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Teatro

"Má Educação" reflete sobre a tensão entre professores e alunos, entre a escola que existe e a que desejamos

Espetáculo de Inês Barahona e Miguel Fragata, com coreografia de Victor Hugo Pontes, sobe ao palco do CCVF a 4 de março numa sessão especial para crianças e adolescentes e as suas famílias.

© Estelle Valente

4 Mar 2023  |  16h00

Centro Cultural Vila Flor
Avenida D. Afonso Henriques, 701, 4810-431 Guimarães
O espetáculo “Má Educação – Peça em 3 Rounds” convoca-nos para um encontro em torno do ringue que nos aguarda a 4 de março, às 16h, no Centro Cultural Vila Flor. Após um extenso trabalho de pesquisa no território (Guimarães, Porto, Lisboa) em que convocaram crianças (alunos do 4º e 5º anos) para com elas imaginar a escola ideal, e também adultos ligados à esfera da educação (pais, professores, auxiliares, decisores políticos) para depois lançar todo esse material no território dos artistas – que é o território do sonho, da possibilidade e da utopia –, a Formiga Atómica transforma o palco do CCVF num ringue de boxe para um confronto entre Teatro (pelas mãos de Miguel Fragata e Inês Barahona) e Dança (pelas mãos de Victor Hugo Pontes) mediado pela Música (de Hélder Gonçalves, dos Clã), que funcionará também como um espelho da Educação: a tensão entre professores e alunos, entre futuro e passado, entre a escola que existe e a que desejamos.

Em “Má Educação – Peça em 3 Rounds”, o palco transforma-se num ringue de boxe. Um piano de cauda acompanha os combates como um árbitro que vai dialogando com quem ali se enfrenta e também com a música que se ouve. Em cena, uma bailarina, uma atriz e uma criança, de três gerações diferentes, entram em jogo e em disputa: quem ensina o quê a quem? Quem prepara quem e para que futuro? Quem aceita retirar-se para dar lugar a outro que chega? Um espelho da Educação: a tensão entre professores e alunos, entre futuro e passado, entre a escola que existe e a que desejamos.  

Esta coprodução d’ A Oficina/Centro Cultural Vila Flor, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal Do Porto . Campo Alegre entra em ação a 4 de março (sábado) às 16h no Grande Audito?rio Francisca Abreu, no CCVF. Nos dois dias anteriores, este espetáculo integrado na programação de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina é também apresentado em três sessões dedicadas a escolas e instituições de Guimarães. 

Com encenação de Miguel Fragata e texto de Inês Barahona, “Má Educação – Peça em 3 Rounds” conta com coreografia de Victor Hugo Pontes e interpretação de Ana de Oliveira e Silva, Carla Galvão e Teresa Gentil, bem como a participação especial de Vitória Fragata e a interpretação em LGP de Valentina Carvalho e música de Hélder Gonçalves. Este espetáculo bilingue, em português e com interpretação para Língua Gestual Portuguesa, convoca em vários sentidos todo o público maior de 12 anos de idade, bem como os pais que são igualmente chamados para este ringue onde se debatem matérias tão atuais e prementes. 

Um debate que se estende noutro formato, a par da apresentação do espetáculo, com o encontro/conferência “O meu Ministério da Educação” que terá lugar a 3 de março (10h30) no Pequeno Auditório do CCVF, com entrada gratuita, para pensar em conjunto uma ideia utópica de educação. Um encontro igualmente promovido pela Formiga Atómica, feito com o contributo de várias vozes, dos mais jovens aos mais experimentados, crianças e adultos especialistas em educação, com a liberdade dos sonhadores. Uma oportunidade para ultrapassar o capital de queixa sobre o que existe, para se poder inventar o que gostávamos que existisse. 

Os bilhetes para assistir ao espetáculo têm um custo de 2 euros, podendo ser adquiridos online em oficina.bol.pt e presencialmente nas bilheteiras dos equipamentos culturais geridos pel’A Oficina como o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória de Guimarães (CDMG) ou a Loja Oficina (LO), bem como nas lojas Fnac, Worten e El Corte Inglés.  

 

A Formiga Atómica é uma companhia de teatro, fundada e dirigida por Miguel Fragata e Inês Barahona. As suas criações inscrevem-se em questões contemporâneas e destinam-se a todo o público. Os espetáculos da Formiga Atómica são habitualmente antecedidos por períodos de pesquisa motivados pela questão e/ou públicos que abordam. Entre as suas criações destacam-se “A Caminhada dos Elefantes” (2013), “The Wall” (2015), “A Visita Escocesa” (2016), “Do Bosque para o Mundo” (2016), “Montanha-Russa” (2018), “Fake” (2020) e “O Estado do Mundo (Quando Acordas)” (2021). 

O cocriador deste espetáculo (“Má Educação – Peça em 3 Rounds”), Miguel Fragata, é licenciado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema, tendo completado o Bacharelato em Teatro na Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo. Trabalhou como intérprete em diversas criações de reconhecidos encenadores e dramaturgos e fundou em 2014 a Formiga Atómica,  que dirige desde então, tendo concebido, encenado e coproduzido  um largo conjunto de espetáculos que têm sido apresentados em teatros e festivais por todo o território nacional, e ainda no estrangeiro em países como Espanha, França, Suíça, Bélgica, Alemanha e Brasil. É também autor, a par com Inês Barahona, do livro “Ciclone - Diário de uma Montanha Russa”, editado pela Orfeu Negro e vencedor do Prémio Autores SPA (2020). 

A referida Ine?s Barahona é licenciada em Filosofia e Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Faculdade de Letras (Universidade de Lisboa).  
Ingressou no Centro de Pedagogia e Animação, do Centro Cultural de Belém, em 2005, sob a direção de Madalena Victorino, onde desenvolveu projetos de relação entre as artes e a educação para público escolar, familiar e especializado. Trabalhou com nomes como Madalena Victorino, Rita Batista, Giacomo Scalisi, em projetos de criação editorial, percorrendo também territórios expositivos e vertentes de Produção e Relação com a Comunidade, com a escrita como ponta-de-lança, tendo-se igualmente responsabilizado pelos textos de vários espetáculos cocriados com Miguel Fragata, juntamente com quem fundou a companhia Formiga Atómica.  

Victor Hugo Pontes, natural de Guimarães, é licenciado em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e junta ainda na sua formação experiências como os cursos profissionais de Teatro do Balleteatro na Escola Profissional e do Teatro Universitário do Porto, bem como o curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Fórum Dança, o curso de Encenação de Teatro na Fundação Calouste Gulbenkian (2004), o curso do Projet Thierry Salmon – La Nouvelle École des Maîtres (2006), dirigido por Pippo Delbono, na Bélgica e em Itália. Foi, durante vários anos, assistente de encenação de Nuno Cardoso e  criou mais de 20 espetáculos como coreógrafo e encenador, alcançando várias distinções.

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