Música
Concertos pela Orquestra Sinfónica Portuguesa
A Orquestra Sinfónica Portuguesa no CCB a 21, 22 e 30 de outubro: concerto ilustrado para famílias e concerto sinfónico com obras de Pinho Vargas, Mendelssohn e Brahms.
21 Out a 30 Out 2016
Reflexo da sua capacidade de interpretação de diferentes repertórios e de interação com públicos distintos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa apresenta-se brevemente em 3 concertos, sob direção de Jean-Marc Burfain (dias 21 e 22) e de Pedro Neves (30).
Concerto ilustrado "A Areia nunca cai no mesmo sítio"
Este concerto é um verdadeiro convite à imaginação e inspiração humanas. Debussy, inspirando-se no poema de Mallarmé, retrata um fauno. Nas suas danças sagrada e profana para harpa, um dos mais antigos instrumentos do mundo, o nosso espírito emociona-se e, com Milhaud, somos levados para outra dimensão da dança, o tango.
Na interação com o artista plástico JAS, a música passa a ser uma espécie de partitura do desenho em areia realizado ao vivo. Aqui, o maestro rege tanto a orquestra como o desenho, podendo a performance visual dirigir todo o público… Carmen Cardeal (harpa) é a solista de um concerto dirigido por Jean-Marc Burfain e para maiores de 4 anos.
O concerto ilustrado "A Areia nunca cai no mesmo sítio", que se realiza a 21 e 22 de outubro, às 17h, está integrado na 7.ª edição portuguesa do Festival Big Bang, que volta a abrir portas a uma viagem aliciante, de descoberta partilhada, para crianças entre os 4 e os 12 anos e para os adultos que as acompanham.
O Big Bang é um projeto internacional, que iniciou a sua atividade em 2010, e tem aberto um espaço para que artistas portugueses possam criar novas abordagens artísticas à música para crianças e ver o seu trabalho reconhecido dentro do país e pela Europa fora. Este festival parte de uma iniciativa da Zonzo Compagnie e visa a criação de uma plataforma de encontro de compositores, músicos, performers e dos seus projetos de criação, tanto portugueses como europeus, de forma a estimular quem participa e a contribuir para o desenvolvimento da produção e da apresentação de música não comercial para crianças
Concerto sinfónico "Mosaico"
Com a interpretação de Ouvertures and Closures, de Pinho Vargas, obra estreada em 2012 aquando das celebrações de Guimarães Capital Europeia da Cultura, este concerto prossegue a relação da orquestra com o compositor.
O compositor refere, a propósito, ter-se debatido com o conceito e a carga histórica associados a uma peça orquestral de abertura de um concerto, acrescentando que, pelo facto de a sua Abertura não abrir para nada (uma ópera, por exemplo), decidiu que ela concluiria tanto quanto abriria – daí o título da obra – fazendo da mesma, por essa via, uma Abertura de concerto (como a ‘Trágica’ de Brahms) ou um pequeno poema sinfónico (mas sem inspiração extra-musical).
O Concerto para violino, op. 64 em Mi menor, de Mendelssohn, escrito em 1822, é uma das suas mais importantes obras orquestrais. A sua gestação foi longa (entre 1838 e 1844) e contou com os conselhos e sugestões de Ferdinand David (1810-1873), a quem a obra foi de resto dedicada e por quem foi estreada, a 13 de março de 1845, no Gewandhaus de Leipzig, com a respectiva orquestra a ser dirigida pelo dinamarquês Niels Gade.
A eloquente Sinfonia nº 2 op. 73 em Ré menor escrita em 1877 por Brahms é, segundo palavras suas, uma obra onde “as melodias fluem tão livremente que devemos ter cuidado para não tropeçar nelas”.
A obra foi desde cedo apelidada (oficiosamente) de “Sinfonia Pastoral” e o epíteto, sendo redutor, não é descabido, pois o espírito da obra foi fortemente marcado pelas vívidas e favoráveis impressões – digamos mesmo: encantamento – da Natureza circundante que Brahms recebeu durante a sua permanência em Pörtschach, local onde voltaria nos dois verões seguintes.
A recepção da obra foi extremamente positiva na estreia vienense, tal como o seria nas cidades onde foi sendo apresentada logo a seguir. Essa popularidade permanece até hoje intocada
BIOGRAFIAS
Jean-Marc Burfain
Direção Musical
Entra em 1983 para o Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde obtém, em junho de 1987 e por unanimidade do júri, o 1.º prémio de Direção de Orquestra na classe de Jean-Sébastien Béreau depois de ter feito os seus estudos nos Conservatórios de Nancy, Metz, Strasbourg e Reims.
Durante as master classes que frequenta, é encorajado pelos seus mestres Franco Ferrara, Charles Bruck, Pierre Boulez e Vitaly Kataev. Diplomado pela Academia de verão do Mozarteum, em Salzbourg, é convidado para dirigir a Orquestra do M.I.T. de Boston em 1984, ao lado de Lorin Maazel.
Na sequência de um seminário internacional em Fontainebleau, é notado por Leonard Bernstein e em julho de 1987 convidado para dirigir a Orquestra de Paris.
Em 1990/1991 recebe uma bolsa franco-soviética para aperfeiçoamento dos seus conhecimentos do repertório russo com Alexandre Dmitriev, no Conservatório Rimski-Korsakov de São Petersburgo.
Jean-Marc Burfin dirigiu várias orquestras, tanto em França como no estrangeiro (Colonne, Lamoureux, Pays dela Loire, Poitou-Charentes, Picardie, Potsdam Phillarmonie, Würtembergische Phillarmonie, Sinfónica de Oviedo, entre outras). Foi Diretor Artístico da Orquestra Metropolitana de Lisboa durante a temporada de 2003 / 2004.
Atualmente é professor na Academia Nacional Superior de Orquestra e Diretor Artístico e Maestro Titular da Orquestra Académica Metropolitana.
Pedro Neves
Direção Musical
Pedro Neves é maestro titular da Orquestra Clássica de Espinho, assumindo recentemente o cargo de maestro convidado da Orquestra Gulbenkian. Foi maestro titular da Orquestra do Algarve entre 2011 e 2013, e é convidado regularmente para dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Clássica do Sul, a Orquestra Clássica da Madeira, a Joensuu City Orchestra (Finlândia) e a Orquestra Sinfónica de Porto Alegre (Brasil). Em 2012 colaborou pela primeira vez com a Companhia Nacional de Bailado.
Iniciou os seus estudos musicais com Isabel Boiça, Paulo Gaio Lima e Marçal Cervera, no Conservatório de Música de Aveiro, Academia Nacional Superior de Orquestra em Lisboa e Escuela de Música Juan Pedro Carrero em Barcelona, com o apoio da Fundação Gulbenkian. No que diz respeito à direção de orquestra estudou com Jean-Marc Burfin, obtendo o grau de licenciatura na Academia Nacional Superior de Orquestra, com Emilio Pomàrico em Milão e com Michael Zilm, do qual foi assistente.
Fichas Artísticas
I - ESTÚDIOS VICTOR CÓRDON - Centro Educativo, Criativo e Comunitário
CENTRO CULTURAL DE BELÉM | Grande Auditório
21 e 22 de outubro de 2016, às 17h00
Concerto ilustrado "A Areia nunca cai no mesmo sítio" integrado no Festival Big Bang
Harpa | Carmen Cardeal
Desenho em tempo real | João Alexandrino aka JAS
Movimento | Marta Lapa
Direção Musical | Jean-Marc Burfain
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Claude Debussy, Prélude L’Aprés-midi d’un Faune
Claude Debussy, Danse sacrée et profane
Darius Milhaud, Boeuf sur le toit
M/4
II - TEMPORADA SINFÓNICA
CENTRO CULTURAL DE BELÉM | Grande Auditório
30 de outubro de 2016, às 17h00
Concerto "Mosaico"
Violino | Stefan Jackiw
Direção Musical | Pedro Neves
Orquestra Sinfónica Portuguesa
António Pinho Vargas, Overtures and Closures
Felix Mendelssohn, Concerto para Violino
Johannes Brahms, Sinfonia n.º 2 em Ré maior
M/6
N.B. A Maestrina Joana Carneiro estava inicialmente anunciada como diretora musical de ambos os concertos, mas por motivos pessoais não poderá dirigi-los.

