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A história de Carolina Loff, a mulher que traiu o partido, mas morreu comunista

Para a PIDE, era agente de Moscovo. Para a Gestapo, agente dupla. Para a CIA, pertencia à  Rote Kapelle. Quem era, afinal, Carolina Loff?

Em A Comunista e o Pide, Felícia Cabrita documenta a história extraordinária da espia portuguesa que traiu o partido, mas morreu comunista.

Em Portugal, foi Maria Luísa; em Moscovo, Marta da Costa; na Espanha republicana, onde por pouco não foi fuzilada, conheceram?na como Berthe Mouchet.

Tudo isto foi Carolina Loff, a mulher que pertenceu às Juventudes Comunistas, entregou a filha bebé aos cuidados do Partido Comunista da URSS, militou na Guerra Civil de Espanha, foi ajudada por Álvaro Cunhal, e viveu um grande amor com o pide que a torturou.

«Para esta geração, não lutar era um destino pior do que a tortura ou a morte. A jovem interessa?se por milhares de coisas, mas dá prioridade à formação teórica. Sem saber que o marxismo castrava e o leninismo não era sinónimo de liberdade, recebe do primo as primeiras lições para aprofundar uma consciência revolucionária.

Os dois são inseparáveis. Magda Fonseca, filha de Álvaro e hoje o único repositório da crónica familiar desses tempos, traça-lhe o perfil: “Faziam uma dupla imparável. Eram ambos muito jovens (ele tinha 18 e ela 16 anos) e já estavam envolvidos em todas as confusões políticas. A Carolina fez parte da primeira célula feminina comunista organizada pela Wilma Freund, com quem fez a sua educação política. Era muito enérgica, sendo ela quem escrevia grande parte dos artigos de imprensa juvenil da FJCP, da qual foi dirigente, tal como o meu pai”.»

Em A Comunista e o Pide, de Felícia Cabrita, vamos conhecer – mas será possível de facto conhecê-la? – Carolina Loff, mulher irresistível aos olhos dos homens, senhora de tremenda beleza e dura disciplina.

Agitadora nata, Carolina entrou no PCP aos 17 anos. Na sua luta, conheceu as cadeias da ditadura, foi torturada e resistiu.
Tornou-se, 10 anos depois, na primeira mulher a integrar o secretariado do Comité Central do Partido, sendo chamada por Pavel, célebre dirigente, a Moscovo para completar a sua formação teórica.

De Moscovo, onde deixou a filha ainda criança, seguiu para a Guerra de Espanha em missão clandestina: seria morta se a revelasse. Acabou presa nas cadeias franquistas.

Sobrevivente, a enigmática Carolina regressou a Portugal e ao PCP, ao lado de Cunhal. Voltou a ser presa e é então, nas prisões da ditadura salazarista, torturada por Júlio Almeida, agente da PIDE, que a resistente e inquebrável Carolina vai viver o episódio que muda toda a sua vida. O que aconteceu, numa sala de tortura, que pintou com as cores da traição tanto os ideais do comunismo quanto os do salazarismo?


Felícia Cabrita nasceu em Loulé, em 15 de março de 1963, e é jornalista, guionista e escritora, tendo a investigação como a paixão que liga todas essas suas vertentes.
Ao longo da carreira, trabalhou para diversos órgãos de comunicação social, como o semanário Expresso, a revista Grande Reportagem ou a estação de televisão SIC, sendo agora jornalista no semanário Sol.

Pela sua mão, foram denunciados e investigados grandes casos nacionais, como o escândalo Ballet Rose ou o dossiê Casa Pia, Freeport ou Face Oculta, tendo-se dedicado, desde o início, à investigação jornalística da Operação Marquês.

Foi guionista de várias séries de ficção televisiva baseadas nos seus trabalhos de investigação.

É autora de obras como Mulheres de Salazar, Os Amores de Salazar, Massacres em África, assim como das biografias Pinto da Costa – Luzes e Sombras de Um Dragão (em co-autoria) e Passos Coelho – Um Homem Invulgar, sendo também co-autora do livro Caso Sócrates – O Julgamento do Regime. Escreveu também dois romances: O Olhar da Serpente e Ballet Rose – Uma Novela (a)Moral.  

Categoria(s): Não Ficção, Biografias e Memórias
Nº de Páginas: 108
Ano de Edição: Junho 2026
ISBN: 978-989-576-433-4
Formato: 15x23
Capa: Brochada
Editora Guerra & Paz

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