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Mostra Espanha cria diálogo entre pintores Joaquín Sorolla e Maruja Mallo em Lisboa
Uma pintura de Joaquín Sorolla (1863–1923) e duas de Maruja Mallo (1902–1995) vão ser expostas em diálogo, em dois museus de Lisboa, a partir de 14 de setembro, no âmbito da bienal Mostra Espanha.
Pela primeira vez, a mostra, já com nove edições, desloca para Portugal três obras no âmbito da iniciativa "Obra Convidada", que tem apresentado uma obra num museu da capital, recebendo-as, este ano, no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e o Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB).
Intitulada "Obras Convidadas: um diálogo entre Joaquín Sorolla e Maruja Mallo", a exposição vai estabelecer um diálogo entre dois dos artistas que considera fundamentais para a afirmação da modernidade em Espanha, refere a organização.
No Museu do Chiado será apresentada a pintura "Pescadoras Valencianas" (1915), proveniente do Museu Sorolla, obra pertencente à fase final da carreira de Joaquín Sorolla, na qual o pintor retrata mulheres que aguardam a chegada dos barcos de pesca, conferindo monumentalidade às figuras como forma de homenagem à sua terra natal.
O percurso expositivo prossegue no MAC/CCB com duas obras da pintora Maruja Mallo, provenientes da Fundação María José Jove: "Basuras" (1930) e "Naturaleza viva" (1943).
Na primeira, integrada na série "Cloacas y campanarios", a artista apresenta uma visão crítica e inquietante da sociedade moderna, enquanto "Naturaleza viva", realizada durante o exílio na Argentina, revisita a tradição da natureza-morta através de uma linguagem geométrica inspirada em elementos marinhos observados durante uma viagem pela costa do Pacífico.
De acordo com a organização, a exposição - que estará patente nos dois museus entre 14 de setembro e 30 de novembro - propõe um diálogo sobre as transformações da arte espanhola na primeira metade do século XX, aproximando duas visões distintas do mar, um dos temas centrais da edição deste ano da Mostra Espanha.
Enquanto Sorolla representa o Mediterrâneo como espaço de trabalho, sustento e luminosidade, Mallo interpreta os despojos marinhos como metáfora da desintegração social e, posteriormente, explora novas relações entre natureza e figura humana, influenciada pelos avanços da física e por uma investigação plástica sobre a biodiversidade marinha.
Sorolla, considerado um mestre da luz na pintura, ficou conhecido pelas cenas de praia em Valência, que lhe valeram projeção internacional e encomendas fora do país, nomeadamente para criar os painéis "Visão de Espanha" em Nova Iorque.
Maruja Mallo foi uma pintora surrealista integrada na Geração de 27 que ficou conhecida pela sua linguagem vanguardista em que fundiu elementos populares com visões geométricas modernas, e por ter integrado o grupo feminista Las Sinsombrero.
O início da Guerra Civil Espanhola forçou o seu longo exílio na América Latina, e durante duas décadas trabalhou na Argentina e no Chile, onde expandiu o seu estilo cósmico, regressando a Madrid na etapa final da vida.
A exposição é organizada pelo Ministério da Cultura de Espanha, em colaboração com a Acción Cultural Española, o Museu Sorolla, a Fundação María José Jove, o Museu do Chiado e o MAC/CCB.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Embaixada de Espanha em Portugal, do Instituto Cervantes de Lisboa e da Museus e Monumentos de Portugal.
Criada em 2009, a Mostra Espanha tem como objetivo aproximar a cultura espanhola do público português e promover redes de colaboração entre instituições e criadores dos dois países.
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Fonte: LUSA | 6 de agosto de 2026

