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Premiada peça do poeta João Luís Barreto Guimarães estreia-se no Teatro Aberto em Lisboa
A primeira peça do poeta João Luís Barreto Guimarães, que o Teatro Aberto estreia na sexta-feira em Lisboa, tem como cerne um homem em perda, isolado num baldio, que se revela a mulheres que conhece em encontros fortuitos.
“Caravana” tem encenação de João Pedro Vaz e interpretação de Joaquim Horta, o solitário que se fecha ao mundo, e Rita Calçada Bastos, que se desdobra em três papéis – Helena, Ana e Maria – as mulheres com quem ele se cruza.
“É um teatro de atores, de diálogos, em que as coisas não são reveladas logo, vamos intuindo. É uma peça bastante cinematográfica, a presença do lugar é importante e a relação é muito de grande plano”, contou o ator e encenador João Pedro Vaz aos jornalistas no final de um dos ensaios.
O texto de João Luís Barreto Guimarães chega aos palcos depois de ter recebido o Prémio de Teatro Carlos Avilez/SPAutores/Teatro Aberto 2025, com o júri a elogiar-lhe a estreia como dramaturgo ao construir “uma trama com momentos de aproximação e distância, dúvida e incerteza, que prende a atenção do leitor/espectador, convocando-o a descobrir o que se oculta atrás das máscaras das personagens”.
No final de um dos ensaios, onde se afinaram detalhes técnicos de luz e movimento, num palco onde sobressai cenicamente a caravana, João Pedro Vaz disse que o poeta João Luís Barreto Guimarães trabalhou de perto na transposição do texto.
“Gostei muito de trabalhar com ele, porque tem essa curiosidade e vontade para continuar a escrever teatro e perceber como é que estes atores trabalharam o seu imaginário. […] Foi muito interessante perceber até que ponto a poesia podia ajudar, mas até onde é que não ajuda”, contou o encenador.
Para João Pedro Vaz, que se estreou como encenador há mais de duas décadas, a poesia é uma arte muito distinta da do teatro.
“É preciso ter muito cuidado quando se introduz a poesia dentro do teatro. O teatro continua a ser uma arte viva, em que os corpos têm que transmitir as suas metáforas e símbolos sem que a gente os mencione. A poesia é o contrário, tem de enunciar a partir da palavra. Às vezes um ator em silêncio diz mais do que quando está a falar”, exemplificou.
Rita Calçada Bastos e Joaquim Horta voltam a contracenar, a convite de João Pedro Vaz, vinte anos depois de terem trabalhado juntos numa peça no Teatro A Comuna.
Aos jornalistas, a atriz contou que trabalhar três personagens distintas na mesma peça implicou uma certa “ginástica” para chegar à interioridade daquelas mulheres criadas pelo poeta. “Cada uma traz um imaginário e uma idade diferente” que confrontam o personagem masculino em diferentes fases da vida, corroborou Joaquim Horta.
Médico e poeta, Prémio Pessoa 2022, João Luís Barreto Guimarães é autor de, entre outros, “Há violinos na tribo” (1989), “Mediterrâneo” (2016) e “Movimento” (2020).
“O que pretendi com ‘Caravana’ foi escrever uma peça íntima sobre o amor depois de uma fratura profunda, mas recusando a frontalidade imóvel do drama de confissão.[…] “Se há um centro nesta peça, ele talvez esteja na ideia de que alguém pode amar muito e, mesmo assim, tornar-se irreconhecível para si próprio depois de um acontecimento que altera para sempre a vida comum”, escreveu o autor no texto que acompanha a peça.
“Caravana” ficará em cena no Teatro Aberto até 26 de julho, seguindo para o Teatro Nacional São João, no Porto, onde estará em cena de 18 a 27 de setembro.
Está prevista ainda a publicação da peça em livro, numa edição na coleção do Teatro Nacional São João/húmus.
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Fonte: LUSA | 17 de junho de 2026

