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Teatro

Outro centenário: Mário Braga

Sem de modo algum reduzir o temário destas evocações, será apesar disso oportuno referir o centenário de Mário Braga (1921- 2016), independentemente da projeção e permanência da sua criatividade artística, concretamente no que se refere ao teatro.


Temos por um lado o centenário em si mesmo: mas temos sobretudo a obra teatral propriamente dita. 

Nesse sentido pois, adequa-se a referência, sendo certo que a obra teatral propriamente dita, justificável em si mesma pela qualidade, merece esta ou mais vasta referência: e esperamos que haja bem mais, pois a obra e a relevância de Mário Braga em muito transcende a produção teatral!...

Ora a verdade é que o teatro de Mário Braga de certo modo marcou a renovação da dramaturgia portuguesa da época, sendo certo que se está perante um autor que pouco se projeta no que se refere ao teatro em si mesmo. E importa então ter presente que esta obra teatral está algo esquecida, mas a qualidade impõe no mínimo este tipo de evocação.

E é o que aqui faremos com base na minha “História do Teatro Português” onde dedico a este autor, uma larga referência.

Aí evoco efetivamente que Mário Braga escreveu em 1949 uma comédia intitulada “O Pedido”, passada no final da guerra, num ambiente então adequado à época mais ainda hoje em si mesmo relevante. No meu texto acima citado refiro muito concretamente uma situação irónica e engraçada, sem outras pretensões, numa cena de filha de pai rico apaixonada por um poeta. E acrescento que se rompe o noivado quando se percebe que “sem ao menos uma mesada” o futuro de Raul, e sua obra terão as maiores dificuldades.

Mas tal como já escrevi, a peça mais significativa pela qualidade mas também pela aproximação a um estilo neo-realista é “A Ponte sobre a Vida”, (1964) adaptação de um conto do autor intitulado “Corpo Ausente”. E cito a propósito a síntese que acerca desta peça escrevi.

Num ambiente bem retratado de cidade de província da época, a morte do personagem Luís, ocorrida num desastre de automóvel, precipita o irmão José Alberto, e a cunhada Gabriela, numa árdua meditação sobre a morte, que Luís, romancista de sucesso, já vinha desenvolvendo. O comércio, a burocracia e o ritual das cerimónias fúnebres acentuam a profunda frustração existencial do romancista, que só sai dela para preencher a ação política, clandestina e arriscada que o acidente interrompe!

E hoje não acrescentamos mais nada!...

Duarte Ivo Cruz

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