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"Primeiro Poema"

Os poemas que ficaram por publicar, os últimos de Nuno Júdice, reunidos num volume organizado por Ricardo Marques, um dos estudiosos da obra do poeta.

Numa tarde do início de 2024, num breve período entre estadias no hospital, Nuno Júdice mostrou-me, em sua casa, um poema: era «Primeiro Poema», incluso neste livro.
Depois de o ler, perguntei se era para um livro novo, resposta com uma anuência simples com a cabeça, tantas vezes seu apanágio. Que título vai dar ao livro, perguntei eu, de seguida. A resposta foi, como sempre, telegráfica e objectiva: «Primeiro Poema».

Creio que pensei na altura para comigo que, a ser o seu último livro, pensamento terrífico mas objectivo, dada a gravidade e imprevisibilidade da doença que se apossara do seu corpo, aquele seria uma saída de cena em grande: no fim de contas, das suas contas de muitos livros distribuídos por muitas décadas, estava perante o poeta que começara, em 1972, com A Noção de Poema, uma longa conversa com os seus leitores sobre o que era isso do fazer da poesia.

Dois dias depois da sua morte, a Manuela Júdice perguntou-me directamente em sua casa se a ajudava a dar forma ao livro que o Nuno começara a escrever e que para sempre seria «incompleto».
Aqui estou, aqui estivemos e aqui estamos, perante todos.
Lembrei-me desse dia com o Nuno, da revelação de um título possível para um livro, e disse-o à Manuela. Para minha estupefacção e pelo que percebemos, essa informação apenas a mim me fora dada, e ainda hoje procuro entender porquê. Nunca saberei. A resposta mais plausível talvez seja porque simplesmente lhe perguntei por um título, depois de ler «um primeiro poema».

Ricardo Marques


Nuno Júdice (Portimão, Mexilhoeira Grande, 29 de Abril de 1949 – Lisboa, 17 de Março de 2024) formou-se em Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa, foi professor associado da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em 1989, e autor de estudos sobre teoria da literatura e literatura portuguesa.
Entre 1997 e 2004 desempenhou as funções de Conselheiro Cultural e Director do Instituto Camões em Paris, e dirigiu, até 1999, a revista Tabacaria da Casa Fernando Pessoa.
Em 2009 assumiu a direcção da revista Colóquio-Letras da Fundação Calouste Gulbenkian.
O seu primeiro livro de poesia – A Noção de Poema – foi publicado em 1972.
Desde então, tornou-se um dos mais notáveis e reconhecidos poetas portugueses, tendo recebido importantes prémios, em Portugal e no estrangeiro, onde está traduzido em muitas línguas.
Uma Colheita de Silêncios (2023), o último livro que publicou em vida, recebeu o Prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa 2024.
Em 2013, foi distinguido com o XXII Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana (Espanha); em 2014, com o Prémio de Poesia Poetas del Mundo Latino Víctor Sandoval (México); em 2015, com o Prémio Argana de Poesia, da Maison de la Poésie de Marrocos, e o Prémio Literário Fundação Inês de Castro – Tributo de Consagração; e, em 2016, com o Prémio El Ojo Crítico Iberoamericano da Rádio Nacional de Espanha. Em 2022, foi-lhe atribuído o Prémio Carlo Betocchi da cidade de Florença e o Prémio Internacional de Poesia do festival Poetry & Liquor na cidade de Luzhou, em Sichuan, na China.

Poesia Lusófona
128 páginas
13,90 Euros
ISBN: 978-972-20-8902-9
1.ª Edição: Abril 2026
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