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Morreu o escritor e jornalista Mário Zambujal

Lançada em 1980, "Crónica dos Bons Malandros", que foi mais tarde adaptada ao cinema e televisão, é uma das suas obras mais conhecidas.

© José Sena Goulão/Lusa 2013

O escritor e jornalista Mário Zambujal morreu na manhã desta quinta-feira, 12 de março, avançou a RTP.

"Uma das figuras mais queridas e versáteis do jornalismo nacional, morreu esta manhã no Hospital da Luz, em Lisboa, uma semana depois de ter completado 90 anos", informou o Clube de Jornalistas, que destacou o "legado marcante na imprensa escrita, na rádio, na televisão e na literatura".

Entre as várias obras que assinou, conta-se Crónica dos Bons Malandros, adaptada ao cinema e televisão, e uma das mais conhecidas do percurso literário do escritor.

"Hoje despedimo-nos de Mário Zambujal - jornalista, escritor e contador de histórias que marcou gerações com o seu talento", afirmou o primeiro-ministro. Luís Montenegro salientou a "forma de comunicar" de Mário Zambujal, que "cativava a atenção de quem o via e ouvia", referindo que "fez escola no jornalismo português". "O seu legado permanecerá na nossa memória coletiva", considerou o chefe do Governo numa mensagem publicada nas redes sociais. "Deixo em meu nome e em nome do Governo, as mais sentidas condolências à família e amigos".

Nascido em Moura, Beja, a 5 de março de 1936, Mário Zambujal foi jornalista desportivo na RTP, no jornal A Bola, sub-diretor do Record, tendo sido chefe de redação de O Século e do Diário de Notícias e diretor do Mundo Desportivo, do jornal Se7e e diretor interino do semanário Tal & Qual, tendo sido colunista do diário 24 Horas.

Passou também pela rádio, com destaque para o programa Pão com Manteiga, da Rádio Comercial, e escreveu guiões para televisão e peças de teatro de revista.

Aos 15 anos publicou o primeiro conto no semanário Os Ridículos, mas a estreia literária surgiu em 1980 com Crónica dos Bons Malandros, que foi mais tarde adaptada ao cinema por Fernando Lopes. A obra viria ainda a dar origem a uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa e a um musical.

Três anos depois de publicar Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal lançou Histórias do Fim da Rua e, em 1986, À Noite Logo se Vê. Assinou muitas mais obras como Fora de Mão, uma coletânea de contos e crónicas, Primeiro as SenhorasUma Noite Não São DiasDama de EspadasLonge É um Bom LugarCafunéO Diário Oculto de Nora RuteSerpentinaTalismãRomão e JulianaJá Não se Escrevem Cartas de AmorEntão, Boa NoiteRodopioFabíolo e Pirueta.

Em 2025, foi publicado o seu mais recente livro, intitulado O Último a Sair, e nesse mesmo ano recebeu o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, em reconhecimento pela "longa carreira jornalística, iniciada na década de 1960".

Presidente do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021, Mário Zambujal foi distinguido, em 1984, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa.


por Susete Henriques in Diário de Notícias | 12 de março 2026 
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Diário de Notícias

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