"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Publicações

Do Palito à Perdiz - sobre a mesa muito se diz

Uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que vêm a calhar que nem ginjas, sobre coisas que costumam chegar à mesa dos portugueses e que, como a ginjinha, fazem parte da nossa alma e identidade.

Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta?

A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolve-se a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada?

Esta é uma viagem à descoberta da nossa gastronomia, na qual a História se cruza com a Tradição, através de manifestações religiosas e culturais, lendas e contos, cantigas populares, adivinhas, provérbios ou superstições, mas também nas páginas dos escritores portugueses, que nunca deixaram de as referir nas suas obras.

«Utensílio com múltiplas funções, o palito tem andado nas bocas do mundo, literalmente, desde tempos imemoriais. Os homens pré-históricos já usavam e abusavam de tão afiada ferramenta. Quando a carne começou a ser presença regular nos seus repastos, resolveram o problema de retirar os resquícios de tais comezainas de entre os dentes, recorrendo a algumas hastes de madeira e a pedaços bem afiados de salgueiro ou de choupo. Assim principiava a tradição de palitar os dentes após as refeições.
Daí até se aprimorar a forma deste prático utensílio foi um salto, e que ainda hoje preserva essa mesma configuração, com pequenas alterações, umas mais artísticas do que outras. Apesar de durante algum tempo terem sido abolidos da mesa e dos hábitos portugueses devido, sobretudo, aos conselhos médicos, a sua extrema funcionalidade provou que eles por aí pululam. E não há mesa que se preze de ser portuguesa sem um conjunto deles, para o que der e vier. Esperemos que as higiénicas modas não acabem com o nosso palito, esse prestável amigo. Saibamos utilizá-lo com correcção. O resto é História.»


Paulo Moreiras nasceu em agosto de 1969, na cidade de Lourenço Marques, Moçambique.
Em Outubro de 1974 aterrou em Portugal.
Quis ser desenhador, cientista, inventor, marinheiro, antropólogo, mas não foi nada disso.
Perdeu-se muitas vezes e achou-se outras tantas.
Erra mais do que acerta, mas não deixa de ser feliz por isso.
Começou na banda desenhada, navegou pela poesia e desaguou no romance com o elogiadíssimo A Demanda de D. Fuas Bragatela (2002).
Seguiram-se Os Dias de Saturno (2009), O Ouro dos Corcundas (2011) e A Vida Airada de Dom Perdigote (2023).
N’O Caminho do Burro (2021) reuniu os seus melhores contos.
Em 2025, atribuído ao romance A Vida Airada de Dom Perdigote, venceu o Prémio PEN.
Também escreve sobre gastronomia, com destaque para Elogio da Ginja (2006) e Pão & Vinho – Mil e Uma Histórias de Comer e Beber (2014).

Literatura Lusófona
272 páginas
18,90 Euros
ISBN: 978-989-58-1763-4
1.ª Edição: Abril 2026
Leya | Casa das Letras

Agenda
Ver mais eventos
Visitas
124,279,416