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Roteiros

Um itinerário pelos Castelos das Beiras (II)

Próximos da raia, os castelos são exemplares notáveis da arquitetura militar e das fortificações da Guerra da Restauração.

Castelo de Avô, em Oliveira do Hospital Castelo de Linhares da Beira, em Celorico da Beira Castelo de Celorico da Beira © Vitor Oliveira, via Wikimedia Commons Castelo de Trancoso Castelo de Castelo Rodrigo © David Machado, via Wikimedia Commons Castelo de Pinhel © Ken & Nyetta, via Wikimedia Commons


Por todo o País, os castelos são uma presença constante na paisagem. Conhecê-los significa também descobrir a História do País e da região onde se inserem. Locais de defesa e residência senhorial, são hoje referências essenciais do património histórico e cultural. A arquitetura dos castelos varia consoante a época e as técnicas defensivas e construtivas aplicadas. Estes monumentos testemunham a própria formação e organização do território português. Ao longo dos tempos, estes conjuntos fortificados foram implantados e sucessivamente reconstruídos em terras de fronteira, desde a Reconquista cristã até ao século XVIII. 
Os castelos das Beiras, que se distribuem próximo da raia, são exemplares notáveis da arquitetura militar medieval e das modernas fortificações de fronteira, reorganizadas durante a Guerra da Restauração. Bastiões de defesa das terras portuguesas face às investidas de Castela e de Espanha, mantêm visível a sua identidade, cuja descoberta aqui deixamos como proposta de visita.

 

Castelo de Avô (Oliveira do Hospital)
Situa-se no alto do monte junto à margem do rio Alva.
Avô foi doado ao bispo de Coimbra por D. Henrique e mais tarde D. Afonso Henriques mandou aí construir um castelo, sendo este destruído durante as Lutas dos reinados de D. Sancho II e D. Afonso III. A sua reconstrução viria a ser preconizada no reinado de D. Dinis. Seis séculos mais tarde, em 1856, a sua deterioração torna-se visível, chegando algumas cantarias a serem utilizadas na construção da ponte da ribeira de Moura e em outras construções particulares.
O castelo define-se por uma tipologia gótica militar em que a cerca é oval, formando um polígono irregular a que se acede por porta de arco quebrado. A torre de menagem está incorporada na sua muralha virada a sul.

 

Castelo de Linhares da Beira (Celorico da Beira)
Situado a 810 metros de altitude, dominando o vale do Mondego, trata-se de um castelo medieval mandado reconstruir por D. Dinis, no séc. XIII, em estilo gótico.
A Torre de Menagem de planta quadrangular apresenta matacães nas faces. Dela partem as muralhas do castelo antigo, em aparelho gótico, ao longo das quais se abrem três portas de acesso. No terreiro, junto da Praça de Armas, encontram-se vestígios de antigas cisternas. Este conjunto fortificado foi classificado como Monumento Nacional em 1922, posteriormente restaurado pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e abrangido por Zona de Proteção Especial em 1971.

 

Castelo e muralhas de Celorico da Beira 
Situado a 550 metros de altitude no cimo da vila, domina o vale do Mondego e integra uma linha do sistema defensivo, podendo observar-se a partir daqui os castelos de Linhares, Trancoso e Guarda. Está implantado no sítio de um antigo castro romanizado, mantido como fortificação durante a Alta Idade Média para, no séc. XIII, ser reedificado. Em 1762 foi invadido pelos espanhóis e em 1810 foi quartel-general dos exércitos francês e luso-britânico aquando das invasões francesas. 
O conjunto é constituído pela cerca com duas torres e a Torre de Menagem, de grandes dimensões. O acesso ao castelo faz-se através de uma escadaria embutida na muralha e chega-se à Torre através de uma porta elevada. Ainda existe a muralha da cidadela e, do lado poente, erguem-se dois torreões.

 

Castelo de Trancoso 
Localizado a 885 metros de altitude, trata-se de um castelo medieval que foi construído sobre as ruínas de um castro pré-romano e manteve a sua importância estratégica na defesa dos ataques muçulmanos em 1140 e 1155, e castelhanos em 1384.
Esta edificação militar é formada por uma forte linha de muralhas ao longo das quais se encontram distribuídos cinco torreões. Uma das torres serviu de capela aos defensores, tendo por orago Santa Bárbara. Em 1160 foi alvo de uma reedificação da responsabilidade de D. Afonso Henriques e mais tarde restaurada, respetivamente, em 1282, 1377 e 1530. É classificado desde 1921 como Monumento Nacional e viu as suas torres reconstituídas em 1940.
Torre de Menagem de origem provavelmente árabe, é invulgar pela sua forma piramidal. É reedificado por D. Dinis, no ano de 1282, que mandou construir a cerca da muralha. Ao longo da sua história, foi por duas vezes oferecido por reis a princesas: primeiro a D. Teresa, como dote de casamento, e posteriormente foi dado como prenda de casamento de D. Dinis à rainha Santa Isabel de Aragão. As torres de planta quadrangular eram em número de 15. Das quatro portas existentes salientam-se as de EL-Rei as do Prado encimadas por pedra de armas com as cinco quinas. No séc. XIX os arcos destas portas foram cortados para melhorar o acesso das carruagens apresentando atualmente a forma de arcos abatidos. As muralhas incluem ainda três postigos destacando-se o Olhinho de Sol e o Boeirinho.

 

Castelo de Castelo Rodrigo 
Situado a 810 metros de altitude, numa planície acima do convento cisterciense de Santa Maria de Aguiar, encontramos o castelo e as muralhas desta “aldeia histórica”. A sua origem remonta ao séc. XI recebendo carta de foral por D. Afonso IX de Leão 1209). D. Dinis reedificou a fortaleza e a muralha que oficialmente e por via do tratado de Alcanices passa a integrar o território português em 1297. No séc. XIV as muralhas são reparadas por D. Dinis. Na crise de 1383/85 é imposto o brasão nacional invertido no brasão da vila. Em 1508 dá-se a renovação da carta de foral por D. Manuel I. Durante o domínio espanhol, D. Filipe I elevou Castelo Rodrigo a condado (1590). Com a restauração da independência (1640), o castelo é incendiado por iniciativa popular. Em 1664 deu-se o cerco da vila pelo exército espanhol comandado pelo duque de Oussuna. Durante a guerra dos sete anos 1762) o castelo é ocupado pelas tropas do marquês de Soria.
Definindo o perímetro arredondado que configura a antiga fortificação medieval, as muralhas são formadas por extensos panejamentos, 13 torreões e três portas. As torres cilíndricas, que se destacam pela sua volumetria e escala, remontam o período gótico. Este grande complexo arquitetónico é, pela sua escala e pela complexidade e perfeição do sistema construtivo, um dos mais notáveis exemplares das fortificações portuguesas e ibéricas construídas durante a Idade Média. Abrigam no seu interior o conjunto espacial do aglomerado.

 

Castelo de Pinhel
A sua edificação acontece em 1189, com D. Sancho I. Situado na zona da cidade velha, apresenta duas torres grandiosas e quadrangulares, tendo a torre norte uma janela em estilo manuelino. A torre sul, também chamada torre prisão, tem no seu interior uma grossa coluna granítica. Destacam-se ainda dois curiosos “mata-cães” ou varandins e por todo o monumento existe grande quantidade de siglas gravadas em pedra. A pequena distância das torres ergue-se a muralha que rodeava a cidade e nela se abriam seis portas: Santiago, S. João, Marrocos, Marialva, Alacavar e a da Vila.


 

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