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PULMÕES DE LISBOA

O Centro Nacional de Cultura propõe visitas aos espaços verdes de Lisboa, que começaram a fazer parte dos planos da cidade no séc. XVIII.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian [foto: José Manuel Costa Alves]

A criação do já desaparecido Passeio Público constituiu um marco importante no urbanismo e decoração da cidade; no século XIX seria substituído pela rasgada Avenida da Liberdade, também ela ajardinada e decorada com estátuas. Esta tradição, aliás, não foi só apanágio da vontade municipal, sendo comum encontrarem-se da época setecentista, importantes jardins que integravam quintas e palácios.

São famosos os jardins, em estilo clássico, do Palácio Marquês de Fronteira, em S. Domigos de Benfica, compostos de canteiros de buxo tricentenários, enriquecidos por pequenos muros revestidos de belíssimos azulejos, por tanques e lagos, fontes e estatuária.

No Lumiar o Parque do Monteiro-Mor, anexo ao Museu Nacional do Traje e ao Museu Nacional do Teatro, constitui um belo espaço que começou a ser organizado no período setecentista; os seus jardins delineados em vários socalcos, aproveitam as diferentes cotas do terreno, sendo povoados por luxuriante vegetação e magníficas árvores.

O gosto pelas árvores e plantas exóticas nos jardins foi crescendo, sendo disso testemunho a criação de jardins botânicos, com uma função e valorização específica, como o da Ajuda, no séc. XVIII, a que se seguiu o da Faculdade de Ciências, que, além de floras raras e exóticas, mostram também recantos, lagos, pontes, terraços, estátuas e escadarias.

Mais tarde, no início do séc. XX, seria criado em Belém, o Jardim do Ultramar, depois designado por Jardim-Museu Agrícola Tropical, com uma vasta coleção de plantas de origem tropical e subtropical.

Parque Eduardo VII, amplo espaço ajardinado que se debruça extensamente em suave declive sobre o Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, inclui a Estufa Fria que merece ser visitada, não só pelas suas espécies exóticas como também pelo cenário de rara beleza.

Ao gosto da época romântica, o jardim do Palacete de Beau Séjour constitui um aprazível lugar de comunhão do homem com a natureza. No palacete está hoje instalado o Gabinete de Estudos Olisiponenses.

Os espaços verdes encontram-se nos mais diversos sítios de Lisboa, alguns, como o Jardim da Parada, em Campo de Ourique, ou o Jardim do Príncipe Real, constituem por si só pequenos oásis no aglomerado das habitações, outros, são jardins fechados, com portões e arruamentos, como o Jardim da Estrela (ou Jardim Guerra Junqueiro) sendo de destacar o coreto de notável trabalho em ferro. Outros ainda, como os jardins de S. Pedro de Alcântara, do Torel, do Castelo de S. Jorge e de Santa Catarina, pela sua localização formam excelentes miradouros sobre o Tejo e a cidade.


Jardim do Príncipe Real

Jardim da Estrela

Existem também, os que se encontram em espaços amplos: Jardim do Campo Grande (com cerca de 1 km de extensão), localizado numa das antigas entradas da cidade, onde outrora existiam belas quintas e hortas; ou o Parque Florestal de Monsanto (criado em 1934) que embora não possa ser considerado um jardim, mas sim um bosque, constitui autêntico pulmão verde que envolve uma parte significativa da cidade. Fazendo ainda parte deste importante espaço verde, merece destaque a Mata de S. Domingos de Benfica, o Parque Recreativo no Alto da Serafina e o Parque do Calhau convertido em Parque Ecológico.

Com uma rica flora e fauna, o Jardim Zoológico de Lisboa, fundado nos finais do século passado, constitui mais um forte motivo para visita (é considerado um dos melhores da Europa), não esquecendo o Jardim das Laranjeiras, de tipo francês, com labirintos de buxo, que lhe está anexo e faz parte do Palácio dos Condes de Farrobo. Outro belo jardim da cidade bastante frequentado, é o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian onde a arquitetura modernista do edifício se enquadra no jardim projetado pelo Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles numa simbiose admirável.

Na área ribeirinha assume particular importância toda a remodelação efetuada em meados do século XX, em Belém, aquando da Exposição do Mundo Português, com a criação da Praça do Império e jardins que se prolongam até a Torre de Belém. Recentemente, também na zona ribeirinha, o planeamento do ambiente urbanístico e natural da cidade, no âmbito da Expo 98, integrou uma área que se encontrava degradada, recuperando-a de forma notável, tendo sido criados, também pelo Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, os jardins Garcia de Orta que procuram interligar a botânica com a Descoberta dos Oceanos feita pelos Portugueses.

 

Jardim tropical no Parque das Nações

 

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