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Concertos

Cuca Roseta com a Orquestra Filarmónica Portuguesa em palco, no domingo no FIMUV 2021

Santa Maria da Feira recebe no próximo domingo no Europarque a fadista Cuca Roseta, acompanhada pela Orquestra Filarmónica Portuguesa.

24 Out   |  17h30

Europarque Santa Maria da Feira
Rua Interior do Europarque, 4520-153
Santa Maria da Feira

O espetáculo da 44.ª edição do FIMUV - Festival Internacional de Música de Paços de Brandão está marcado para as 17h30 e a cantora antecipa o concerto como uma experiência “memorável”. Diz que, “se o fado, já por si, tem uma riqueza tão grande, juntá-lo com orquestra ainda o torna maior, mais profundo, mas intenso”.

Logo após o espetáculo do próximo sábado com a brasileira Badi Assad, o FIMUV - Festival Internacional de Música de Paços de Brandão continua a manter o foco na Voz ao convidar para o concerto de domingo a fadista portuguesa Cuca Roseta. Numa parceria recente que ainda só teve apresentações em Viseu e na Guarda, a solista estará em palco no Grande Auditório do Europarque com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, para, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, dar a conhecer sobretudo os novos temas do álbum “Meu”, com arranjos sinfónicos por Marino de Freitas.

“Os concertos que tive com a Orquestra Filarmónica Portuguesa foram incríveis”, começa por referir Cuca Roseta. A fadista reconhece depois que a música erudita teve toda a influência na sua formação profissional e artística, e ainda faz parte do seu universo familiar. “Os meus pais e toda a minha família ouvem música clássica desde sempre”, revela. “Nasci e cresci a ouvir clássica, sobretudo com o meu pai, que ainda hoje tem nela a sua música de eleição. Tive a sorte de viver muito próxima da música clássica e da ópera, e talvez daí venha o meu gosto tão grande também por estes géneros musicais”.

Para Augusto Trindade, diretor artístico do FIMUV, essa proximidade às obras eruditas acaba por denunciar-se no estilo muito próprio de Cuca Roseta: “Nota-se na sua elegância peculiar, na delicadeza das suas interpretações, na presença subtil e discreta de uma certa grandiosidade que lhe acompanha a voz”. Como docente, violinista e inclusive como concertino da Orquestra Filarmónica Portuguesa (que fundou com Osvaldo Ferreira em 2016), esse músico já atuou diversas vezes com a fadista e garante que a fusão anunciada para a maior sala do centro de congressos Europarque “constituirá, de facto, um momento especial na cena artística nacional”.

Para esse significado contribuem de forma incontornável os músicos da Orquestra Filarmónica Portuguesa, que, apesar de formada há apenas cinco anos, representa já um dos coletivos mais maduros do panorama musical português. “O elevado padrão de exigência que a orquestra imprimiu ao seu trabalho logo desde a génese levou a que ela seja constituída por músicos de elevado nível técnico e artístico, entre os quais vários instrumentistas premiados em concursos nacionais e internacionais, ex-integrantes da Orquestra Jovem da União Europeia e músicos estrangeiros residentes em Portugal”, declara o maestro Osvaldo Ferreira. “Associando-se a este projeto diferenciador e inovador, estes artistas contribuíram para a afirmação de uma orquestra que rapidamente se tornou uma referência e um símbolo de qualidade”.

Boas consequências do confinamento

Os arranjos preparados para o concerto de domingo aplicam o mesmo grau de exigências às canções de Cuca Roseta, não só por em causa estar uma das mais aclamadas vozes da atualidade do fado, com sete discos editados e concertos em mais de 40 países, mas também porque o coletivo quer estar ao nível do particular simbolismo do último álbum da cantora. “Nunca parei de trabalhar, mesmo em plena pandemia”, declara a artista. “Juntei as minhas forças para criar, para me aperfeiçoar ainda mais. Tive a coragem de lançar dois discos no meio do confinamento e trabalhei para que o meu contributo junto do público e das pessoas que me escutam não sofresse nenhum interregno”.

Defendendo que “a cultura contribui para o bem-estar emocional e social” da população e que é tempo de essa componente da vida em sociedade ser “de uma vez por todas entendida como tal”, Cuca Roseta lamenta que muitos dos seus colegas de profissão não tenham tido a mesma oportunidade de evolução durante a pior fase da covid-19. “Eu sou uma pessoa de fé e sei que vamos continuar a lutar por aquilo que amamos, mas muitos artistas não tiveram essa força e a cultura perdeu muitos profissionais que não conseguiram sobreviver financeiramente a esta crise e tanto sabiam da área”, explica. “Espero mesmo que o futuro seja melhor para todos, mas, por outro lado, também sinto que, neste momento, as pessoas estão sedentas de concertos, de aplaudir, de se emocionar, de se rir”.

Cuca Roseta procurará inspirar essas emoções no próximo domingo à tarde, em mais um concerto do festival promovido pela associação CiRAC, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e com o apoio da Direção-Geral das Artes e do Município de Santa Maria da Feira. Com entrada a preços entre os 10 e os 15 euros, o espetáculo dará ao público a oportunidade de recordar alguns clássicos do fado que consolidaram o estatuto da cantora no universo musical português e permitirá também que os espectadores se familiarizarem com os novos temas de “Meu”, disco em que a artista assina a música e letra de todos os temas – e que assim constitui aquele que ela descreve como o álbum “mais verdadeiro e pessoal” da sua carreira. ?

Sobre o FIMUV:
Aquele que é um dos certames de música erudita com mais antiguidade e regularidade em Portugal foi lançado em 1977 e mantém-se desde então como o evento mais emblemático e internacional do CiRAC – Círculo de Recreio, Arte e Cultura de Paços de Brandão, vila do município de Santa Maria da Feira com longa tradição de indústria papeleira e corticeira. Inicialmente, o acrónimo FIMUV correspondia a “Festival Internacional de Música de Verão”, por ser essa a estação do ano em que o evento se realizava, mas, quando outro calendário se revelou mais ajustado à missão pedagógica e cultural do certame, impôs-se a designação de “Festival Internacional de Música de Paços de Brandão”, mantendo-se, contudo, o short name que já se tornara referência no meio artístico. Qualquer que seja a escolha dos protagonistas em palco, a missão do FIMUV é a mesma: divulgar junto da comunidade em geral os melhores intérpretes da atualidade, estimular a evolução técnica e artística de jovens músicos ainda em formação, criar redes de colaboração internacional para itinerância de profissionais e estudantes, e promover a fruição alargada e sustentável de conteúdos culturais de mérito confirmado e incontestável. Sempre com o apoio oficial da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, o evento vem ajudando a formar públicos não apenas nesse concelho, mas também em diferentes territórios da região Norte, com recurso a exibições premium em diferentes palcos e a repertórios que abrangem desde as mais clássicas composições orquestrais até ao jazz free style, passando pela world music, o gospel, a música coral, a erudita humorística e o fado.

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