"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Teatro Municipal de Bragança

Fazemos hoje nova referência ao Teatro Municipal de Bragança, sala que ilustra claramente a política cultural e urbana de renovação que, na área de arquitetura do teatro, tem marcado, a partir designadamente dos anos 90 do século passado, o interior do país.


E no caso concreto, desde já se assinale que este notável Teatro Municipal, bem como o seu bem próximo e contemporâneo Teatro de Vila Real, também Municipal, se devem ambos à traça do arquiteto Filipe de Oliveira Dias: e ambos marcam, na notável modernidade harmoniosa dos projetos e dos edifícios, as urbanizações respetivas, numa linha de modernidade que não choca, antes pelo contrário, valoriza a tradição urbana e arquitetónica respetiva. Mas do Teatro de Vila Real falaremos noutra ocasião.


Importa entretanto, no que respeita agora a Bragança, o moderno Teatro Municipal retoma uma tradição de edifícios teatrais que remonta pelo menos ao século XIX. Em 1870 há notícia de um Teatro Brigantino que, 12 anos depois, beneficia de ampliação e passa a designar-se, a partir de 1891/92, por Teatro Camões, projeto do arquiteto António Augusto. Tinha para cima de 80 lugares de plateia, 4 frisas, 30 camarotes em duas ordens e uma galeria. Era propriedade de uma Associação de Artistas de Bragança.


Este teatro sofre nova reconversão a partir de 1923, e alinha no movimento de transformação e exploração urbana e social de cine-teatros, notável na época. De referir porém que já se fazia lá cinema desde pelo menos 1911, o que é também notável, tendo em vista, designadamente, a interioridade então dominante...


É de assinalar os aspetos de implantação/renovação da malha urbana e do centro histórico de Bragança. Sem “prejudicar” as tradições histórico-arquitetónicas e urbanas da cidade, salienta-se entretanto a proximidade da nova Sé, também notável na modernidade da sua estrutura arquitetónica e funcional. Bragança não perde a sua secular tradição, basta lembrarmos por exemplo a antiga Sé ou o Castelo: mas harmoniza-a com a adequação a novos estilos urbanos e arquitetónicos.


Ora no Teatro Municipal de Bragança, o que hoje mais impressiona é precisamente a ligação do edifício ao meio urbano, não, insista-se, pela reconstituição de estilo arquitetónico, aliás notável, mas, precisamente, pela modernidade da fachada, dominada por uma escadaria e por um imponente e grandioso “janelão” que abre por completo a cidade ao foyer e ao interior do teatro em si. O foyer de entrada é marcado também por um painel de cerâmica de Graça Morais.


A sala principal comporta cerca de 400 lugares de plateia, valorizada por revestimento de paredes e teto em painéis de madeira que se harmonizam com o tom vermelho das cadeiras. E é de assinalar os painéis do teto, dotados de uma “mobilidade” que permite adaptações técnicas e decorativas aos espetáculos e se adequa à acústica e à variedade das exigências de cena. E essa estende-se ao palco, também eminentemente adaptável às exigências dos espetáculos, e mesmo à abertura de um fosso de orquestra.


E mais: existe ainda uma sala de ensaios que em si mesma constitui uma segunda sala de espetáculos pela capacidade de produção autónoma com acesso direto ao público.


Repito: esta modernidade harmoniza-se com o património histórico-urbano da cidade. E esse, como sabemos, vai desde o Domus Municipalis ao Castelo e ao Pelourinho, à  antiga Sé, entre tantos mais edifícios-monumentos históricos.


Duarte Ivo Cruz

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