Música
37.ª Temporada Música em São Roque estreia com obras inéditas e integra pela primeira vez uma instalação sonora interativa
A Temporada Música em São Roque, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, está de regresso.
13 Nov a 16 Nov 2025
De 13 a 16 de novembro, a Igreja de São Roque e a Igreja de São Pedro de Alcântara voltam a ser palco de concertos únicos, numa edição que contará também com uma instalação sonora na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo, que promete oferecer uma experiência imersiva e sensorial.
O concerto inaugural da 37.ª edição da Temporada Música em São Roque destaca-se pela estreia absoluta de duas obras inéditas, por encomenda da Santa Casa aos compositores Sara Ross e Carlos Caires.
Carlos Caires, professor na Escola Superior de Música de Lisboa, tem uma carreira marcada pela experimentação sonora e pela incorporação de tecnologias digitais na composição. A sua obra, apresentada em festivais internacionais e distinguida com diversos prémios, reflete uma constante procura de novas linguagens, em diálogo com a tradição musical europeia. Já Sara Ross, compositora e investigadora portuguesa, desenvolve um trabalho inovador em torno da relação entre voz, corpo e espaço. A sua produção abrange ópera, música coral e repertório instrumental, com especial atenção às dimensões performativas e interdisciplinares da criação artística. As suas obras são apresentadas regularmente em Portugal e no estrangeiro, afirmando-a como uma das vozes mais singulares da música portuguesa contemporânea.
A programação da Temporada integra também um conjunto de propostas que cruzam a recuperação de património musical com a leitura contemporânea das fontes históricas. É o caso do Ensemble SEO (Sintra Estúdio de Ópera), que interpreta repertórios sacros portugueses preservados em arquivos nacionais, apresentados agora em estreia moderna. Já o Concerto Atlântico recria ambientes sonoros das cortes ibéricas do tempo de D. Leonor, revelando o esplendor artístico e cultural da época, enquanto que o Musurgia Ensemble apresenta obras portuguesas e franco-flamengas do século XVI, conservadas na Universidade de Coimbra, testemunhos que documentam a inserção de Portugal nas redes europeias de circulação de saberes e práticas musicais. O grupo Arte Minima evoca Lisboa quinhentista através de itinerários musicais que dão a ouvir a capital no período da fundação da Misericórdia, marcada pelo encontro entre tradição local e influências internacionais.
O encerramento da Temporada está a cargo do agrupamento Cupertinos, da Fundação Cupertino de Miranda, com um programa centrado na devoção mariana na polifonia portuguesa e ibérica dos séculos XVI e XVII, numa escolha que reafirma a espiritualidade que inspirou D. Leonor e estabelece uma ponte entre memória, fé e criação artística.
Uma experiência imersiva inspirada na Ásia
Paralelamente aos concertos, estará patente na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo, da Santa Casa, a instalação sonora interativa “Lugares Invisíveis: Ásia”. Trata-se de uma instalação multicanal, composta por 16 canais dispostos em forma de cúpula, que propõe uma experiência imersiva e sensorial, onde o público interage com sons da natureza e instrumentos tradicionais asiáticos, através de gestos e movimentos das mãos.
A obra convida o público a explorar dois mundos sonoros — floresta e cidade — manipulando sons e instrumentos “no ar” através de sensores de movimento, criando uma experiência personalizada e envolvente.
A instalação é da autoria de Carlos Caires, um dos mais relevantes compositores portugueses contemporâneos, com uma carreira marcada pela exploração da música eletroacústica e pela integração de tecnologia nos processos criativos, e que tem desenvolvido software especializado como o IRIN, dedicado à micromontagem sonora, sendo pioneiro na criação de instalações interativas que cruzam arte, ciência e tecnologia.
A 37.ª Temporada Música em São Roque assume especial importância por acontecer no ano que se evocam os 500 anos da morte da Rainha D. Leonor (1458–1525), fundadora da Misericórdia de Lisboa em 1498. A sua visão perdura como matriz identitária da Santa Casa e inspira a edição deste ano, dedicada à memória da Perfeitíssima, que deixou uma marca profunda na vida social e artística do país.


