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Dois museus nacionais juntam coleções em exposição
A exposição "Dos Gestos e das Formas", junta o acervo do Museu Nacional de Arte Contemporânea ao do Museu Nacional de Arte Antiga, que está fechado para obras.
E se o bilhete para um museu lhe permitisse conhecer a coleção de dois museus nacionais? É o que propõe a nova exposição do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa.
“Dos Gestos e das Formas” coloca em diálogo a coleção daquele museu com a do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA). Enquanto decorrem as obras e o MNAA está encerrado ao público, no Chiado é mostrada uma seleção de peças daquele acervo.
A diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), Filipa Oliveira, explica que é um retorno àquilo que foi a génese destas coleções que nasceram juntas.
“Estas coleções foram uma única. Eram a coleção da Academia de Belas-Artes. Em 1911 foi dividida em duas coleções. De 1850 para trás ficou em Arte Antiga e de 1850 para a frente ficou na Arte Contemporânea e criaram-se estes dois museus, irmãos”.
Agora, o reencontro entre os acervos faz-se numa exposição que permite devolver ao público obras que, devido ao encerramento provisório do MNAA, não podiam ser vistas.
“Decidimos fazer, com as equipas curatoriais, esta exposição pensando nas temáticas que juntassem as coleções”, indica Filipa Oliveira, que acrescenta que a exposição “olha para muitos séculos de criação contemporânea e pensa como é que a arte sempre foi contemporânea e quais são as afinidades”.
A este diálogo juntam-se também peças da coleção da Fundação Millennium bcp, mecenas dos dois museus nacionais. Isto permitiu, por exemplo, expor uma obra de Portinari.
Diálogos artísticos imaginados entre artistas
Em quatro núcleos temáticos, a exposição revisita diálogos artísticos imaginados entre artistas. Filipa Oliveira dá como exemplo na “primeira sala, a sala dedicada à temática do corpo, que na verdade se chama Carne, estão, por exemplo, um Rodin em diálogo com o Simões de Almeida ou o Portinari em diálogo com o Manuel Botelho”.
Há várias décadas ou mesmo séculos de diferença nestes diálogos artísticos. Outro dos casos apontados pela curadora é o exemplo de “Alice Jorge em diálogo com um Santo do século XVI”.
“Percebe-se como é que certas temáticas foram sempre essenciais à história da arte e como são repescadas e trabalhadas de formas diferentes, às vezes com grandes afinidades estilísticas, de forma muito à frente do seu tempo”, indica.
“Dos Gestos e das Formas” é uma exposição que integra ainda peças da recente doação ao Museu do Chiado feita por Alberto Caetano. Segundo a diretora do museu, é uma exposição pensada para todos os públicos.
É, na sua opinião, uma “exposição muito ‘apetitosa’ quer para um público estrangeiro, quer para um público português”, refere.
“Dá uma leitura muito ampla da história da arte em Portugal, apesar de obviamente, faltarem milhares de nomes, mas dá ainda assim uma visão muito curiosa. Mais do que um pensamento sobre a história, a exposição dá um pensamento sobre estes temas que estamos a tratar”, diz Filipa Oliveira.
Esses temas passam, além da ideia de corpo, por questões como “a ideia do tempo ou a ideia da invisibilidade da questão do trabalho da matéria, ou o corpo enquanto matéria”, detalha a diretora.
A acrescentar às obras, no percurso, foram incluídos quatro poemas inéditos de Filipa Leal a que se junta a música de Clotilde Rosa. A abrir a exposição o público vai encontrar uma criação do perfumista Lourenço Lucena com uma dimensão olfativa.
A exposição pode ser visitada até 20 de setembro.
por Maria João Costa in Renascença | 18 de junho de 2026
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

