Cinema e Vídeo
Viagem ao Fim do Mudo: Celebração de um Mundo Perdido
Ciclo de cinema mudo a partir de setembro na Cinemateca

1 Set a 19 Set 2025
A partir de setembro, a Cinemateca promove um acontecimento cinematográfico e musical que marca o regresso da programação depois da acalmia de agosto. Uma viagem ao fim do mudo que cadenciará a programação até 2027, cem anos após a data histórica em que no set de rodagem se passou a entoar, antes do proverbial “Ação!”, uma nova palavra de ordem: “Silêncio!”
Em outubro de 2027 passará um século sobre a conclusão de um dos mais empolgantes capítulos da História do Cinema: com a estreia de JAZZ SINGER, de Alan Crosland, deu-se início à revolução do sonoro. Foi um momento traumático para toda uma geração de cineastas, atores e, mesmo, espectadores, criados e formados no cinema como “arte do silêncio”. Está hoje perdido na nuvem do tempo e nos documentos da imprensa da época, mas o debate foi intenso, e nalguns casos o desgosto também.
O fim do mudo representou uma espécie de fim do mundo tanto para espectadores como para criadores. Iniciamos em setembro esta viagem ao fim do mudo, que só terminará no final de 2027, para celebrarmos alguns dos títulos mais marcantes desse período liminar. O cinema mudo ganha, com esta celebração, um lugar (mais) permanente na programação anual da Cinemateca com cada sessão do programa a ganhar a dimensão de um grande evento cinematográfico e também musical. Clássicos mais ou menos populares e filmes recuperados do esquecimento de um período, que irá sensivelmente de 1921 a 1930, serão mostrados, alguns em cópias restauradas, e acompanhados pelos nossos pianistas residentes: Filipe Raposo, João Paulo Esteves da Silva e Daniel Schvetz.
O regresso da programação após o mês reduzido de agosto é marcado pela exibição de THE WIND, com Filipe Raposo ao piano. Esta sessão inaugural, com o filme americano do mestre sueco Victor Sjöström, “uma das obras mais telúricas da História do Cinema” (Manuel Cintra Ferreira), será oferecida aos espectadores da Cinemateca, mediante o levantamento de ingresso uma hora antes do início da sessão (máximo 2 bilhetes por espectador).
A programação de cinema mudo continua em setembro com o monumental BRONENOSETS POTYOMKIN (O Couraçado Potemkine), de Serguei Eisenstein, musicado ao vivo por João Esteves da Silva, e o primeiro mês desta temporada encerra com o comovente DER LETZTE MANN (O Último dos Homens), de F. W. Murnau, com Daniel Schvetz no acompanhamento musical.
Ficam prometidas para o que resta do ano obras intemporais de grandes nomes da História do Cinema, tais como Charles Chaplin, Erich von Stroheim, Ernst Lubitsch e Alfred Hitchcock.
PROGRAMAÇÃO - SET 2025
01 SET, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
The Wind (O Vento), de Victor Sjöström
com Lilian Gish, Lars Hanson
Estados Unidos, 1928 - 95 min
mudo | M/12
com acompanhamento ao piano por Filipe Raposo
sessão com apresentação
12 SET, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Bronenosets Potiomkine (O Couraçado Potemkine), de Sergei M. Eisenstein
com Aleksander Antonov, Grigori Alexandrov, Vladimir Barsky
URSS, 1925 - 71 min
mudo, com intertítulos em russo, traduzidos em português | M/12
com acompanhamento ao piano por João Paulo Esteves da Silva
19 SET, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Der Letzte Mann (O Último dos Homens), de Friedrich Wilhelm Murnau
com Emil Jannings, Maly Delschaft, Emilie Kurtz, Max Hiller, Georg John
Alemanha, 1924 - 100 min
mudo, sem intertítulos | M/12
com acompanhamento ao piano por Daniel Schvetz
FILIPE RAPOSO iniciou os seus estudos pianísticos no Conservatório Nacional de Lisboa. Tem o mestrado em Piano Jazz Performance pelo Kungl. Musikhögskolan i Stockholm (Royal College of Music) e foi bolseiro da Royal Music Academy of Stockholm. É licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa. Como pianista, compositor e orquestrador tem colaborado com inúmeras orquestras internacionais, apresentando-se em importantes salas como Sala de São Paulo, Bozar, Ópera de Rouen, Fundação Gulbenkian, CCB. Em 2025, foi premiado no Festival de Cinema de Málaga pela composição original do filme LO QUE QUEDA DE TI de Gala Gracia. Desde 2004 que colabora com a Cinemateca Portuguesa como pianista residente no acompanhamento de filmes mudos.
JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA é um compositor-pianista associado ao jazz e à música criativa improvisada, desempenhou também um papel de relevo na música popular portuguesa e foi concertista numa fase inicial da sua carreira. A sua discografia em nome próprio denota cerca de três fases distintas do seu percurso criativo: uma primeira, em que se destacou como um dos pioneiros e principais compositores do chamado jazz português; uma segunda, em que se aproxima do jazz de vanguarda; e uma terceira, em curso, de orientação mais europeia. Ao longo dos anos, a escrita de canções tem também ocupado uma parte significativa da sua produção. Tem, além disso, explorado ligações da música com outras artes, como o cinema, a fotografia ou o teatro, sendo ainda tradutor e poeta, com vários livros publicados.
DANIEL SCHVETZ é um compositor e pianista luso-argentino, professor de Composição e Análise Musical no Conservatório Nacional e na Metropolitana, colaborador do CESEM da NOVA FCSH. Divulgador, arranjador e intérprete do repertório latino-americano tanguero; conferencista e analista do repertório musical erudito dos séculos XX e XXI, com ensaios críticos sobre a obra de Bartók, Ligeti e Bill Evans. Compôs três óperas, concertos para instrumentos solistas e orquestra, obras corais e de câmara, ciclos de canções baseadas em poetas como Lorca, Pessoa, Borges, Vallejo, Camões e Natália Correia. Colaborou com a Orquestra Sinfônica Portuguesa, a OML, o Coro Lisboa Cantat, Camané, Ricardo Ribeiro, Mísia, João Barradas, Sérgio Carolino e o Remix Ensemble. É pianista residente na Cinemateca Portuguesa desde 1999.