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"Afrocalipse"
Num tempo em que se se celebram 50 anos de independência das antigas Colónias portuguesas, atrevemo-nos a dizer que este é um romance de leitura obrigatória.
Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro-Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso.
Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do «afrocalipse» vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos.
«Evocando momentos do Novo Testamento (o Sermã da Montanha ou Curas e Milagres – que ficam por fazer –, entre outros), MLS constrói uma narrativa sequencial, liberta de pontos finais que fechem percursos, numa irradiação de feitos e falas que desestruturam a crença e reestruturam a fé num hino à vida que contempla a responsabilidade da liberdade individual.»
«O que é brilhante aqui é a utilização da língua, a poesia que transparece das descrições, o fundo que nos faz pensar.»
«O novo romance de Mário Lúcio Sousa é um “livro de óbitos”, um monumento de papel em memória das vítimas do Tarrafal. Mas é também uma afirmação da vida, da liberdade e da esperança.»
«A percepção de estar perante algo marcadamente cinematográfico surgiu-me logo no início, talvez pela estruturação temporal da obra, talvez pela pluralidade de códigos utilizados, ou pelas regressões e progressões quase que funcionando como movimentos da câmara, ou pelo visualismo, ou melhor, pela carga sensorial das imagens e ainda pela plasticidade da narrativa e da própria linguagem.»
«Um livro de grande densidade que confirma Mário Lúcio Sousa como um dos narradores mais importantes e marcantes da vida literária cabo-verdiana e também do mundo lusófono.»

Mário Lúcio Sousa nasceu em 1964, no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Licenciou-se em Direito na Universidade de Havana.
Foi deputado ao Parlamento e Ministro da Cultura e Artes de Cabo Verde.
É uma das figuras mais reconhecidas da cena literária e musical cabo-verdiana e o escritor mais premiado no seu país, considerado o criador de uma nova linguagem que resgata o português arcaico para a língua crioula.
É autor de vários livros de poesia, ficção, ensaio e teatro e publicou nesta chancela os romances O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010); Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro, A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023 e escolhido para o plano Nacional de Leitura em Portugal) e O Livro Que Me Escreveu.
Gravou mais de dez álbuns musicais e recebeu vários prémios e condecorações.
Literatura Lusófona
272 páginas
18,80 Euros
ISBN: 978-972-20-8926-5
1.ª Edição: Junho 2026
Leya | Dom Quixote

