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Escritora Elif Shafak vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2026

Este reconhecimento europeu presta homenagem à arte de contar histórias de Elif Shafak, que dá vida ao diversificado património cultural da Europa, respondendo, ao mesmo tempo, aos desafios do nosso tempo, num forte apelo à defesa da democracia, à promoção da solidariedade, à aceitação do cosmopolitismo e à celebração da diversidade cultural.

© Ferhat Elik

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em colaboração com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, e conta com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

A cerimónia de entrega do prémio terá lugar no dia 5 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Em reação ao anúncio, Elif Shafak afirmou: «Estou muito comovida e profundamente honrada por saber que me foi atribuído o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva. Os meus mais sinceros e profundos agradecimentos ao júri. Este prémio é verdadeiramente especial pelo seu empenho em sensibilizar o público para o património cultural e literário, o que se torna ainda mais importante e necessário no mundo fragmentado de hoje

O júri do prémio homenageia Elif Shafak pela sua contribuição excecional para a preservação e celebração do património cultural comum da Europa, tangível e intangível, através do poder da literatura e da narrativa. O júri salientou: «A escrita de Elif Shafak dá vida à riqueza e complexidade da nossa memória e identidade culturais e liga, de forma extremamente imaginativa, o nosso passado, presente e futuro. Ao dar a sua voz única a histórias, tradições e perspetivas diversas, Elif Shafak convida os leitores a descobrir, compreender, valorizar e cuidar do património que partilhamos. Numa época de crescente ansiedade e polarização, ela lembra-nos que a diversidade cultural é uma fonte de força e beleza, e que a narrativa pode construir pontes sobre muitas divisões. Shafak convida também cada um de nós a empenhar-se na defesa dos valores fundamentais da democracia e da solidariedade. O júri orgulha-se de homenagear Elif Shafak e a sua convicção inabalável no poder da narrativa para preservar a memória, celebrar a diversidade, promover os direitos humanos e unir a humanidade através das gerações e das culturas.»

Elif Shafak

Elif Shafak é uma autora britânico-turca multipremiada. Publicou 21 livros, 13 dos quais são romances, e as suas obras foram traduzidas para 58 línguas. O livro “A Ilha das Árvores Perdidas” (editado em Portugal pela Editorial Presença) foi finalista do Prémio Costa para Romance, dos British Book Awards, do RSL Ondaatje Prize e do Women’s Prize For Fiction, tendo sido também selecionado para o Reese Witherspoon Book Club.  «10 Minutos e 38 Segundos neste Mundo Estranho» (Ed. Presença) foi nomeado para o Booker Prize e para o RSL Ondaatje Prize, tendo sido eleito Livro do Ano pela Blackwell. «The Forty Rules of Love» foi selecionado pela BBC entre os 100 romances que moldaram o nosso mundo. «The Architect’s Apprentice» foi escolhido para a «The Queen’s Reading Room». «Também há rios no céu», igualmente editado em Portugal pela Ed. Presença, ganhou o Prémio Edward Stanford de 2025, o Prix Fragonard de Littérature Étrangère, foi finalista do Prix Fémina Étranger e do Prémio Orwell de Ficção Política e acaba de receber o Prix Lorientales. O seu próximo romance, «In One Brief Moment All Eternity», será publicado a 15 de outubro no Reino Unido.

Shafak é doutorada em Ciências Políticas e lecionou em várias universidades na Turquia, nos EUA e no Reino Unido, incluindo o St Anne’s College, da Universidade de Oxford, onde é membro honorário. É também doutora honoris causa em Letras Humanas pelo Bard College.

Elif Shafak é membro e presidente da Royal Society of Literature e foi selecionada entre as 100 mulheres mais inspiradoras e influentes pela BBC. É fellow do programa Public Humanities na School of Advanced Studies (SAS), em reconhecimento do seu trabalho na definição do futuro das Humanidades Públicas, no aprofundamento do seu alcance e na ampliação do seu impacto.

Defensora dos direitos das mulheres, dos direitos LGBTQ+ e da liberdade de expressão, Elif Shafak é uma oradora inspiradora e já participou duas vezes no TED Global. Colabora com importantes publicações em todo o mundo e foi distinguida pelo Ministério da Cultura francês com o grau de Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras. Em 2017, foi escolhida pelo POLITICO como uma das doze pessoas «que lhe darão aquele ânimo de que tanto precisa». Foi membro do júri de inúmeros prémios literários, incluindo o Prémio PEN Nabokov, e presidiu ao Prémio Wellcome. Shafak recebeu o Prémio Internacional de Literatura Halldór Laxness pela sua contribuição para «a renovação da arte de contar histórias». Em 2024, Shafak foi galardoada com a Medalha do Presidente da Academia Britânica pelo «seu excelente conjunto de obras, que demonstra uma incrível amplitude intercultural».

Júri do Prémio

O Júri do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, presidido por Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, é composto por especialistas independentes nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus: Emílio Rui Vilar (Portugal), Senior Advisor da Fundação Calouste Gulbenkian, Piet Jaspaert (Bélgica), Vice-Presidente da Europa Nostra, João David Nunes (Portugal), Vice-Presidente do Clube Português de Imprensa, Guilherme d’Oliveira Martins (Portugal), Consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, Irina Suboti? (Sérvia), Membro da Europa Nostra Sérvia e Marianne Ytterdal (Noruega), Membro do Conselho da Europa Nostra. 

Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Cultura em colaboração com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, recorda a jornalista, escritora, ativista cultural e política portuguesa Helena Vaz da Silva (1939-2002), em memória e reconhecimento da sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuído anualmente, desde 2013, a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido por atividades de difusão, defesa e promoção do património cultural da Europa, em particular através de obras literárias ou musicais, reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes e programas de rádio e/ou televisão. O Prémio conta com os apoios dos Ministérios da Cultura, Juventude e Desporto e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Os laureados anteriores deste prémio foram a pianista Maria João Pires (2026), o fotógrafo alemão Thomas Struth (2024), o baritono luso-hispano-francês Jorge Chaminé, Presidente do Centro Europeu da Música (2023), a maestra ucraniana Oksana Lyniv (2022), a coreógrafa de dança contemporânea belga Anne Teresa De Keersmaeker (2021), o poeta português e bibliotecário da Biblioteca do Vaticano José Tolentino Mendonça (2020), a física italiana Fabiola Gianotti (2019), a historiadora e locutora britânica Bettany Hughes (2018), o cineasta alemão Wim Wenders (2017), o cartoonista editorial francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o filósofo português Eduardo Lourenço (ex aequo, 2016), o músico e maestro espanhol Jordi Savall (2015), o escritor turco e Prémio Nobel Orhan Pamuk (2014) e o escritor italiano Claudio Magris (2013). Os seus discursos nas cerimónias de atribuição deste Prémio podem ser ouvidos aqui.

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