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Cistermúsica – 34.º Festival de Música de Alcobaça

O Mosteiro de Alcobaça, Património Mundial UNESCO volta a ser o palco principal do maior festival de música erudita do país, que em 2026 se realiza de 26 de junho a 31 de julho, sob o tema “Ressurreição”, com cerca de cinco dezenas de espetáculos.

26 Jun a 31 Jul 2026

Alcobaça

A ideia de Ressurreição é o fio condutor desta edição, encontrando expressão particularmente evidente nos concertos de abertura e de encerramento do Festival. O primeiro estará a cargo do Ludovice Ensemble, um dos mais ativos e prestigiados agrupamentos nacionais de música antiga, dirigido por Miguel Jalôto. Na Nave Central ecoará a monumental Missa em si menor, BWV 232, de Johann Sebastian Bach, obra-prima do mestre alemão que readaptou coros e árias de várias cantatas para musicar uma missa, numa síntese de extraordinária densidade espiritual e arquitetónica.

Ao longo da programação, este e outros concertos convocam, em diferentes planos, a ideia de transformação e renovação: da dimensão religiosa, evidente no programa Dominica in Ramis Palmarum do ensemble espanhol Cantoría; à leitura metafórica da superação evocada em O Pássaro de Fogo, de Stravinski pela Orquestra Filarmónica Portuguesa; passando por uma perspetiva filosófica em que a permanência da obra, da memória e do pensamento transcende a finitude.

No encerramento, o palco da Cerca do Mosteiro acolhe a Alto Minho Youth Orchestra, sob direção musical do promissor maestro Miguel Sepúlveda. Em palco estarão mais de 200 músicos, entre coro e orquestra, para a interpretação da grandiosa Sinfonia n.º 2 em dó menor, de Gustav Mahler, obra em que a própria ideia de ressurreição adquire dimensão sinfónica, dramática e profundamente humana.

A edição de 2026 evidencia um particular destaque à obra de Gustav Mahler, compositor cuja linguagem expressiva e dimensão monumental marcam vários momentos relevantes da programação. Além da Sinfonia n.º 2, teremos também a Sinfonia n.º 6, pelo Ensemble Darcos, depois da Sinfonia n.º5 executada pela Orquestra das Beiras e Orquestra Sinfónica do DeCA no concerto de apresentação do festival em Alcobaça.

O Festival reafirma ainda o seu compromisso com a Música no Feminino, dando visibilidade a compositoras e intérpretes de excelência. Disso são exemplo a pianista Marie-Ange Nguci que interpretará o Concerto para piano de Grieg com a Orquestra XXI ou os ensembles Quarteto Sfera e Eterno Feminino — integralmente compostos por mulheres — e que interpretarão obras de Germaine Tailleferre, Cécile Chaminade e Lily Boulanger, entre outras.

Celebrando o património imaterial da música erudita nacional — no cumprimento da missão do Cistermúsica —, escutaremos este ano o Quarteto de Cordas de Luís de Freitas Branco e obras de Fernando Lopes-Graça, Duarte Lobo, entre outros, dando palco à música portuguesa antiga, mas também à contemporânea, estimulando a sua criação. A promoção de talentos emergentes é outro dos compromissos, acolhendo jovens músicos que se têm destacado no panorama nacional e internacional, como é o caso do Maat Saxophone Quartet que se junta à Banda Sinfónica de Alcobaça num programa inteiramente dedicado a obras para quarteto de saxofones e banda sinfónica.

Para além da Programação Principal, no festival apresentam-se Outros Mundos: uma linha programática que, sem nunca se desligar das raízes clássicas, se abre à liberdade criativa e ao cruzamento de géneros, geografias e formas de expressão. Entre paisagens sonoras emocionantes, esta programação convida a escutar o inesperado e a descobrir novos horizontes na música, expandindo o território do Cistermúsica para além do cânone — sem nunca o perder de vista — e afirmando o festival como espaço de encontro entre públicos diversos e expressões artísticas múltiplas.

Está assim lançado o convite para uma escuta plural, aberta e transformadora ao longo de todo o Festival que se volta a afirmar como “Um clássico para todos”.

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