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Graça Morais inaugura exposição com mais de 120 pinturas doadas a Bragança

As mais de 120 obras da pintora Graça Morais, relevantes no percurso da artista e doadas ao Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, vão estar numa só exposição, que será inaugurada na quinta-feira, 22 de outubro.

“Doar (…) revela realmente aquilo que eu penso que devemos fazer na vida, agradecer um bocado à vida e sermos generosos”, disse Graça Morais.

A exposição conta com 121 pinturas, feitas pela transmontana entre 1994 e 2025, e que são, vincou, “muito importantes” no seu percurso enquanto artista, refletindo a sua relação “com a vida, com a natureza, com as pessoas, com o mundo”, mas também expressam as suas “interrogações e reflexões” sobre as crises que assolam o país e o mundo.

A pintora destacou o “núcleo de 1996”, por ser “muito importante”, afirmando: “Tem dois retratos em tela, que estão logo ao fundo da terceira sala, (…) eu tenho uma história com essas pessoas, ela viram-me nascer e eu convivi sempre com elas”.

No entanto, sublinhou, na pintura o que importa “não é a história que o artista tem com as modelos”, mas “se a pintura é boa”, e reconhece que fica “contente” quando as pessoas se emocionam ao ver as suas obras de arte.

“A arte tem esse papel importante de tirar as pessoas do mundo, do dia-a-dia, que nem sempre é fácil, agora estamos todos a viver grandes preocupações (…) atravessamos climas de grandes tragédias, de grandes dificuldades, e a arte também revela muito isso e na minha obra, há uma série que eu chamo ‘Os Migrantes’, e que está exposta e está oferecida, que tem muito a ver com os problemas das pessoas que andam à procura de um lugar no mundo onde possam viver”, explicou.

Para a artista, o seu “grande poder” é a sua “obra”, que nunca foi feita para “decorar paredes”, mas para através dela comunicar às pessoas “um mundo que não se vê, mas se sente”.

“A minha pintura foi sempre difícil. Foi muito difícil de vender, mas eu tinha a grande liberdade de pintar aquilo que eu achava que devia pintar, encontrar o meu mundo, encontrar o meu caminho, porque dava aulas e tinha aquele ordenado, que nunca foi grande, mas dava para ser uma mulher independente”, afirmou.

Graça Morais lamentou que os jovens de hoje não tenham a mesma sorte e que apesar de serem formados tenham grandes dificuldades em encontrar trabalho, deixando ainda críticas à crise na habitação em Portugal, que é reflexo, na sua ótima, de que o mundo “está diferente”, que já “não é o dos governantes”, mas de “multimilionários que tomaram conta de tudo”.

Graça Morais é natural de Freixiel, uma aldeia do concelho de Vila Flor, mas foi em Bragança que estudou durante a sua adolescência e onde começou a ser chamada de “pintora”.

Em 2008, o município de Bragança inaugurou o Centro de Arte Contemporânea, ao qual deu o nome da artista. Desde essa data que Graça Morais doa obras ao centro.

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Fonte: LUSA | 21 de outubro de 2026 

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