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Teatro da Garagem anuncia nova temporada com duas estreias: "Stabat Mater" e "Bli"

A temporada no Teatro Taborda conta ainda com um conjunto de propostas de teatro e música que prolongam a reflexão sobre o tempo enquanto experiência comum.

Stabat Mater © Carlos Porfírio_Puro Conceito

Entre setembro e dezembro próximos, o Teatro da Garagem propõe uma programação atravessada por uma mesma pergunta: como habitamos o tempo? Entre a lentidão, a memória, a espera, a perda e a urgência do presente, a temporada do último quadrimestre de 2026 reúne duas novas criações da companhia e um conjunto de espetáculos convidados que prolongam esse diálogo no palco do Teatro Taborda, em Lisboa.

A principal estreia da temporada acontece a 12 de novembro. Em Stabat MaterCarlos J. Pessoa revisita uma das imagens mais marcantes da tradição ocidental: a mãe junto à cruz de Cristo. Interpretada por Custódia Gallego e Célia Teixeira, a peça percorre diferentes formas da experiência da perda: cinco experiências-limite onde uma atriz empresta corpo, voz e sentidos à dor.

A segunda criação do Teatro da Garagem, Bli, é um espetáculo dirigido à infância e à juventude, que sobe pela primeira vez ao palco no dia 10 de dezembro. Através de situações cómicas, líricas e absurdas, Carolina Cunha e Costa e Duarte Romão representam as duas personagens responsáveis por transportar o público para o universo da “pressa”, cujo objetivo consiste em provocar a sensação de falta de um tempo lento, estimulando a sensibilidade e a atenção à riqueza do mundo que nos rodeia.

A programação integra também vários espetáculos acolhidos que dialogam com a reflexão sobre o tempo. Tempo Morto (5 de setembro), com encenação e interpretação de Marta Almeida, propõe desacelerar numa altura em que a produtividade se impõe como prova de existência. Já em Acontece Camões (9 e 10 de outubro), de Paulo Filipe Monteiro, encenador e convidados (um deles músico) amplificam a poesia de Luís Vaz de Camões, assim como a de autores contemporâneos inspirados pela sua obra (Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Saramago ou E. M. de Melo e Castro). Por sua vez, Filhos de Alguém (16 e 17 de outubro), de Miguel Damião, com texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto, faz um retrato poético e social dos que ficam à margem e dos que esperam por um futuro eternamente adiado.

No calendário do Teatro da Garagem está ainda o já anunciado Try Better, Fail Better, festival que há quase 20 anos apoia a criação emergente e serve de espaço de experimentação para novas vozes nas áreas do teatro, da dança e da performance. A 19.ª edição, que decorre nos dias 26 e 27 de setembro, apresenta quatro propostas selecionadas através de uma open calldis-far-ce, de Mariana Magalhães, Desafinada no Coração, de Miriam Freitas, Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes, e Paradoxo Molotof, de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves.

Em novembro, o Teatro Taborda estende-se à música para receber o primeiro aniversário da Ovo Estrelado Records, editora nascida pela mão de Ricardo Duarte, Tiago Castro e Ricardo Mariano. A celebração contempla, no dia 26 desse mês, um conjunto de concertos protagonizados pelos artistas que assinam os quatro discos lançados até então: Afonso Sêrro, Calcutá, Acid Acid e o nome por revelar, responsável pelo quarto álbum com o selo desta nova etiqueta.

Fora de portas, o Teatro da Garagem prossegue também com a circulação de O Rinoceronte, de Eugène Ionesco. A encenação de Carlos J. Pessoa para um dos clássicos maiores do teatro do absurdo chega ao Brasil, nomeadamente a Salvador, no estado da Bahia, no Teatro Vila Velha, a 2 e 3 de outubro, resultado de uma parceria entre ambas as companhias. Outra oportunidade para recuperar este espetáculo inquietante, interpretado por Dai Ida, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Rui Maria Pêgo, será no dia 24 de outubro, no Évora Teatro Fest.

Os bilhetes para os espetáculos que compõem a programação agendada para o último quadrimestre de 2026 já se encontram à venda na see tickets.

Mais informações em teatrodagaragem.com 

PROGRAMAÇÃO:

Tempo Morto
de Marta Almeida
5 de setembro, 21h00
Acolhimento

Try Better, Fail Better 2026 (festival)

26 e 27 de setembro, 15h00 - 00h00
Acolhimento

Acontece Camões
de Paulo Filipe Monteiro
9 e 10 de outubro, 21h00
Acolhimento

Filhos de Alguém
de Filipe Damião (texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto)
16 e 17 de outubro, 21h00
Acolhimento

O Rinoceronte
de Carlos J. Pessoa
Salvador, Bahia (Brasil) - Teatro Vila Velha
2 e 3 de outubro
+
Évora Teatro Fest
24 de outubro
Digressão

Stabat Mater
de Carlos J. Pessoa
12 a 22 de novembro, de quinta a domingo
Criação: Teatro da Garagem

Ovo Estrelado - 1.º aniversário
Concertos de Afonso Sêrro, Calcutá, Acid Acid e tba
26 de novembro, 17h00 - 00h00
Acolhimento

Bli
de Carlos J. Pessoa
10 a 20 de dezembro, de quinta a domingo
Criação: Teatro da Garagem 

SOBRE O TEATRO DA GARAGEM
Fundado em 1989 e dirigido artisticamente por Carlos J. Pessoa desde então, o Teatro da Garagem construiu um percurso singular na cena portuguesa. Assente na tensão entre linguagem cénica e pensamento crítico, elege o texto como dispositivo e o corpo como argumento. O seu trabalho tem insistido numa ideia simples e exigente: o teatro não é ornamento cultural, é pensamento em ato.

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