra Natal.
6 Mai a 28 Mai 2021
Trata-se de um díptico improvável, marcado pelo cruzamento da História contemporânea com reminiscências singulares de indivíduos fragilizados pela passagem do tempo. Passado, presente e futuro, ausência e presença, intercetam-se na condição existencial de personagens dolorosamente reais.
Daniel Keene nasceu em 1955 num subúrbio de Melbourne. Filho de um operário e de uma mulher-a-dias, frequentou uma licenciatura em Direito. Desistiu e emigrou para a Europa, onde permaneceu durante dois anos. Residiu sobretudo na Grã-Bretanha, sobrevivendo de diversas atividades. No regresso à Austrália, fundou um pequeno grupo de teatro. Escreve textos dramatúrgicos desde 1979, alternando formatos de maior fôlego com peças curtas, num estilo que foi adquirindo notoriedade pela extraordinária economia de meios, diálogos fragmentados, forte tensão emocional.
No final de 1997, Keene lançou um projeto teatral independente com a encenadora, coreógrafa e bailarina, de origem neerlandesa, Ariette Taylor. O Keene/ Taylor Theatre Project (KTTP) notabilizou-se por dar voz a gente das classes desfavorecidas, homens e mulheres sem-abrigo, jovens desempregados, permitindo vislumbrar com genuinidade vidas raramente exibidas em palco. Foi no KTTP que A Chuva e Terra Natal estrearam, respetivamente em 1998 e 1997.
Considerada uma das peças curtas mais belas do Autor australiano, A Chuva evoca o holocausto nazi colocando em cena uma mulher idosa que conta como, quando era jovem, as pessoas que embarcavam nos comboios lhe confiavam os objetos que amavam. Apesar de se tratar de um monólogo, a leitura proposta por Luís Varela abre-se a novas possibilidades que intensificam a configuração poética de um texto atravessado pelos fantasmas da memória.
Em Terra Natal assistimos a um conflito entre as diferentes gerações de uma mesma família. Sobressai a pressão entre o pai em vias de ficar desempregado e o filho adolescente prestes a entrar na vida adulta, mas também, mais uma vez, as memórias e a experiência de um certo desenraizamento plasmado na figura da avó. Prestando especial atenção a personagens excluídas dos circuitos do poder, o teatro de Daniel Keene facilmente nos cativa por nele se misturarem os grandes temas da humanidade com uma poesia do quotidiano acessível e apaixonante.
Ficha artística
Tradução e encenação | Luís Varela
Assistente de encenação | Marta Taveira
Cenografia | José Serrão
Figurinos | José Carlos Faria
Música e espaço sonoro | Rui Rebelo
Desenho de luz | António Anunciação
Interpretação | Isabel Lopes, Lavínia Moreira, Nuno Machado, Carlos Batista e Sara Delgado
Lotação reduzida. Reserva de lugar obrigatória.
Informações: 262 823 302 | 966 186 871
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