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Teatro S. Carlos e CCB apresentam derradeira versão de “Tannhäuser” de Richard Wagner

A ópera “Tannhäuser”, de Richard Wagner, com direção musical de Graeme Jenkins e encenação Max Hoehn, que sobe a cena no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, na quinta-feira, é a derradeira versão concebida pelo compositor.

© Matilde Fieschi

Apresentada em Viena, em 1875, 30 anos após a estreia em Dresden, esta versão, agora coproduzida pelo Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC) e o CCB, apresenta diferenças artísticas e estruturais em relação às anteriores: a original, de 1845, e a de Paris, de 1861.

A versão de Viena combina a estrutura da ópera romântica alemã, em que se enquadra a de Dresden, com a sofisticação orquestral da versão francesa, sublinhando "o conflito entre o amor carnal e o espiritual, os prazeres terrenos e a redenção da alma", dualidades sempre presentes na "contrastante e poderosa escrita musical de Wagner", como destaca o texto do CCB sobre esta produção.

Ao contrário das anteriores versões, a de Viena, no prelúdio, abdica do tema dos peregrinos, seguindo sem interrupção para a cena da montanha de Vénus (Bacanal), e recupera a ária do segundo ato "Als du in kühnem Sange" ("Quando cantou com ousadia"), não apresentada na capital francesa.

De acordo com a crítica, a versão de Viena ganha um fluxo dramático mais contínuo e intenso, traduzindo a expressão mais madura de Wagner, através de uma orquestração mais densa, mais próxima da linha de "Tristão e Isolda".

Desde a conceção original, que remonta a 1843, e a estreia da versão de Viena, somam-se mais de 30 anos em que o mito do trovador dividido entre os amores de Vénus e a sua prometida, esteve presente na vida de Wagner. Na sua demanda pela "obra de arte total", é facto documentado que, pouco tempo antes de morrer, em 1883, o compositor confessou "ainda dever ao mundo" um novo "Tannhauser".

"Tannhäuser e o concurso de canto de Wartburg" ("Tannhäuser und der Sängerkrieg auf Wartburg") é uma ópera em três atos com libreto e música de Richard Wagner, inicialmente composta entre 1843 e 1845.

Inspirada no universo dos 'Minnesänger' (tradição trovadoresca alemã), "Tannhäuser" situa-se no século XIII, congregando elementos da mitologia e da tradição épica germânicas, "na exploração de um dos temas transversais ao repertório wagneriano: a redenção pelo amor", lê-se no texto de apresentação.

Tannhäuser, um cavaleiro e trovador, a quem estava prometida a jovem Elisabeth, sobrinha do senhor da Turíngia, sucumbe aos amores de Vénus.

O 1.º ato começa exatamente na corte da deusa, onde o herói se encontra, sentindo porém a nostalgia de aventuras mais terrenas. Pede por isso a Vénus que o deixe partir, mas só o consegue quando invoca o nome da Virgem Maria e o reino da deusa se desvanece.

No 2.º ato, num torneio de canto, Tannhäuser encontra-se com Elisabeth que o recebe com alegria, mas o jovem trovador não consegue esquecer Vénus e canta em louvor da deusa. O Senhor da Turíngia ordena-lhe então que parta para Roma para implorar o perdão dos seus pecados.

No 3.º e último ato, Tannhäuser regressa e conta que, segundo o Papa, seria redimido quando florescessem rosas no báculo papal. Mas descobre que Elisabeth morrera de desgosto pelo seu afastamento. Tannhäuser ajoelha-se então junto ao cadáver da prometida, beija-a pela última vez e morre também. Nesse momento, novos peregrinos surgem trazendo o báculo papal pleno de rosas, sinal de que Tannhäuser morrera sem pecado.

Nesta coprodução do TNSC com o CCB, "Tannhäuser" é protagonizada pelo tenor Jonathan Stoughton e conta com um elenco composto pelas sopranos Allison Oakes e Annemarie Kremer, respetivamente nos papéis de Elisabeth e Vénus, e pelos barítonos Wolfgang Rauch e Christian Luján.

Do elenco fazem também parte André Baleiro, barítono, os tenores Marco Alves dos Santos, Sérgio Martins e Luís Rodrigues e a soprano Mariana Castello-Branco.

A interpretação conta ainda com o Coro do TNSC, o Coro Lisboa Cantat, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, e é acompanhada pelo vídeo de Amber Cooper-Davies.

Depois da apresentação na quinta-feira, dia 23, às 19:00, "Tannhäuser" tem nova récita no sábado, 25, às 16:00.

As duas récitas são antecedidas de uma conversa com a musicóloga Inês Thomas de Almeida, coautora com Rui Vieira Nery, do livro “Vamos Correr Riscos: Textos escolhidos de Madalena de Azeredo Perdigão” (2023).


Fonte: LUSA | 20 de abril de 2026

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