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Teatro

"A Árvore que Sangra" de Angus Cerini

«- Com um buraco de bala no pescoço essa tua cabeça de burro nunca teve tão bom ar.» Assim começa “A Árvore que Sangra”, peça do dramaturgo australiano Angus Cerini.

4 Jun a 6 Jun 2026

Teatro Paulo Claro | Artistas Unidos
Rua do Açúcar, 37 Marvila 1950-006 Lisboa
Pela primeira vez nos palcos portugueses em coprodução do Teatro da Rainha com o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, “A Árvore que Sangra” estreou em março deste ano com encenação de Fernando Mora Ramos e tradução e dramaturgia de Isabel Lopes. Estará dias 4, 5 e 6 de junho, às 21h, no novo Teatro Paulo Claro, casa dos Artistas Unidos, em Lisboa.

Numa quinta a alguma distância de uma cidade rural no árido interior australiano, um tiro ressoa na noite silenciosa. Três mulheres, uma mãe e duas filhas, levadas pelo desejo de vingança contra os maus-tratos e abusos de que foram vítimas anos a fio, acabam de matar o pai de família. O que fazer ao cadáver?

Esta é uma peça sobre violência doméstica, abuso sexual, machismo extremo, mas também sobre os silêncios de uma comunidade condescendente com a crueldade próxima. A escrita de Cerini, pautada por diferentes camadas de humor negro, desloca-nos para espaços nada naturalistas. Com um ambiente próximo das murder ballads, as réplicas das três mulheres em cena vão evocando diversas personagens – o pai, vizinhos, família distante – atravessando tempos e projectando um futuro que corresponda a uma ideia de regeneração libertadora.

Diz Fernando Mora Ramos: «Neste processo estará o ciclo da vida, tudo regressa à terra e sendo cinza, estrume, tudo pode ser alimento de nova vida, de beleza. O roseiral é o recomeço radical de nova vida. Creio que será isso o mais importante a reter.»

Ficha artística
Autor | Angus Cerini
Tradução e dramaturgia | Isabel Lopes
Encenação e dispositivo cénico | Fernando Mora Ramos
Desenho de luz | Hâmbar de Sousa
Banda sonora e desenho de som | Francisco Leal
Pintura de pano terra | Bartolomeu Gusmão
Guarda Roupa | Acervo do Teatro da Rainha
Interpretação | Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira
Criação de imagem e design gráfico | José Serrão
M/16 | 90m

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