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Exposições

"Mão de Baraka"

Exposição coletiva "Mão de Baraka" na  Alfaia, em Loulé, que reúne o trabalho de 10 artistas de geografias, gerações e práticas distintas que exploram relações entre símbolo, memória e espiritualidade.

© Mumtazz

19 Jun a 19 Ago 2026

Galeria Alfaia
R. Brites D'Almeida 18, 8100-720 Loulé

Através de trabalhos em pintura, vídeo, fotografia e escultura, é feita uma leitura contemporânea de um símbolo-talismã que atravessa milénios e que faz parte do misticismo mediterrânico. Assim, vão ser apresentados trabalhos de artistas consagrados como Mumtazz (1970-2019) artista portuguesa que conjugava o som, o bordado, a fotografia, a instalação, o efémero e orgânico, e que criou uma obra profusamente poética e misteriosamente xamânica,  John Whitney Sr. (1917–1996) artista, cineasta experimental norte-americano, amplamente considerado um dos pioneiros da animação por computador, Teresa Ramos (Tavira, 1953) uma das mais importantes ceramistas contemporâneas portuguesas, o alemão Boris Eldagsen (Berlim, 1970), artista de multimédia no campo da fotografia, os artistas algarvios Ana André Gustavo Jesus e artistas emergentes como Ana Rita de ArrudaDaniel CostaJoão Motta Guedes e Tom Haviv.

O título da exposição remete para o hamsá, um antigo amuleto em formato de mão com cinco dedos, que assume múltiplas designações e significados: no contexto islâmico, surge como "Mão de Fátima", no judaísmo, como "Mão de Miriam", e noutras tradições, como o hinduísmo e o budismo, relaciona-se com os cinco sentidos, os fluxos de energia do corpo e os princípios da vida. A presença da hamsá nos Banhos Islâmicos de Loulé, espaço de purificação corporal e espiritual, reforça o facto do território de Loulé ter sido marcado por sucessivas ocupações: os fenícios, os romanos, os islâmicos e finalmente os cristãos.

"Baraka" é uma palavra de origem árabe que significa exatamente bênção, graça divina ou boa sorte. A mão aberta torna-se, assim, um gesto de proteção, bênção e intercessão, como expressão de uma ligação profunda entre corpo, comunidade e espaço. 

O programa paralelo de "Mão de Baraka" inclui ainda uma excursão a Salir, no dia 21 de junho, orientada pela investigadora Filipa Araújo, que parte do vestígio megalítico do menir do Polo Museológico de Salir, atravessando a memória andalusina e o imaginário popular da Moura Encantada, assim como uma conversa sensorial nos Banhos Islâmicos a 24 de julho, em torno dos aromas e essências do período andalusino, convocando o olfato como via de evocação da memória.

Esta exposição é de entrada livre e estará patente até ao dia 19 de agosto.

Artistas: Ana André, Ana Rita de Arruda, Boris Eldagsen, Daniel Costa, Gustavo Jesus, João Motta Guedes, John Whitney Sr., Mumtazz, Teresa Ramos e Tom Haviv
Curadoria: Susana Rodrigues

Horário: 
De 5ª a sábado
Quinta e sexta-feira: 14h30-18h
Sábado: 10h-13h30/14h30-18h

Programa paralelo:
21 de junho às 17h30 - excursão a Salir, Constelações de Memória, por Filipa Araújo
24 de julho às 18h - conversa nos Banhos Islâmicos de Loulé  com Filipa Araújo

Investigadora: Filipa Araújo 

Sinopse
O projeto expositivo Mão de Baraka, promovido pela Associação Alfaia em colaboração com outros espaços culturais do concelho de Loulé, propõe uma leitura contemporânea do misticismo mediterrânico através da trajetória de um símbolo-talismã que atravessa milénios, geografias e sistemas de crença.

No território de Loulé — sucessivamente fenício, romano, islâmico e cristão — a espiritualidade não se organiza por ruturas absolutas, mas por camadas de permanência e transformação simbólica. A presença da Hamsá nos Banhos Islâmicos de Loulé, espaço de purificação corporal e espiritual, reforça a sua dimensão ritual. Este símbolo possui, contudo, raízes mais antigas, remontando ao Mediterrâneo oriental e ao Próximo Oriente, onde a mão aberta funcionava já como amuleto protetor.

Ao longo de diferentes contextos culturais, a Hamsá assume múltiplas designações e significados: no contexto islâmico, surge como Mão de Fátima; no judaísmo, como Mão de Miriam; noutras tradições, incluindo o hinduísmo e o budismo, relaciona-se com os cinco sentidos, os fluxos de energia do corpo e os princípios da vida. É igualmente herdeira de uma longa linhagem simbólica que inclui figuras como Tanit, divindade fenício-púnica associada à fertilidade, proteção e regeneração.

Esta persistência manifesta-se na noção de baraka, entendida como uma energia espiritual que atravessa objetos, corpos e territórios. A mão aberta torna-se, assim, um gesto de proteção, bênção e intercessão — não como objeto isolado, mas como expressão de uma ligação profunda entre corpo, comunidade e espaço.

A exposição reúne dez artistas de geografias, gerações e práticas distintas que, de diferentes formas, exploram relações entre símbolo, memória e espiritualidade.

O projeto inclui ainda uma excursão a Salir, no dia 21 de junho, orientada por Filipa Araújo, que parte do vestígio megalítico do menir do Polo Museológico de Salir, atravessando a memória andalusina e o imaginário popular da Moura Encantada. Nos Banhos Islâmicos realizar-se-á, a 24 de julho, uma conversa sensorial idealizada pela mesma investigadora em torno dos aromas e essências do período andalusino, convocando o olfato como via de evocação da memória.

Sobre os artistas

Ana André
Faro. Curso Completo de Pintura e Curso Avançado de Artes Plásticas, Ar. Co, Lisboa, 1991-97. Licenciatura em Artes Visuais na UALG, 2016. Mestre em Processos de Criação da UAlg/PUC-SP 2023/24.
Cofundadora do projeto Artadentro, em parceria com Vasco Vidigal e Manuel Rodrigues. Co-Responsável desde 2002 pela produção e divulgação das várias atividades da Associação Artadentro, como exposições, eventos de Rádio Arte e edição de catálogos. Desenvolve o seu trabalho através de pintura e desenho, (utiliza outros suportes como a fotografia, o som e o
vídeo). Expõe desde 1995, individual e coletivamente.

Ana Rita de Arruda
Nascida na Covilhã, em 1981, vive e trabalha no Porto. Ana Rita de Arruda é artista visual, especialista em têxteis e investigadora. Tendo crescido com uma avó que ensinava artes têxteis, Ana Rita herdou um profundo conhecimento do artesanato têxtil, que transformou numa prática artística ousada e exploratória. Através do seu trabalho, desafia as distinções convencionais entre arte e artesanato, utilizando lã e outras fibras para explorar as questões relacionadas com a materialidade, a identidade e o trabalho. As suas esculturas e instalações ultrapassam frequentemente os limites da manipulação têxtil, envolvendo o público em experiências táteis e imersivas que questionam as narrativas históricas em torno do trabalho têxtil.

Boris  Eldagsen
Nascido em 1970 em Berlim, Alemanha, Boris Eldagsen é um artista de multimédia no campo da fotografia que vive em Berlim. Estudou Belas-artes nas academias de arte de Mainz, Praga e Hyderabad (Índia), e Filosofia nas universidades de Colónia e Mainz. Exibe o seu trabalho em instituições e festivais internacionais há mais de 20 anos e leciona em escolas de arte, universidades e festivais internacionais desde 2004. Recentemente, o seu trabalho foi apresentado na Paris Photo em novembro de 2023 e em Melbourne, na Photo Austrália, em março de 2024. Trabalha em colaboração com o conceituado fotógrafo sul-africano Roger Ballen.

Daniel Costa
Daniel Costa, 1982, S. João da Madeira. Coordena o projeto educativo do Centro de Arte Oliva. Co-criou a Álea, editora de livros em 2017. É membro do Clube de Desenho do Porto e membro fundador da Associação de Atividades Subaquáticas de S. João da Madeira. Colabora em projetos de mediação artística, nomeadamente na conceção de objetos editoriais, como mapas de percurso e outros jogos de desorientação para serem usados no espaço público. Auto-publicou “ter as horas a meu favor e contra mim” em 2023, "um leão e uma cobra de pessoas. imagens descritas por crianças" em 2011 e "A Serpente Muda" em 2010.

Filipa Araújo
Filipa Araújo (Guimarães, PT; 1973) é tradutora, escritora, editora, artista, astróloga e investigadora independente. O seu percurso artístico e poético tem sido desenvolvido com base em diversos códigos de escrita e símbolos com ênfase na prática de interpretação dessas formas de linguagem simbólica.
Escreveu e publicou entre outros: Ruminar o Museu, 2022, Apropriação , in O Sol Aceita a Pele para Ficar, 2017; Encontro Dobrado em Três: sentido, uma densidade mais leve que o ar / estar público durante um tempo / ciclo entrópico, in O Sol Aceita a Pele para Ficar, 2017; O Encontro Inesperado do Semelhante, in O Sol Aceita a Pele para Ficar, 2017; A Arte da Bomolachia em Três Atos, in Bufos, 2016.
Tem desenvolvido e participado em projetos artísticos coletivos: Trees Outside the Academy, CAAA, 25; Ruminar o Museu ( 2022) O Que Falta é Amor (2017) e Estação Encontro ( 2019) com os artistas Max Fernandes e André Alves; faz parte do coletivo Sol Pele com o artista Max Fernandes com participação nas exposições: Contemplating Trees From Inside the Academy #4 , CAAA, 2021; Vizinhos, Trees Outside the Academy, CAAA, 2019; Trees Outside the Academy, CAAA, 2017.

Gustavo Jesus
Licenciado em Artes Visuais, Mestre em Comunicação, Cultura e Artes (estudo da Imagem), pós-graduado em Artes Visuais e Performativas e em Processos de Criação.
Tem desenvolvido, nos últimos anos, um trabalho como artista plástico em áreas, entre outras, como escultura, pintura, desenho, fotografia, vídeo, performance, instalação ou arte pública o qual se tem refletido em projetos expositivos, de caráter individual ou coletivo que têm acontecido em vários espaços do país.

João Motta Guedes
João Motta Guedes (1995). Iniciou o seu percurso académico com uma licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa (PT), participou no programa de intercâmbio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (BR) e concluiu um Mestrado Internacional e Europeu em Direito pela Universidade NOVA de Direito de Lisboa (PT), tendo participado como investigador em diversas publicações e conferências académicas. Em 2019, decidiu dedicar-se ao seu pensamento e prática artística, que sempre estiveram ligados à poesia ao longo dos anos, concluindo o Mestrado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (PT).
As suas exposições individuais incluem: “You came to start the revolution” (2023), na Galeria Zé dos Bois; “How to Live?” (2023), na Galeria NAVE; “No feeling is final” (2024), na Galeria Municipal da Boavista e, mais recentemente, “Poems of Tomorrow”, na Galeria Francisco Fino (2026). Entre outras, participou em diversas exposições coletivas, tais como: “Cycles of Reality”, Kunstquartier Bethanien, Berlim (DE), “Vulnerable Objectivities in a Garden of Delights and Horrors”, The Loft, Coleção da Família Servais, Bruxelas (BE), “Last Acquisitions (Part I)”, Coleção PACA, Lisboa (PT), o “Young Art Prize” (2023), “False twins” (2023) na Appleton Square, “The garden of forking paths” (2023) no Buraco, “A dream brought me here” (2024) no Glogauair; “Be my guest” (2024), na Galeria NAVE; “Wanderlust”, na Artes Mota Galiza no Porto e “(0 /1) o zero e o um”, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUNHAC), em Lisboa. Foi galardoado com vários prémios, incluindo o “Prémio arte-Jovem - Fundação Millennium BCP - 2023” e “2025 Sovereign Portuguese Art Prize Exhibition”. O seu trabalho é representado pela Galeria Francisco Fino.

John Whitney Sr (1917-1995)
John Whitney Sr. (1917–1996) foi um artista, cineasta experimental e compositor visual norte-americano, amplamente reconhecido como um dos pioneiros da computação gráfica e da arte digital. Desde as suas primeiras experiências com sistemas computacionais, utilizou a tecnologia não apenas como ferramenta técnica, mas como meio artístico, explorando a relação entre imagem, movimento e música. Inspirado pelo jazz e pelas estruturas harmónicas, desenvolveu composições visuais abstratas que estabeleceram pontes entre cinema experimental, animação e imagem computacional. Considerado por muitos o “pai da computação gráfica”, destacou-se pela forma como conciliou inovação tecnológica e rigor estético ao longo de toda a sua obra, desde os filmes premiados no Concurso Internacional de Cinema Experimental da Bélgica, em 1949, até à icónica obra Arabesque (1975).

Mumtazz
Andrea Martha (Lisboa, 1970–2019)
Frequentou o Curso de Artes do Fogo e o Atelier Livre na Escola Secundária António Arroio, e realizou o Curso Avançado de Desenho no Ar. Co. – Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa. Concluiu um mestrado em Performance and Visual Arts na School of the Art Institute of Chicago como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.

Teresa Ramos
Teresa Ramos (Tavira, 1953), reside em Faro onde tem o seu atelier. 
Fez formação em Olaria na “Culturona” em Lisboa  e formação artística no Ar. Co. – Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa, onde estudou Desenho e concluiu o Curso Avançado de Artes Plásticas, escola onde também realizou o Plano de Estudos Completo em Cerâmica.  Foi diretora do Departamento de Cerâmica do Ar. Co. em 2001 e integrou a direção do mesmo em 2006. Foi bolseira do Montepio Geral em 2001/2002. 
Expõe regularmente desde 1998. A sua obra integra coleções institucionais e particulares.

Tom Haviv
Nascido em Israel e residente em Nova Iorque.
Tom Haviv é escritor, editor, artista, educador, fabricante de bandeiras e designer.
É cofundador da Ayin Press, autor de A Flag of No Nation e de dois livros infantis (Woven e The Porcupine Prince), e criador do Hamsa Flag Project, um projeto concebido para estimular o debate sobre o futuro de Israel|Palestina, as culturas mizrahi e sefardita e a solidariedade entre judeus e muçulmanos. 

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