"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Exposições

"Fernando Tordo – Por Não Saber Fazer Melhor, Não Me Atrevi A Deixar de Fazer"

Com um aclamado percurso na música, Fernando Tordo revela uma faceta diferente, a de pintor.

27 Mar a 31 Mai 2026

Centro Cultural de Cascais
Avenida Rei Humberto II de Itália | 2750-800 Cascais

Fernando Tordo
UMA PINTURA DE TOM «ALLEGRO MODERATO»

O dedilhado liberto nas cordas da viola pousada no regaço, a postura recostada no sofá e alheada dos acontecimentos normais que manipulam o dia, a par das palavras cantadas que lhe continuam a sair, - desde a irreverência tauromáquica ou desde o galope à solta pelas margens do corpo - são ousadias perenes que integram a história cultural dum país, a história de todos nós, naquele tempo circunscrita à geometria do televisor. Concluir-se-ia assim os desmandos do trovador das canções, descansando no podium solene, não fossem as musas do Tejo acordarem-no das memórias heróicas, alertando que nada acabou e que o futuro não foi aquilo que se viu e há de ser o que ele quiser. Cores, nuances, dégradés, gesto largo, pincelada curta, desenho espontâneo sem restrições ou embaraços e o arranjo pictórico para orquestra “sui generis”, quiçá adormecida há tempo demais, sobressaltou o artista, que descobriu uma outra estrada. De viola às costas e partituras à mão, faz entrar na sacola uma nova coleção de instrumentos: pincéis, telas, lápis de cor, paleta, cavalete portátil e tintas à solta, atravessando assim a cidade.

E, na maior das probabilidades encantadas, entraria num café da praça, fazendo ver que o cantor teria chegado finalmente. Rasurando a lápis num papel de bloco, vai dedilhando e faz flores desenhadas para o mundo, que o poeta apelidou “mundo de gente”.  E ali, a par das velhas de penante, das bichas matreiras, das criaturas fatais, daria as flores aos vagabundos, os que não ocupam a mesa por falta de fundos. Tal qual um dos modernos trovadores, os que adormecem as dores numa bica bem quente.

Henrique Vaz Duarte
Casa Goubituin, Castelo de Vide, 13 de março de 2026 

FERNANDO TORDO
Lisboa, 29 de março de 1948. Compositor, autor e intérprete. 60 anos de carreira profissional.
Comendador da Ordem de Mérito (2003) e da Ordem da Liberdade (2023) da República Portuguesa.

Horário: De terça a domingo das 10h às 18h
última entrada às 17h40

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