Teatro
Palmilha Dentada e CENDREV com ‘casamento criativo’ logo no 1º ato
Faz todo o sentido - e talvez também faça ‘todo o sentado’, tratando-se de algo destinado aos espectadores – que duas companhias com afinidades cénico-dramatúrgicas, que até comungam de uma estética teatral com muitos pontos de contacto, sobretudo na forma como tratam o humor nas respetivas narrativas teatrais, se aproximassem para criar algo em comum.
21 Mai a 24 Mai 2026
A autoria da peça, a encenação e a direção plástica pertencem a Ricardo Alves. O dramaturgo situa a génese do projeto, que integra em cena os típicos Bonecos de Santo Aleixo: “O convite partiu do CENDREV para em conjunto desenvolvermos uma coprodução que no fundo já estava agendada há cerca de uns 4 anos”, salienta o também diretor da Palmilha Dentada. “Em boa verdade, o desafio até partiu do Ivo Luz (o ator faz parte do elenco) do CENDREV e que eu já conhecia destas andanças teatrais, pareceu-nos, por isso, engraçado trabalhar com a companhia eborense, que já conhecíamos há largos anos”, acrescenta o responsável.
A Revolta do Mestre Salas, começa assim como mais uma representação típica dos Bonecos de Santo Aleixo (reconhecidos como um incontornável património cultural imaterial) que se vira do avesso quando o Mestre-Salas se farta de ser manipulado e decide assumir o controlo da narrativa. No decurso deste ato revolucionário e uma vez conquistada a liberdade, arrasta consigo a Prima e o Padre Chancas para um caótico território desconhecido, as personagens libertas do jugo dos manipuladores, e sem qualquer “GPS racional” a orientá-las, vêem-se como donas do seu próprio destino.
Entre a euforia de poderem fazer o que lhes apetece e o peso da responsabilidade das suas próprias decisões, navegam na loucura que é a liberdade enquanto se levantam as derradeiras questões: O que acontece quando se tomam as rédeas da própria vida? Alguma vez as tomamos?
Ricardo Alves sintetiza a ideia metafórica da peça e para o efeito advoga: “Quase diria que este espetáculo faz uma trilogia com O 25 de Abril Nunca Aconteceu e o Demokratia. São os espetáculos que falam da nossa necessidade de Revolução e também da maneira como nos inserimos na sociedade e procuramos transformá-la ou aceitá-la e cumprimos assim a necessidade de ser flor”, enfatiza o encenador.
Após esta temporada o Teatro da Palmilha Dentada repõe no Lugar “Demokratia” uma coprodução com A Pé de Cabra, para jovens públicos. O espetáculo estará em cena de 3 a 13 de junho no Lugar Sábados, domingos e feriados às 17h00 dias úteis às 19h30.
A peça será ainda apresentada nos dias 18 e 19 de junho no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.
Informações e reservas 910 698 693 palmilhadentada@gmail.com

