"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Palmilha Dentada e CENDREV com ‘casamento criativo’ logo no 1º ato

Faz todo o sentido - e talvez também faça ‘todo o sentado’, tratando-se de algo destinado aos espectadores – que duas companhias com afinidades cénico-dramatúrgicas, que até comungam de uma estética teatral com muitos pontos de contacto, sobretudo na forma como tratam o humor nas respetivas narrativas teatrais, se aproximassem para criar algo em comum.

21 Mai a 24 Mai 2026

O Lugar
Travessa das Águas, 125, 4000-020 Porto
É o que acontece com o “O Auto da Revolta do Mestre Salas” cuja parceria entre as duas estruturas, uma sediada na “Invicta” e a outra em Évora, faz com que agora se juntem um pouco mais a Norte para mostrarem a peça ao público do Porto, entre os dias 21 a 24 de maio (19h30), n’O Lugar (Travessa das Águas, nº 125), o ‘quartel-general’ da Palmilha Dentada, bem como no Auditório Municipal de Gaia, de 27 a 30 do mês presente (21h30).

A autoria da peça, a encenação e a direção plástica pertencem a Ricardo Alves. O dramaturgo situa a génese do projeto, que integra em cena os típicos Bonecos de Santo Aleixo: “O convite partiu do CENDREV para em conjunto desenvolvermos uma coprodução que no fundo já estava agendada há cerca de uns 4 anos”, salienta o também diretor da Palmilha Dentada. “Em boa verdade, o desafio até partiu do Ivo Luz (o ator faz parte do elenco) do CENDREV e que eu já conhecia destas andanças teatrais, pareceu-nos, por isso, engraçado trabalhar com a companhia eborense, que já conhecíamos há largos anos”, acrescenta o responsável.

A Revolta do Mestre Salas, começa assim como mais uma representação típica dos Bonecos de Santo Aleixo (reconhecidos como um incontornável património cultural imaterial) que se vira do avesso quando o Mestre-Salas se farta de ser manipulado e decide assumir o controlo da narrativa. No decurso deste ato revolucionário e uma vez conquistada a liberdade, arrasta consigo a Prima e o Padre Chancas para um caótico território desconhecido, as personagens libertas do jugo dos manipuladores, e sem qualquer “GPS racional” a orientá-las, vêem-se como donas do seu próprio destino.

Entre a euforia de poderem fazer o que lhes apetece e o peso da responsabilidade das suas próprias decisões, navegam na loucura que é a liberdade enquanto se levantam as derradeiras questões: O que acontece quando se tomam as rédeas da própria vida? Alguma vez as tomamos?

Ricardo Alves sintetiza a ideia metafórica da peça e para o efeito advoga: “Quase diria que este espetáculo faz uma trilogia com O 25 de Abril Nunca Aconteceu e o Demokratia. São os espetáculos que falam da nossa necessidade de Revolução e também da maneira como nos inserimos na sociedade e procuramos transformá-la ou aceitá-la e cumprimos assim a necessidade de ser flor”, enfatiza o encenador.

Após esta temporada o Teatro da Palmilha Dentada repõe no Lugar “Demokratia” uma coprodução com A Pé de Cabra, para jovens públicos. O espetáculo estará em cena de 3 a 13 de junho no Lugar Sábados, domingos e feriados às 17h00 dias úteis às 19h30.

A peça será ainda apresentada nos dias 18 e 19 de junho no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.

Informações e reservas 910 698 693 palmilhadentada@gmail.com
Agenda
Ver mais eventos
Visitas
125,889,643