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Open House vai abrir portas a 77 espaços que alimentam Lisboa
O Open House Lisboa vai dar acesso gratuito, a 9 e 10 de maio, a 77 espaços que contribuem para o abastecimento alimentar da capital, desde a produção à comercialização, alguns “longe dos olhares do público”.
Em 15.ª edição, a iniciativa da Trienal de Arquitetura de Lisboa, sobre o tema "Arquitetura e comida", tem como comissários, o historiador Anísio Franco e a arquiteta Mariana Sanchez Salvador.
“Inicialmente reunimos mais de 200 propostas para o tema sobre arquitetura e comida, porque há inúmeros espaços importantes que foram ou ainda são vitais para o abastecimento dos produtos alimentares à população de Lisboa”, comentou Anísio Franco.
Desde a produção à comercialização, passando pela distribuição e preparação, a edição deste ano irá abrir ao público cozinhas, algumas delas históricas, armazéns, lojas, locais de gestão de resíduos, restaurantes, mercados e hortas comunitárias com impacto na vida quotidiana e no planeamento urbano da cidade, apontou.
A adega Belém, o Aqueduto das Águas Livres – Museu da Água, os Armazéns Abel Pereira da Fonseca, o Atelier-Museu Júlio Pomar – antigo armazém adaptado – o supermercado Auto Palace, o Banco Alimentar, a cervejaria Browers Beato, a cantina da Cidade Universitária, e a Cervejaria Trindade fazem parte dos espaços do programa.
“Embora as cidades possam ser definidas pela distinção entre produtores e consumidores, a sua própria existência dependeu de um abastecimento estável e abundante, proporcionado pelo domínio da agricultura”, assinalou a arquiteta Mariana Sanchez Salvador, acrescentando que as rotas de distribuição estruturavam ruas e os mercados constituíam o centro social e simbólico da vida urbana.
Exemplo disso é o Marcado da Ribeira, junto ao Cais do Sodré, onde a organização levou o grupo de jornalistas a visitar os armazéns subterrâneos onde existem câmaras frigoríficas e onde se produzem toneladas de gelo diariamente para serem usadas pelos comerciantes da praça para manterem os seus produtos frescos.
O público terá também acesso às cozinhas e refeitórios de espaços históricos como o Convento das Trinas do Mocambo, onde está atualmente instalado o Instituto Hidrográfico, ou o Convento de São Domingos, reconvertido em Convent Square Lisbon Hotel, e os conventos do Beato e dos Cardeaes.
A iniciativa que visa divulgar o património arquitetónico da capital contará ainda com um Programa Júnior, o Programa Plus, a Coleção de Passeios Sonoros, as Visitas Acessíveis, e cinco percursos urbanos guiados por especialistas.
A cozinha do Centro de Apoio Social de São Bento, a cozinha popular da Mouraria, o Galeto, a Estufa Comunitária de Alvalade, o Martinho da Arcada, e a Fábrica dos Pastéis de Belém são outros dos espaços selecionados para comprovar que “historicamente, a comida foi central para a fundação das cidades e a sua prosperidade”.
Conceito criado em 1992 por Victoria Thornton, a rede Open House Worldwide conta hoje com mais de 60 cidades por todo o mundo, como Porto, Londres, Osaka, Tessalónica, Zagreb ou Buenos Aires.
Em Lisboa, o Open House acontece anualmente desde 2012 numa coorganização que junta a Trienal de Arquitetura de Lisboa, presidida pelo arquiteto José Mateus, e a parceria da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural/Lisboa Cultura.
Questionada pela Lusa sobre o número de visitantes nas duas últimas edições, fonte da organização indicou que foram contabilizados 18.369 em 2025, e 24.421 em 2024, “números globais que variam muito com a capacidade de entrada limitada dos espaços envolvidos em cada edição”, apontou.
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Fonte: LUSA | 29 de abril de 2026

