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Literatura

Apresentação do livro «A Escrita da Arte. Textos de Artistas Portugueses (1958–1992)»

Depois da sua apresentação internacional na ARCO Madrid, o livro «A Escrita da Arte. Textos de Artistas Portugueses (1958–1992)» chega agora a Coimbra para uma sessão pública integrada na programação do Anozero’26.

24 Abr 2026  |  16h30

Mosteiro de Stª-Clara-a-Nova
Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra
Preço
Entrada livre
A apresentação terá lugar no próximo dia 24 de abril (sexta-feira), entre as 16h30 e as 17h30, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, reunindo Catarina Rosendo (coordenadora da obra), Marta Mestre, com moderação de Daniel Madeira.

Mais do que uma apresentação editorial, o encontro propõe-se como um espaço de reflexão e diálogo em torno da escrita enquanto prática artística. A conversa destaca-se pela relevância dos temas convocados pela publicação, cruzando diferentes vozes, pensamentos e gestos de escrita que atravessam várias décadas da arte em Portugal.

O livro reúne uma antologia de textos de onze artistas portugueses ativos entre o final da década de 1950 e a década de 1970 — Alberto Carneiro, Álvaro Lapa, Ana Hatherly, António Areal, Eduardo Batarda, E. M. de Melo e Castro, Ernesto de Sousa, Helena Almeida, Luís Noronha da Costa, Nikias Skapinakis e Salette Tavares. Os textos foram selecionados pela sua relevância na identificação e problematização de algumas das questões plásticas e estéticas mais significativas da arte portuguesa nas décadas finais do século XX.

A publicação evidencia o papel da escrita como parte integrante da prática artística, revelando como estes autores utilizaram o texto enquanto espaço de reflexão crítica, experimentação e formulação teórica sobre as transformações profundas ocorridas no campo artístico português no contexto do pós-guerra. Como sublinha Catarina Rosendo no prefácio, trata-se de textos que testemunham «a premência de uma revisão dos modelos tradicionais de entendimento das artes, alimentada pelas próprias práticas artísticas e a sua reflexão estética».

Para Désirée Pedro, da direção do CAPC, esta publicação inscreve-se diretamente na missão histórica da instituição: «desde a sua fundação, em 1958, o CAPC tem afirmado um compromisso contínuo com a produção, reflexão e difusão da arte contemporânea em Portugal. A reunião destes textos de artistas — muitos deles dispersos ou de difícil acesso — constitui não apenas um gesto de preservação crítica da memória artística, mas também uma ferramenta essencial para o pensamento contemporâneo e para a formação de públicos informados e participativos».

Através desta antologia, desenha-se uma paisagem crítica do contexto artístico português entre 1958 e 1992, em ressonância com os movimentos de renovação que marcaram o panorama internacional no período do pós-guerra.

Editado pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, o livro evidencia o papel da escrita como parte integrante da prática artística, revelando como estes autores utilizaram o texto como espaço de experimentação, reflexão crítica e formulação teórica.

A primeira apresentação da publicação teve lugar a 7 de março de 2026, na ARCO Madrid, assinalando o seu lançamento internacional. A sessão em Coimbra integra agora o lançamento nacional da obra, reforçando a ligação entre investigação histórica e debate contemporâneo promovido pela bienal.

A cidade de Coimbra volta a afirmar-se como um dos principais polos culturais do país com a realização do Anozero’26 – Bienal de Coimbra, subordinado ao tema «Segurar, dar, receber ». A edição deste ano propõe uma reflexão sobre cuidado, partilha e interdependência, reunindo artistas e criadores em torno de práticas que exploram as relações humanas num contexto contemporâneo desafiante. Com curadoria de Hans Ibelings, John Zeppetelli e Daniel Madeira, a Bienal estará patente até 5 de julho de 2026.

Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Universidade de Coimbra, a bienal continua a transformar espaços emblemáticos da cidade em locais de criação, pensamento e encontro entre arte e comunidade.

A iniciativa insere-se no programa do Anozero’26, organizado pelo CAPC, pela de Coimbra e pela Universidade de Coimbra, afirmando a cidade como um espaço privilegiado de encontro entre criação artística, pensamento crítico e memória cultural.
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