Dança
Estreia nacional de NÔT de Marlene Monteiro Freitas, na Culturgest
No começo da temporada, a coreógrafa Marlene Monteiro Freitas apresenta a estreia nacional de NÔT na Culturgest, em Lisboa.
11 Set a 14 Set 2025
11 e 12 às 21h00 | 13 às 19h00 e 14 às 17h00
Espetáculo de abertura do Festival d’Avignon, NÔT parte da obra As Mil e Uma Noites. Marlene Monteiro Freitas vê um ato de sobrevivência nos eternamente inacabados os contos de Xerazade. Ao traduzir este fluxo de palavras em movimento, a coreógrafa acrescenta mais uma noite ao infinito.
Jorge Luis Borges dizia que As Mil e Uma Noites representam “acrescentar uma noite ao infinito”. Gosto dessa imagem. Tal como os contos, NÔT é um encadeamento de gestos e imagens imprevisíveis. Nunca sabemos o que virá a seguir.
- Marlene Monteiro Freitas
NÔT é a mais recente criação da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, uma das vozes mais singulares e incontornáveis da dança contemporânea. O espectáculo, uma produção P.OR.K em coprodução com a Culturgest e com instituições de referência como o Festival de Avignon que foi o espectáculo de abertura desta edição, o Berliner Festspiele e o International Summer Festival Kampnagel, entre outros, mergulha no universo fascinante de As Mil e Uma Noites para explorar os limites entre sobrevivência, desejo, memória e imaginação.
Inspirando-se no célebre ciclo de contos árabes, Marlene Monteiro Freitas parte da figura de Xerazade, que, noite após noite, conta histórias para adiar a própria execução, e transforma este gesto ancestral num exercício coreográfico de resistência e criação. Em As Mil e Uma Noites, obra-prima da literatura árabe, Marlene Monteiro Freitas vê um ato de sobrevivência. Enraizados na tradição oral, estes contos conservam a energia das histórias que circulam sem cessar e que estão em constante reinvenção.
Estes contos transportam a energia da tradição oral, reinventando-se a cada transmissão, explica a coreógrafa. Quis traduzir em movimento esse fluxo incessante de narrativas, onde o real e o imaginário se cruzam, e onde vice e virtude, grandeza e pequenez, desejo e sombra se confrontam.
Com uma cenografia que evoca um espaço liminar, entre sonho e vigília, o espectáculo convida o público a viver uma noite que parece não ter fim. No palco, sete intérpretes, Marie Albert, Joãozinho da Costa, Miguel Filipe, Ben Green, Henri “Cookie” Lesguillier, Tomás Moital, Rui Paixão e Mariana Tembe, dão corpo a um labirinto de gestos, imagens e tensões, conduzindo-nos por um território onde o tempo se suspende e a narrativa se reinventa.
NÔT é um convite para atravessar a noite, mergulhar na ambiguidade e confrontar as forças opostas que habitam. O palco torna-se num espaço onde o vício e a virtude, o grande e o pequeno, o desejo e a sua sombra colidem. Um experiência coreográfica intensa, de resistência e de provocação.
No âmbito da peça, no sábado, dia 13 de setembro pelas 20:45 haverá a conversa Danças com Vida Própria com a presença da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, de Alexandra Balona, curadora, investigadora e educadora, e de Gabriele Brandstetter, professora de Estudos da Dança e do Teatro, na Universidade Livre de Berlim.
Por ocasião da apresentação de NÔT, é lançada uma publicação em torno da obra da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, com autoria de Alexandra Balona, sob a chancela da Dafne Editora. Fundamentado numa série de diálogos com a artista e numa investigação teórica e artística, o livro debruça-se sobre cinco das suas coreografias mais icónicas — Guintche (2010); Paraíso – coleção privada (2012); Jaguar (2015); Bacantes – prelúdio para uma purga (2017) e Mal – embriaguez divina (2020) — iluminando as referências mais proeminentes e as estratégias coreográficas que sublinham a complexidade vertiginosa e inquietante da obra coreográfica de Marlene Monteiro Freitas.
A conversa é de entrada gratuita.
Os bilhetes para o espectáculo NÔT custam 20€ (ver descontos) e estão à venda na Culturgest e na rede Ticketline.
Sobre Marlene Monteiro Freitas
(Cabo Verde, 1979) estudou dança na P.A.R.T.S, em Bruxelas, na ESD – Escola Superior de Dança e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Trabalhou com coreógrafos como Loic Touzé, Emmanuelle Huynh, Tânia Carvalho e Boris Charmatz. Entre outras, as suas criações incluem: Canine Jaunâtre 3 (2024), LULU (2023), RI TE (2022), ÔSS (2022), a performance Idiota e exposição X AND (2022), Pierrot Lunaire (2021), Mal – Embriaguez Divina (2020), a instalação Cattivo (2019), Canine Jaunâtre 3 (2018), Bacantes – Prelúdio para uma Purga (2017), Jaguar (2015), De Marfim e Carne Estátuas Também Sofrem (2014), Paraíso-Colecção Privada (2012), (M)imosa (2011), Guintche (2010), A Seriedade do Animal (2009), Uns e Outros (2008), A Improbabilidade da Certeza (2006), Larvar (2006), Primeira Impressão (2005). NÔT é sua mais recente criação para o Festival de Avignon. O denominador comum destas obras é a abertura, o hibridismo, a impureza e a intensidade. Em 2015, em Lisboa, cofundou P.OR.K, a estrutura que, desde então, tem produzido o seu trabalho. Em 2017, Jaguar recebeu o Prémio SPA de Coreografia e o Governo de Cabo Verde distinguiu as suas realizações culturais. Em 2018, foi premiada com um Leão de Prata pela Bienal de Veneza. Em 2020, Bacchae recebeu o Prémio de Melhor Performance Internacional da Les Prémis de la Critica d'Arts Escèniques de Barcelona, e, em 2022, recebeu o Prémio Chanel Next e o Prémio Evens de Artes. Desde 2020, é co-curadora do projeto (un)common ground, sobre a inscrição artística e cultural do conflito israelo-palestiniano.
Coreografia: Marlene Monteiro Freitas
Assistência de coreografia: Francisco Rolo
Com: Ben Green, Henri “Cookie” Lesguillier, Joãozinho da Costa, Mariana Tembe, Marie Albert, Miguel Filipe, Rui Paixão, Tomás Moital
Cenografia: Yannick Fouassier, MMF
Iluminação e direção técnica: Yannick Fouassier
Figurinos: MMF, Marisa Escaleira
Direção de cena: Ana Luísa Novais
Produção: P.OR.K
Coprodução: Festival d’Avignon, Berliner Festspiele, International Summer Festival Kampnagel, Culturgest, MC2 Maison de la Culture de Grenoble Scène nationale, Le Quartz Scène nationale, La Comédie de Clermont-Ferrand Scène nationale, Maison de la danse Lyon Pôle européen de création, Parc de la Villette, Teatro Municipal do Porto, Kunstenfestivaldesarts, PACT Zollverein, Comédie de Genève, La Bâtie de Genève
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