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"Império, Mito e Miopia. Moçambique como invenção literária"
Esta obra permite não necessariamente reabilitar ou legitimar a literatura colonial — não é esse o objetivo —, mas tão-somente compreender, problematizando, a especificidade de um modo de (re)inventar mundos, segundo uma lógica alicerçada numa pretensa supremacia cultural, ética e civilizacional.
“A literatura colonial, para muitos uma «pseudo-literatura» ou, simplesmente, uma literatura «imoral», possui uma clara importância estético-literária, bem como histórica e cultural, uma vez que é tributária de toda uma tradição que, de um modo mais ou menos marcado, tem regido as principais redes das relações de identidade e de alteridade ao longo da trajetória da humanidade, como nos revelam dicotomias como: — helénicos vs. «bárbaros»; cristãos vs «pagãos»; muçulmanos vs «infiéis»; civilizados vs. «primitivos» ou «selvagens»; desenvolvidos vs. «subdesenvolvidos», nós vs. Eles, os outros, quase sempre tendo como pano de fundo uma pretensa superioridade de uma das partes.
O imaginário dominantemente representado pela literatura colonial ainda subsiste e leva-nos a considerar uma colonialidade que persiste, onde se reconhecem posturas e discursos retrocoloniais, e em que o ranço de um passado histórico ainda por exorcizar povoa todo um imaginário aquém e além das representações literárias. O presente que hoje vivemos, nesta contemporaneidade difusa, desequilibrada e convulsiva , não faz mais do que confirmá-lo.”
Sobre o autor:
Francisco Noa nasceu em 1962, em Inhambane (Moçambique). É doutorado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa (2001). Ensaísta, crítico literário, pesquisador e professor em universidades moçambicanas e no estrangeiro. Investigador associado na Universidade de Coimbra, em Portugal. Foi diretor e investigador do Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB), em Maputo. Foi, entre 2015 e 2020, reitor da Universidade Lúrio, em Moçambique. Membro da Academia de Ciências de Lisboa. Prémio BCI de Literatura de 2014. Tem feito parte de júris nacionais e internacionais, como Prémio Camões, Prémio Oceanos e Prémio FIL em Línguas Românticas.
É autor de várias obras ensaísticas, nomeadamente José Craveirinha, esse Madarim, 2025, Além do Túnel, Ensaios e Travessias, 2020, Memória, Cidade e Literatura: De São Paulo de Assunção de Loanda a Luuanda, de Lourenço Marques a Maputo (org. Com Margarida Calafate Ribeiro), 2019; Uns e Outros na Literatura Moçambicana. Ensaios 2016; Perto do Fragmento, a Totalidade. Olhares sobre a literatura e o mundo 2012; A Letra, a Sombra e a Água. Ensaios & Dispersões 2008; Império, Mito e Miopia. Moçambique como invenção literária 2002; A Escrita Infinita 1998; Literatura Moçambicana – Memória e Conflito 1997.
Ficha do Livro:
Título: IMPÉRIO, MITO E MIOPIA
ISBN: 9789722133746
PVP C/ IVA: 25,90€
LeYa | EDITORIAL CAMINHO

