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Filmes clássicos e experimentais marcam 1.º ciclo de cinema do Pavilhão Julião Sarmento
O Pavilhão Julião Sarmento, em Lisboa, inaugura a 25 de fevereiro o primeiro ciclo de cinema da sua programação com obras marcantes da história do cinema experimental e independente em sessões semanais, anunciou o espaço cultural.
Com o título “Origens”, a primeira sessão inclui os filmes “The Unchanging Sea”, de D.W. Griffith, uma das muitas primeiras curtas-metragens do pioneiro do cinema, “The Salvation Hunters”, que marca a estreia de Josef von Sternberg na realização, e “Venice Pier”, de Gary Beydler, derradeira obra do nome-chave do cinema experimental norte-americano na década de 1970.
Esta primeira sessão abre com a presença do programador, Andy Rector, segundo comunicado do museu inaugurado em 2025 para acolher e divulgar a coleção privada do artista.
Globalmente, à semelhança da sessão inaugural, o primeiro ciclo de cinema do Pavilhão Julião Sarmento propõe um percurso por diferentes momentos e linguagens da história do cinema, cruzando obras pioneiras do início do século XX com práticas experimentais e independentes das décadas seguintes, "num diálogo entre tradição e modernidade".
A 4 de março, também às 18:00, a segunda semana, sob o mote “Bem pelo Contrário”, apresenta os filmes “Wong Sinsaang”, de Eddie Wong, produzido no início da década de 1970, ainda como estudante de cinema, o clássico “Melting”, de Thom Andersen, 'curta' de estreia que acompanha o derreter de um gelado de morango, e “The Savage Eye”, de Ben Maddow, Sidney Meyers e Joseph Strick, que se aventura por imagens reais e de ficção pelas mais obscuras ruas de Los Angeles dos anos 1950.
O ciclo - que se prolonga até 1 de abril - prossegue a 11 de março sob o tema “Os Diligentes Thom e Morgan”, dedicado a dois nomes que marcaram o cinema experimental nos Estados Unidos, desde as suas primeiras obras - Morgan Fisher e Thom Andersen -, reunindo “Production Stills” e “Standard Gauge”, do primeiro, e “Get Out of The Car”, de Andersen, entre outros filmes.
Na quarta semana, a 18 de março, o tema “Sinais de Vida” propõe os filmes “The Wilkinson Household Fire Alarm”, de Morgan Fisher, “Pasadena Freeway Stills”, de Gary Beydler, trabalho que expõe a ilusão do movimento no cinema, e “Life is a Saxophone”, de S. Pearl Sharp e Orlando Bagwell, sobre o poeta Kamau Daáood, e a abordagem do seu trabalho por músicos como Billy Higgins, a pintora Gale Fulton Ross e a bailarina Lula Washington.
“Dentro e Fora” é o tema da sessão de 25 de março, que inclui “Footnotes to a House of Love” e “My Tears Are Dry”, da artista visual espanhola contemporânea Laida Lertxundi, radicada nos Estados Unidos, e “Several Friends”, de Charles Burnett, documentarista norte-americano, distinguido com um Óscar honorário em 2017, pelo testemunho das comunidades negras patente nos seus filmes.
O ciclo encerra a 1 de abril com o tema “‘Hey Art, Art Wake Up, Man’”, numa sessão com a presença de Andy Rector e da realizadora e investigadora Sílvia das Fadas, com obras de alerta sobre o seu próprio tempo e além dele.
Nesta derradeira sessão, serão exibidos “A Film Johnnie”, de George Nichols e Mack Sennett, que revela um jovem Charlie Chaplin ao lado de 'Fatty' Arbuckle, “Aleph”, do realizador e artista visual Wallace Berman, "meditação sobre vida, morte, misticismo, política e cultura pop", numa síntese de perto de 10 minutos, trabalhada ao longo de quase duas décadas, e “The Exiles”, de Kent Mackenzie, que acompanha um dia na vida de jovens nativos americanos, "exilados" em Los Angeles, no início dos anos 1960.
Segundo a organização, todos os filmes serão exibidos em cópias digitais.
O Pavilhão Julião Sarmento abriu a 4 de junho com a exposição "TAKE 1 – A Coleção do Artista Julião Sarmento", com curadoria de Isabel Carlos, diretora artística do novo museu da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultura (EGEAC – Lisboa Cultura), apresentando uma seleção de obras emblemáticas do gosto e interesses do artista que morreu aos 72 anos, em 2021.
Fonte: LUSA | 16 de fevereiro de 2026

