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Porto Femme distingue cinema feito por mulheres e não-bináries na sua 9.ª edição
“Sugar Island”, de Johanné Gómez Terrero, vence Melhor Longa-Metragem e cinema português também em destaque no palmarés.
O Porto Femme - Festival Internacional de Cinema encerrou a sua 9.ª edição com a entrega de prémios, distinguindo obras que refletem a diversidade, a experimentação e o compromisso político do cinema feito por mulheres e pessoas não binárias.
Num ano dedicado ao tema O Trabalho, o palmarés evidencia filmes que exploram questões como desigualdade, identidade, memória e resistência, reforçando o posicionamento do festival como espaço de reflexão social e artística.
Na competição internacional de longa-metragem, o grande vencedor foi “Sugar Island”, de Johanné Gómez Terrero, distinguido pela sua abordagem cinematográfica experimental e pela forma como articula temas como o colonialismo, a injustiça social e o género.
Entre as restantes categorias internacionais, destacam-se “My Brother Lyosha And I” (curta-metragem), “Biting the Hand That Feeds You” (animação), “Flying Hands” (documentário) e “Flock of Thunder” (experimental), obras que evidenciam diferentes linguagens e abordagens narrativas dentro do cinema contemporâneo.
Cinema português em evidência
Na competição nacional, o júri distinguiu “Praia de Pedra”, de Sofia Bost, como melhor curta-metragem, sublinhando a forma como o filme aborda dinâmicas familiares, classe e o trabalho emocional invisível.
Foram ainda premiados “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães (animação), “Variações sobre como Cultivar uma Cidade”, de Mónica Martins Nunes (documentário), e “Tem Fé”, de Leonor Patrocínio Alves e Helen Esther Aschauer (experimental), reforçando a vitalidade da produção nacional.
O prémio “A Voz das Mulheres” foi atribuído ao documentário “Eu Queria Ser Tudo”, de Luísa Costa Pinto, que dá visibilidade a histórias de violência institucional e à resistência das mulheres.
Temas sociais e políticos no centro do palmarés
O prémio Lutas e Direitos das Mulheres distinguiu “The Day Iceland Stood Still”, de Pamela Hogan, pela relevância da sua abordagem histórica e pela reflexão sobre a força coletiva na construção de sociedades mais justas.
Na competição temática, o destaque foi para “Like a Spiral”, de Lamia Chraibi, enquanto na competição estudante o prémio de melhor curta-metragem foi atribuído a “Nesting”, de Iyanah Bativala.
Já na competição XX Element, o júri premiou “Elvira Notari: Beyond Silence”, de Valerio Ciriaci, um documentário que recupera o legado de uma pioneira esquecida do cinema italiano.
Um festival que cruza cinema e reflexão social
Ao longo da semana, o Porto Femme apresentou uma programação com quase 130 filmes de 37 países, reforçando o seu compromisso com a promoção de novas vozes e com a reflexão crítica sobre o papel do cinema na sociedade contemporânea, afirmando-se como uma plataforma de visibilidade para histórias e perspetivas ainda pouco representadas.

