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Ponta Delgada pensa "O Lugar do Amanhã" na Capital Portuguesa da Cultura

A Capital Portuguesa da Cultura, em Ponta Delgada, arranca esta quinta-feira com uma cerimónia oficial e com um espetáculo aberto ao público. “O Lugar do Amanhã” é o tema escolhido para programação deste ano que vai levar aos Açores o Teatro Nacional São Carlos, a Companhia Nacional de Bailado e o D. Maria II.

© PDL26

Depois de Aveiro, em 2024, e Braga, em 2025, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, é a partir desta quinta-feira a Capital Portuguesa da Cultura (PDL26). A um ano do arranque de Évora - Capital Europeia da Cultura, Ponta Delgada elegeu “O Lugar do Amanhã” como tema para o seu ano de programação.

O espetáculo de abertura da PDL26, intitulado “Deixa Passar a Vida”, é dirigido por António Pedro Lopes e acontece esta quinta-feira, no Coliseu Micaelense, depois de uma cerimónia oficial com “entidades oficiais e convidados”, refere Katia Guerreiro, a comissária de PDL26, em entrevista. A cerimónia contará com a presença da ministra da Cultura, Desporto e Juventude, Margarida Balseiro Lopes.

A fadista, que abraçou este projeto revisitando as suas origens açorianas, explica que estão apostados não só em levar ao arquipélago propostas que de outra forma não atravessam o Atlântico, mas também em deixar lastro para depois do evento.

Katia Guerreiro fala de 2026 como “efetivamente um ano de grande oportunidade” para levar à ilha “uma programação que aposta nas grandes instituições, nomeadamente no Teatro Nacional de São Carlos, na Companhia Nacional Bailado e com o Teatro Nacional Dona Maria II”.

Ao longo do ano, o cartaz da PDL26 vai incluir a peça que esgota plateias há cinco anos, “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, do encenador Tiago Rodrigues, que será apresentada a 30 de maio; o espetáculo de dança “Os Maias”, da Companhia Nacional de Bailado, que sobe ao palco a 26 de setembro, e o regresso da ópera ao arquipélago com “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi, com o Teatro Nacional São Carlos, a 28 de novembro.

Além destas deslocações, “as comunidades artísticas estão a desenvolver projetos dedicados ao tema da Capital, que é 'O Lugar do Amanhã'”, sublinha a fadista, que indica ainda que um dos pilares em que apostam “é pensar muito naquilo que é o legado da Capital Portuguesa da Cultura”.

No calendário estão previstos, já a 3 de fevereiro, as “Oficinas de Danças do Mundo e Chamarrita do Pico", a exposição “Previsão de Deriva”, de Márcio Vilela, a 14 de março, e o festival literário Utopia que chega à ilha de São Miguel, a 18 de março, um dia antes do músico Manuel Cruz atuar no Teatro Micaelense.

Para pensar todas esta programação, Katia Guerreiro rodeou-se de uma equipa de curadores. “A maior parte deles são açorianos e muitos estão no território. Outros são açorianos que, como eu, saíram e conquistaram o mundo”, explica a fadista.

“Temos na arquitetura o Bernardo Rodrigues, que é um arquiteto altamente premiado internacionalmente. Temos o Luís Filipe Borges, que dispensa ser apresentado, temos no teatro a Lúcia Moniz e o Paulo Quedas. A música ficou nas minhas mãos e da Isabel Worm e do Tiago Curado”, explica Katia Guerreiro, que conta também com Paulo Ferreira na área da literatura, entre outros curadores.

Uma das áreas em que apostaram ter uma curadoria foi a da religiosidade. “Não podemos passar ao lado da força que tem a fé e a religião aqui no território, até porque ela vai-se cruzando com todas as outras curadorias”, destaca Katia Guerreiro.

Nas palavras da fadista, “a curadoria da religiosidade está a desenvolver muitos projetos em parceria com todas as outras artes, como as artes visuais, que estão a cargo de José Maçãs de Carvalho, um açoriano que é de Coimbra, e altamente experiente no que diz respeito a curadorias de artes visuais”.

“Tudo o que são as artes plásticas na região tem uma forte componente de religiosidade, como tem também a parte da gastronomia, que tem muita história baseada em todas as tradições religiosas”, sublinha a comissária.

Para esta PDL26, Katia Guerreiro conta com um orçamento de 4,3 milhões de euros, distribuídos por 3 milhões a cargo do município de Ponta Delgada e 1,3 milhões do Governo.

A criação da figura da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciada pelo ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva, em Lisboa, em 2022 quando foi anunciado que Évora tinha ganho a candidatura a Capital Europeia da Cultura.


por Maria João Costa in Renascença | 29 de janeiro de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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