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Um judeu-alemão e uma árabe-americana: o amor no meio de um conflito

“Todos os Pássaros” estreia quarta-feira e vai estar em cena até 29 de março, no Teatro São Luiz, em Lisboa. A peça conta com os atores Virgílio Castelo, Cucha Carvalheiro, Fernando Luís e Manuela Couto. A encenação é de Álvaro Correia.

© Vitorino Coragem

O que acontece quando um judeu-alemão e uma árabe-americana se conhecem e se apaixonam em Nova Iorque? A questão encontra resposta na peça “Todos os Pássaros”, que estreia esta quarta-feira no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Em cena até dia 29 de março, a peça encenada por Álvaro Correia conta uma história de amor, uma relação posta à prova pelas diferenças culturais e de origem religiosa. O elenco mistura várias gerações de atores.

No palco estão Virgílio Castelo, Cucha Carvalheiro, Fernando Luís e Manuela Couto nos papéis dos personagens mais velhos e David Esteves e Madalena Almeida nos papéis do jovem casal apaixonado.

O texto da peça foi escrito, em 2017, por Wajdi Mouawad, um dramaturgo de origem libanesa. Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, Álvaro Correia explica a ideia do título da peça referindo que reflete uma “imagem poética”.

“Vemos em algumas reportagens sobre a questão israelo-palestiniana, principalmente para quem vive na Faixa de Gaza, vive quase numa espécie de 'Apartheid'. É muito difícil de sair e de entrar com todas aquelas limitações. Eles veem que os pássaros podiam andar livremente. É um bocadinho esta ideia de que todos deveríamos ser pássaros, no sentido em que devemos todos ter a liberdade de poder movimentarmo-nos para onde bem quisermos”.

O enredo começa com o encontro entre o jovem casal. “Esta peça é a história de um rapaz judeu-alemão e de uma rapariga árabe-americana que se conhecem em Nova Iorque. São ambos investigadores, numa biblioteca e apaixonam-se. A partir daí começa todo um turbilhão de problemas, porque a família dele não a aceita por não ser judia, o que significa que os filhos que ele irá ter não podem ser considerados judeus verdadeiros”.

A peça ganha atualidade com o contexto que se vive hoje, mas vai mais longe, considera o encenador. “É uma guerra surda, há muito tempo”, refere Álvaro Correia.

“Ela descobre o que é ser árabe de repente e de repente há uma sensação de pertença. O interessante aqui na escrita dele é que ele coloca-se, no fundo, no lugar do outro, porque a maior parte das personagens são judias. No fundo, só existe uma árabe que é a rapariga e ele está a colocar-se na perspetiva do outro. Por vezes, há momentos duros de ouvir”, sublinha.

Segundo o encenador, “o teatro também tem que testar possibilidades. Não é a realidade. Não é um teatro documental”, indica. Mas a peça revela “perante aquilo que conhecemos, como é que se pode perspetivar outras coisas”.

“Todos Pássaros”, que estará em cena na sala Luís Miguel Cintra até 29 de março, conta ainda no elenco com Duarte Romão e Laura Garnel, dois alunos finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema.

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por Maria João Costa in Renascença | 18 de março de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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