"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Roteiros

FIGURAS DE LISBOA (Roteiro 3)

Do Arco da Rua Augusta miremos a mais bela estátua de Lisboa celebrando a memória do rei D. José. Desenhada por Joaquim Machado de Castro (1731-1822), foi durante séculos - e talvez ainda hoje o seja - a única estátua de Lisboa.

Passemos para a Rua do Arsenal e lembremos o episódio macabro do regicídio do Rei D. Carlos ocorrido naquela esquina. Embora hoje nada exista que o faça recordar, conserva-se todavia na coleção dos Duques de Palmela um modelo em gesso de Teixeira Lopes que representa um génio alado que, em atitude de denúncia, apontaria para o sítio do assassinato.

Prosseguindo o nosso passeio, e se olharmos com atenção para a fachada dos Paços do Concelho, vemos numa fita uma referência aos grandes obreiros da cidade: D. Afonso Henriques o Conquistador, com o cronograma 1147, Marquês de Pombal e D. Pedro IV. Se entrarmos no átrio encontramos uma listagem de todos os presidentes da Câmara de Lisboa, desde Afonso de Albuquerque, que foi presidente entre 1572 e 1574, até Jorge Sampaio (1990-1995). Vale a pena espreitar a escadaria monumental para observarmos alguns bustos com figuras lisboetas, Camões e Garrett avultam entre outros.

Avancemos pela Rua de São Paulo e, já na Rua da Boavista, o n.º. 50 é o antigo palácio de Rui Fernandes de Almada, o feitor de D. Manuel em Antuérpia que trouxe do Norte da Europa, entre outras obras de arte, o famoso São Jerónimo (hoje no Museu de Arte Antiga) que o seu amigo Dürer lhe havia oferecido.
Prossigamos pela Rua do Mercatudo e ao atravessar a Avenida D. Carlos, reparar na Associação Guilherme Cossoul onde se formaram atores como Raul Solnado, Henrique e José Viana, etc. Depois encontramos um pequeno marco que pontua a entrada da Rua da Esperança, homenageando o aviador Gago Coutinho (1869-1959) que fez a primeira travessia do Atlântico Sul e que viveu no n.º. 64 dessa mesma artéria. O n.º18 da rua serviu de palco à última reunião dos conspiradores que viriam a implantar a República em Portugal a 5 de Outubro de 1910. A próxima referência a uma figura de Lisboa vamos encontrá-la no n.º 13 da Rua das Janelas Verdes. O general Alfredo Ernesto de Sá Cardoso (1869-1950), presidente da Câmara dos Deputados, foi um dos conspiradores da revolução de 1910 e depois primeiro-ministro.
Na Rua das Janelas Verdes situa-se a famosa York House que começou por ser uma residencial onde se recolheram os judeus foragidos durante as perseguições nazis, transformando-se depois num verdadeiro santuário, com as estadas de muitos artistas e jornalistas estrangeiros e de portugueses "estrangeirados" e lugar de mil reuniões intelectuais.

Ao fundo da rua surge o encantador Largo José de Figueiredo, construído depois do terramoto de 1755 por familiares do Marquês de Pombal que se apossaram do antigo palácio dos Condes de Alvor. O Dr. José de Figueiredo (1872-1937) foi destacada figura dos círculos culturais republicanos e o fundador do Museu que fica fronteiro ao Largo, o de Arte Antiga.
No fim do passeio que bordeja a fachada do Museu Nacional de Arte Antiga surge o Jardim 9 de Abril, poética memória dos homens caídos na batalha de La Lys, em França, nesta data. Num dos cantos do jardim está uma cabeça incrustada representando o fundador da Cruz Vermelha Portuguesa: José António Marques (1800-1884). Vale a pena repousar perante a magnífica vista que daí se desfruta e já agora, ao terminar o dia leia-se o poema de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) que aí se encontra:

«Ser alegre é ser luz, rir é florir
cravos na infância, rosas pequeninas.
São sorrisos de amor que estão a abrir»

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