"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Destaques

Escritora Elif Shafak recebeu Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2026 em Lisboa

Veja ou reveja aqui a cerimónia de atribuição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.

© Diana Tinoco

“A literatura tem um poder e uma capacidade de resistência muito subtis, mas também muito profundos. Dá-nos esperança e continua a unir-nos para além de todas as fronteiras de identidade, geografia e tempo”, afirmou Elif Shafak, escritora e contadora de histórias britânico-turca, após receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2026, numa cerimónia organizada pelo Centro Nacional de Cultura e realizada a 5 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Representantes das entidades parceiras e das instituições que apoiam o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva – nomeadamente a Presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado, a Secretária-Geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, e o representante da Fundação Calouste Gulbenkian no Júri do Prémio, Guilherme d’Oliveira Martins – bem como o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, dirigiram-se ao público. A cerimónia contou com a presença de cerca de 200 pessoas.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2026 presta homenagem à extraordinária capacidade de Elif Shafak para dar vida ao património cultural europeu através das suas narrativas cativantes, ao mesmo tempo que responde aos desafios do nosso tempo com um poderoso apelo à defesa da democracia, à promoção da solidariedade, à valorização do cosmopolitismo e à celebração da diversidade cultural. “Ao dar a sua voz a diferentes histórias, tradições e perspetivas, Elif Shafak convida os leitores a descobrir, compreender, valorizar e cuidar do património que partilhamos”, salientou o Júri do Prémio.

© Diana Tinoco

Elif Shafak iniciou o seu comovente discurso de agradecimento com uma questão fundamental: “Vivemos numa época de guerras, violência, divisões, desigualdades crescentes, muitas incertezas, uma crise climática cada vez mais acelerada e um sofrimento imenso. Dei por mim a perguntar: ‘Terá algum valor escrever um poema, um romance, num tempo de crise e caos como aquele que estamos a atravessar?’.

Ao longo do seu discurso, a escritora destacou o poder transformador da literatura, concluindo: “Sempre que me sinto desmoralizada, penso na ‘Epopeia de Gilgamesh’, uma das obras literárias mais antigas, senão a mais antiga. Antes de ter sido escrita em tábuas de argila, há 4000 anos, foi transmitida oralmente durante séculos. Desde que este poema começou a ser recitado e, mais tarde, foi passado à escrita, tantos impérios surgiram e desapareceram, tantos ‘homens fortes’ perderam a vida e até as mais altas estruturas arquitetónicas se reduziram a pó. Mas um poema, feito de sopro e palavras, sobreviveu às vicissitudes da história. E aqui estamos nós, milhares de anos depois, ainda a lê-lo e a aprender com ele. A literatura tem um poder e uma capacidade de resistência muito subtis, mas também muito profundos. Dá-nos esperança e continua a unir-nos para além de todas as fronteiras de identidade, geografia e tempo.”

Durante a sua intervenção, Elif Shafak destacou ainda a importância dos podcasts, do jornalismo, dos livros, dos festivais e dos espaços culturais enquanto espaços de reflexão e diálogo, num mundo marcado pelo excesso de informação. A escritora é também autora dos podcasts Say Your Word by Elif Shafak, onde explora temas como a linguagem, a identidade, o ecofeminismo, a inteligência artificial e o sentimento de pertença, e Story Lands with Elif Shafak, que reúne conversas, leituras e reflexões criativas.

No seu discurso de homenagem, Anabela Mota Ribeiro, jornalista, escritora e programadora cultural portuguesa, salientou: “Elif Shafak procurou um lugar que fosse seu e que situo como um lugar “entre”. Em transição, mesclado, imperfeito, fluido, belo e potente como a ponte que se construiu sobre o Bósforo e que permite atravessar dois continentes, ligar dois continentes.”  

Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou: “Esta tarde estamos numa casa de cultura e de partilha, diante de uma escritora.  É o lugar certo para escrever aquilo que não queremos que a água leve.  Que Lisboa seja sempre esse lugar. Um porto seguro para as histórias e para os nomes. Dos que já morreram. Dos que chegam. E dos que ainda vão nascer.” 

Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura e Presidente do Júri do Prémio, prestou homenagem a Helena Vaz da Silva, pelo seu trabalho na promoção da “cultura como motor de desenvolvimento, liberdade, cidadania e felicidade”.

Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, Secretária-Geral da Europa Nostra, que conduziu a cerimónia, destacou: “É nestes tempos que precisamos de defensores determinados da nossa humanidade comum, que deem continuidade ao legado de Helena Vaz da Silva. Elif Shafak é precisamente uma dessas defensoras.”

Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? felicitou também a Fundação Calouste Gulbenkian pelo seu 70.º aniversário e mencionou a participação da Fundação Gulbenkian no projeto European Heritage Hub (liderado pela Europa Nostra e cofinanciado pela União Europeia), bem como, em particular, o seu apoio à iniciativa In Varietate Concordia. “Lançada em 2025, a iniciativa In Varietate Concordia procura promover debates significativos sobre os principais desafios que a Europa enfrenta e mobilizar esforços em defesa dos valores fundamentais europeus. Hoje, tive a enorme alegria e o privilégio de gravar um novo episódio da nossa série de podcasts com Elif Shafak”, afirmou.

Guilherme d’Oliveira Martins, representante da Fundação Calouste Gulbenkian no Júri do Prémio, agradeceu a todos os vencedores do Prémio Helena Vaz da Silva – desde Elif Shafak à maestra ucraniana Oksana Lyniv (2022), ao cineasta alemão Wim Wenders (2017) e ao escritor italiano Claudio Magris (vencedor da primeira edição do Prémio, em 2013) – “por fazerem do património cultural uma realidade viva”.

A cerimónia terminou com a mensagem do Presidente da República, António José Seguro, que nomeou  algumas das personalidades já distinguidas com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva “que, por razões distintas, são referências num tempo em que todos precisamos de mestres, estudo, arte e sabedoria. Afirmou ainda:  “Acredito que Helena Vaz da Silva, outra das sonhadoras e criadoras da cultura europeia, ficaria muito feliz por partilhar connosco tanto a alegria como a melancolia dos livros de Elif Shafak. Creio que ficariam boas amigas”.

© Diana Tinoco

 

Veja ou reveja aqui a cerimónia de atribuição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.

[ORIGINAL]

[EN]

Agenda
Ver mais eventos

Passatempos

Passatempo

Ganhe convites para o espetáculo "This is not a protest"

Em parceria com o Auditório de Espinho, oferecemos convites duplos para o espetáculo de dança contemporânea que terá lugar no dia 6 de novembro (6ª feira), às 21h30.Findo o passatempo, anunciamos aqui os nomes dos vencedores!

Visitas
137,204,775