Teatro
"Ninguém Morre a Cantar"
Um espetáculo que cruza teatro e ópera para fazer uma reflexão sobre poder, silenciamento feminino e sacrifício. Concebido e interpretado por Sara Belo, acompanhada ao piano por Pedro Vieira de Almeida, tem texto de Rui Pina Coelho.
28 Mai a 31 Mai 2026
A ideia deste projeto partiu de Sara Belo, atriz, cantora, professora de voz e experimentalista vocal. Trabalha frequentemente no teatro, mas também na música clássica, normalmente, na ópera, cujo meio conhece relativamente bem. Ocorreu-lhe trazer a ópera para o teatro e propor uma reflexão sobre este género. Para a escrita do texto, convidou Rui Pina Coelho, professor universitário, dramaturgo e dramaturgista, que, desde 2010, tem colaborado regularmente com o TEP – Teatro Experimental do Porto.
Sara Belo interpreta uma cantora que entrecruza a sua história pessoal com a das grandes figuras operáticas: mulheres suspensas entre a idealização e a realidade, entre a paixão e a morte. Ela recebe o público no seu camarim, pouco antes de entrar em palco. Nesse intervalo suspenso, entre ensaio e representação, vai tecendo uma conversa íntima e fragmentada: fala de árias que a marcaram, de heroínas operáticas condenadas a morrer por amor, de revoluções desencadeadas por uma ópera numa noite de agosto em Bruxelas e de um varredor de rua que apanha umas chaves do chão sem que ninguém dê por isso. Pedro Vieira de Almeida, acompanha ao piano.
O espetáculo desenrola-se como um ensaio ao vivo – parte conferência, parte concerto, parte confissão – em que a narrativa operática e a experiência de uma mulher real se entrelaçam de forma cada vez mais indistinta. De Offenbach a Wagner, de Verdi a Purcell, as árias cantadas não são apenas memória musical: são o fio condutor de uma reflexão sobre as mulheres que a ópera condena ao silêncio, ao sacrifício e à morte, enquanto os homens cantam a liberdade e a pátria.
Num espaço de proximidade com o público, Ninguém Morre a Cantar é um espetáculo que confronta as hierarquias de género e de classe que moldaram este repertório e que ainda hoje o habitam. Com ironia e ternura, deixa no ar a pergunta: o que resta quando a música acaba?
Bilhetes à venda na BOL

