"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Roteiros

OS PERCURSOS DA ÁGUA EM LISBOA (Roteiro 3)

Vamos partir da Praça do Comércio, não sem antes contemplar o Tejo, do Cais das Colunas, onde dantes chegavam as visitas reais.

Nesta praça o Rei D. Carlos foi assassinado em 1908, momento decisivo para a implantação da República que viria a dar-se em 1910. Volte-se agora de costas para o rio e olhe a harmonia da praça concebida por Eugénio dos Santos e o húngaro Carlos Mardel que tem ao centro a estátua equestre do rei D. José, de quem o Marquês de Pombal foi primeiro-ministro, a qual é da autoria de Machado de Castro.
Passemos debaixo do arco da Rua Augusta - metáfora oitocentista de Victor Bastos e Anatole Calmels - e avancemos, sem nos determos demasiado nas bancas de artesanato urbano, até nos cruzarmos com a Rua de Sta. Justa onde, à esquerda, se nos depara o elevador, notável obra de arquitetura do ferro. No topo do elevador desfruta-se de uma bela vista sobre a cidade com a colina do Castelo de S. Jorge onde nasceu Lisboa à nossa frente, o Tejo à direita e a parte alta da cidade à esquerda. Podemos tomar uma bica (por preço de luxo mas o panorama merece) para ajudar no longo caminho que nos espera até chegar, no nosso percurso da água, ao grande reservatório setecentista das Amoreiras.
Descemos no elevador e prosseguimos Rua do Carmo acima, Rua Garrett e Calçada do Sacramento para chegar ao Largo do Carmo, com o seu original chafariz de 4 colunas, do tempo do grande Aqueduto a que está ligado. O Carmo era célebre por aí ter funcionado o primeiro Estudo Geral em 1291, antes de ir para Coimbra, e por aí ter sido fundado o Convento do Carmo onde o célebre D. Nuno Álvares Pereira, condestável do rei D. João I, professou no fim da vida como Frei Nuno de Sta. Maria, de que restam umas belas ruínas. Num primeiro andar do lado norte do Largo, descubra a Capela da Ordem Terceira, um delicioso bric a brac religioso que alberga as ossadas de D. Nuno. O Museu Arqueológico e a sede da Associação dos Arqueólogos encontram-se instalados no Convento. Contemple-se esta praça onde tanta história de Portugal aconteceu, inclusive a mais recente, já que o Carmo é hoje o lugar emblemático por excelência do 25 de Abril e da sua «revolução dos cravos».


Largo do Carmo

Prosseguindo pela Rua da Trindade - e não deixando de olhar a fachada de azulejos à nossa direita (da autoria do célebre Ferreira das Tabuletas) encontraremos, virando a esquina, a Cervejaria da Trindade, instalada em parte do refeitório dos frades do célebre Convento da Trindade, o maior e mais rico de todos os que sossobraram com o terramoto. Ela é, também, um mostruário da arte da azulejaria com temática maçónica onde, com bom tempo, podemos gozar de um terraço secreto e verdejante para tomar uma cerveja fresca com tremoços. No Largo Trindade Coelho vale a pena uma paragem na Igreja de São Roque, austero exemplo de maneirismo jesuítico, onde a capela de S. João Baptista toda em lápis lazuli lembra o período fausto do ouro vindo do Brasil e, mesmo ao lado, o belo pequeno Museu de Arte Sacra.
Prossegue-se pela Rua de S. Pedro de Alcântara, descansa-se no jardim, com o murmúrio da água a correr e a colina do Castelo em frente, continua-se pela Rua D. Pedro V para chegar ao Jardim do Príncipe Real, onde descendo as escadas, se descobre o surpreendente espaço do Reservatório de Água da Patriarcal, hoje convertido em espaço cultural. Repare no estilo das casas que circundam o jardim, como o da antiga Embaixada da Rússia, no início da Rua da Escola Politécnica, que vai percorrer até encontrar à direita o portão do Jardim Botânico. Aí vale a pena perdermo-nos durante um bom bocado, gozando das sombras e cascatas, não sem antes ter comprado um típico pastel de nata na Cister ou na Alsaciana, pastelarias de grande tradição no meio estudantil e intelectual boémio.


Jardim de São Pedro de Alcântara


Também, se for virado para os astros, pode aproveitar para visitar o Planetário do Museu da Ciência. Refrescados e distendidos, faremos a última parte do percurso, percorrendo a Rua da Escola Politécnica até ao fim. Quando se vir à esquina um dos chafarizes do percurso das Águas Livres é porque estamos no Largo do Rato. Atravessamos para subir a Calçada Bento Rocha Cabral e aí vamos encantar-nos com o pequeno e harmonioso Jardim das Amoreiras encostado à arcaria do grande Aqueduto. Todo rodeado de edifícios baixos - que eram as antigas fábricas das sedas (daí as amoreiras) criadas pela visão moderna e voluntariosa de Pombal, é aí que se entra para a Mãe d´Água. Não é preciso descrever-lhe o choque que sentirá ao deparar com o majestoso interior do grande reservatório das águas da cidade que o Aqueduto das Águas Livres distribuía.



Jardim das Amoreiras

 

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