"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Notícias

Luís Represas celebra 50 anos de música com concertos nos coliseus de Lisboa e Porto

O cantor Luís Represas vai celebrar os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, com dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto em abril do próximo ano.

© José Sena Goulão/Lusa

De acordo com Luís Represas, os concertos, nos quais fará “um retrato de 50 anos de trabalho”, estão marcados para 10 de abril de 2027 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e 17 de abril do mesmo ano no Coliseu do Porto.

O que acontecerá em palco nesse dia “vai muito depender de muitas disponibilidades”. “Nesta altura tudo está em aberto. Mas há uma certeza no tudo estar em aberto, é que esses espetáculos se vão fazer com um retrato meu dos meus 50 anos de trabalho”, disse.

A carreira de Luís Represas está dividia “em dois lados, embora um contamine fortemente o outro”.

“A primeira fase é a do aparecimento do Trovante, em 1976, e toda essa fase, até 1992, a história já foi mais do que contada, está mais do que contada, fez-se espetáculos [o grupo voltou a juntar-se ao vivo algumas vezes, a última das quais em março deste ano], onde a história se contou ainda mais”, referiu.

Desde o final dos Trovante até hoje “vem uma história que se calhar não foi tão contada, mas foi muito vivida”.

É sobretudo nesses anos, a solo, que irão incidir os espetáculos nos coliseus.

Quando Luís Represas diz que uma das fases contamina a outra, é “porque de facto o Trovante também está lá”. “Ou seja, as canções do Trovante também estarão presentes, como estão presentes sempre. Nos meus espetáculos, normalmente canto canções do Trovante, fazem parte do meu acervo, fazem parte do meu reportório, fazem parte do meu espólio, fazem parte da minha alma como músico”, afirmou.

A segunda fase da carreira do músico começa a ser contada em 1993, com a edição do primeiro álbum a solo, “Represas”, gravado em Cuba e que contou com a colaboração de músicos locais, entre os quais Pablo Milanés (1943-2022).

Luís Represas fala nesse álbum, que inclui temas como “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”, como “fundamental” no seu percurso: “foi um reencontro comigo próprio”.

“De repente quando o Trovante acaba, estou sozinho e tenho que perceber o que é que sou artisticamente, ou seja enquanto compositor enquanto escritor. Foi necessário arranjar uma distância em relação ao passado, sem me divorciar do passado, porque o passado faz parte daquilo que sou artisticamente e musicalmente. Mas foi preciso encontrar essa distância para não continuar a fazer coisas que fazia antigamente, ou de repente começar-me a baralhar e perder o meu norte”, partilhou.

Em Cuba, trabalhou com “grandes músicos, que tiveram uma disponibilidade total”, e “uma noção muito concreta” de que não queria fazer um “disco de turista”.

“Quis fazer um disco em Cuba, usando e aproveitando tudo o que eles tinham para me dar, de uma linguagem que me é familiar e que me é cara, mas sem perder a minha identidade nacional. É o que eles diziam muitas vezes: ‘Atenção, nós estamos aqui a gravar o disco do Represas, mas o Represas é português, não é cubano’”, recordou.

Em 1996, editou “Cumplicidades”, álbum que contou com a colaboração do pianista Bernardo Sassetti (1970-2012). Seguiram-se “A hora do lobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001) e “Fora de Mão” (2003).

Em 2008 voltou a editar um álbum gravado na íntegra em Cuba, “Olhos nos olhos”, que conta com a participação da cantora brasileira Simone.

Em 2011 volta a juntar-se a João Gil, cúmplice dos Trovante, para um álbum conjunto: “Luís Represas e João Gil”.

Depois, editou “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) e “Miragem” (2024).

Entre os nove temas que compõem o álbum mais recente do músico, há uma versão de “Meu erro”, de Os Paralamas do Sucesso, que Luís Represas gravou com Zélia Duncan para uma edição exclusiva no Brasil.

Além de Zélia Duncan em “Miragem” Luís Represas trabalhou, entre outros, com o letrista João Monge e os músicos brasileiros Ricardo Leão e Ivan Lins.

Em 2024, a propósito da edição de “Miragem”, partilhou com a Lusa que, nos quase 50 anos de carreira que leva na música, aprendeu que o essencial é ter-se uma identidade.

“A minha impressão digital, aquilo que me faz ser eu e que me faz ser diferente dos outros, é o fundamental. Isso é que é o meu barco, o meu barco é esse e é nesse barco que tenho que navegar. E que eu quero e que gosto de navegar”, afirmou.

A solo, Luís Represas tem ainda quatro álbuns ao vivo, editados em 1996, 2006, 2010 e 2015.

Os bilhetes para os concertos de Luís Represas nos coliseus de Lisboa e do Porto, cujos preços variam entre os 20 e os 60 euros, já estão à venda.


Fonte: LUSA | 5 de maio de 2026

Agenda
Ver mais eventos

Passatempos

Passatempo

Ganhe convites para o espetáculo "O Auto da Revolta do Mestre Salas"

Em parceria com o CENDREV - Centro Dramático de Évora, oferecemos convites duplos para o novo espetáculo de Ricardo Alves, que parte do universo dos Bonecos de Santo Aleixo para explorar, de forma crítica e poética, as questões da liberdade, do controlo e da responsabilidade individual.

Passatempo

Ganhe convites para a antestreia do filme "CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS"

Em parceria com a PRIS Audiovisuais, oferecemos convites duplos para a antestreia do filme realizado por Michal Kwecinski, que revela um lado de Chopin que nunca vimos — e que não encontramos nos livros de história. Findo o passatempo, anunciamos aqui os nomes dos vencedores!

Visitas
124,970,186