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Exposições

Maria Antónia Leite Siza, 50 anos depois

"50 Anos Depois" é uma exposição dedicada à artista portuguesa Maria Antónia Marinho Leite Siza Vieira, celebrando o aniversário da sua vida e obra a partir de 100 peças, doadas pelo arquiteto Álvaro Siza em Abril de 2022, bem como de um conjunto de pinturas, gravuras, desenhos, cartas e bordados, com curadoria do arquiteto António Choupina.

8 Set a 8 Mar 2023

Museu Serralves
R. Dom João de Castro 210, 4150-417
Preço
Entrada livre

Nascida em 1940, Maria Antónia inscreve-se aos 17 anos no curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto. O diretor, Carlos Ramos, rapidamente a convida a participar na Exposição Magna da ESBAP, onde teve como mestre Júlio Resende e como colegas ou amigos: Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro, os Soutinho e os Cavaca, entre tantos outros.

A qualidade plástica da sua prolífica produção desenvolve-se em simultâneo com a cultura dos anos 60 em Portugal, alimentada também pelos romances de Eça de Queirós, pelo jazz de Dave Brubeck e pelos filmes de Visconti, Rosi ou Orson Welles, sobre os quais se correspondia assiduamente com Carlos Campos Morais.

Do casamento com Álvaro Siza, nascem Álvaro (1962) e Joana (1964), tendo os temas da cama materna, da multiplicação e transfiguração corpórea, dominado importantes segmentos do seu vasto léxico compositivo. De igual modo, a centralidade de personagens femininos e de acutilantes comentários sociais, imbuem as obras de múltiplas e misteriosas camadas — umas efabuladas, outras interpretadas em viagem por Marrocos (1967), Itália (1968) ou Inglaterra (1970).

Há uma clara recusa do zeitgeist do abstracionismo geométrico e um favorecer do figurativo de Giotto e Bellini, reinventado de forma extremamente pessoal e emotiva. A revelação dá-se na sua primeira e única exposição em vida, na Cooperativa Árvore (1970), com iterações e adaptações póstumas, no Porto (2002), em Madrid (2005), em Zagreb (2016), em Berlim (2019), et cetera.

Maria Antónia deixa-nos prematuramente aos 32 anos (1973), mas a Tótó — como era afetuosamente conhecida — continua viva em centenas de desenhos protorrevolucionários, cujo legado se encontra hoje assegurado: do inato talento e sentido de proporção, representado na coleção da Fundação Gulbenkian, à maturidade e variedade gráfica, figurada na coleção da Fundação de Serralves. Como diria Deanna Petherbridge, a exposição 50 Anos Depois é tão extraordinariamente oportuna como as suas obras são intemporais.
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