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Museu Soares dos Reis celebra 180 anos do escultor Soares dos Reis

A urgência de redescobrir a obra de António Soares dos Reis, nome decisivo da escultura portuguesa, marca o programa do Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR), no Porto, para assinalar os 180 anos do artista.

© Estela Silva/LUSA

Com mais de 30 eventos, este programa irá decorrer entre 2027, quando se completa o 180.º aniversário do escultor, e 2029.

“O Museu Nacional Soares dos Reis, sendo o portador do nome deste artista desde 1911, sentiu uma emergência grande de celebrar e de fazer renascer a figura de António Soares dos Reis”, declarou o diretor do MNSR, António Ponte, no âmbito do anúncio da programação das celebrações.

Esta programação arranca a 4 de fevereiro, no MNSR, com a inauguração da mostra “Exposições e diálogo Rui Sanches e Soares dos Reis”, que conta com a curadoria de Miguel von Hafe Pérez.

A exposição propõe uma aproximação entre obras de Soares dos Reis, do acervo do MNSR, e trabalhos de Rui Sanches, em escultura e desenho.

Além da seleção de obras, este projeto prevê também a possibilidade de criação de novas peças para estabelecer um diálogo entre a escultura oitocentista e o olhar contemporâneo.

Sobre o motivo de não esperar pelo bicentenário do nascimento de Soares dos Reis, para um programa maior, António Ponte explicou que se entendeu que não se devia esperar mais 20 anos.

“Era essencial [agora]. Estamos num momento crucial para reafirmar a importância deste artista, tendo em conta que não só a sua escultura foi fundamental no século XIX, como ela se mantém absolutamente contemporânea nos grandes temas que ela nos lança à discussão”.

Segundo António Ponte, seria “útil congregar um conjunto de instituições”, como a Universidade do Porto, autarquias do Porto e Gaia e a Associação dos Amigos do Museu, para “relançar a figura do ponto de vista artístico, do ponto de vista pessoal e dos espaços que Soares dos Reis também frequentou”.

“ASR – A Educação Sentimental de um artista” é outro dos destaques da programação.

A inauguração, cuja curadoria é de Penelope Curtis, ex-diretora do Museu Gulbenkian, está agendada para 14 de outubro de 2027, no MNSR, onde poderá ser vista até maio de 2028.

“Temos Penelope Curtis a fazer curadoria dessa grande exposição e optámos por uma curadora internacional por aquilo que nos permite também de contactos fora. É uma pessoa que tem muitos contactos no estrangeiro e que nos permitiu abrir um conjunto de portas que de outra forma seria provavelmente mais difícil”, explicou António Ponte.

O diretor do MNSR adiantou que o trabalho do escultor vai estar incluído numa exposição internacional.

“Estamos a organizar uma grande exposição que terá uma presença internacional relevante, porque queremos provar que Soares dos Reis conviveu com alguns dos maiores escultores do século XIX da Europa, como por exemplo [Auguste] Rodin”, disse.

António Ponte reiterou que “é urgente trazer este homem para a luz do dia, recapturar a sua imagem, dar-lhe esta dimensão nacional e internacional, fundamental até para o país, porque isto, de alguma forma, mostra que estivemos nos circuitos internacionais, ao mesmo tempo de muitos outros artistas, mas, por razões diversas, os nossos artistas foram perdendo sua influência, foram perdendo espaço”.

Com esta iniciativa, “Soares dos Reis – 180 anos do nascimento 1847-2027", António Ponte acredita que se vai honrar a dimensão artística regional, nacional e internacional do escultor português.

Ao longo de dois anos, estão preparadas pelo menos “três dezenas de iniciativas”, e algumas delas serão replicadas em geografias diferentes, segundo o diretor.

Outro dos destaques é o projeto “Entre a forma e o silêncio”, previsto para o segundo semestre de 2027, com curadoria de Pulo Caius.

Este projeto centra-se na “relação sensorial entre o visitante e a escultura, ou seja, através da articulação da forma, som, tempo e silêncio", com que se pretende "criar condições para uma observação mais atenta, menos imediata e mais participada da obra artística”, segundo a sua apresentação.

O vereador de Vila Nova de Gaia Simão Pedro anunciou, na conferência de imprensa, que o município quer avançar com obras de reabilitação e restauração da Casa-Ateliê de Soares dos Reis, a casa onde trabalhou e veio a morrer, para no futuro ser um espaço de trabalho para artistas emergentes.

Outra iniciativa que o município de Gaia anunciou é a exposição “Discípulos de Soares dos Reis”, a apresentar entre maio e setembro de 2027, na Casa-Museu Teixeira Lopes, em parceria com o MNSR.

Simão Pedro anunciou ainda a edição "comentada, em coletânea, de obra biográfica e publicações sobre o contexto de Soares dos Reis, bem como a integração de referências ao escultor nas escolas e na programação cultural da cidade".

O vereador da Cultura do Porto, Pedro Sobrado, por seu lado, disse que quer pôr uma réplica da escultura "Flor Agreste", de Soares dos Reis, nos Jardins do Palácio de Cristal, a partir de 27 de março de 2027.

“A instalação de uma reprodução em bronze de 'Flor Agreste', realizada a partir do levantamento tridimensional do mármore, pretende recuperar o lugar da sua apresentação pública, na exposição inaugurada a 27 de março de 1881".

No Porto, para o final de 2027, o MNSR estima inaugurar a exposição “Flor Agreste: Era uma vez, outra vez”, no Museu Aurélia e Sofia de Sousa – Casa Marta Ortigão Sampaio”.

Em 10 de junho de 2027, Dia de Camões, a Câmara do Porto vai apresentar o medalhão do poeta d'"Os Lusíadas", criado pelo escultor Soares dos Reis e que faz parte do espólio da Câmara do Porto, depositado no MNSR.

O Museu Nacional Soares dos Reis, no centro do Porto, foi fundado há 180 anos pelo então regente D. Pedro, no auge das guerras liberais. Foi o primeiro museu público de arte do país.

A sua coleção conta com mais de 18 mil peças, incluindo pintura, escultura, gravura, cerâmica e artes decorativas, destacando-se, no seu acervo, obras como "O Desterrado", de Soares dos Reis, e pintura, sobretudo dos séculos XIX e XX.


Fonte: LUSA | 19 de outubro de 2026 

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