Literatura
Festival Duo - Poesia e Performance
O Duo Festival: Poesia e Performance regressa à Biblioteca de Alcântara – José Dias Coelho, em Lisboa, no dia 6 de junho, com apresentações inéditas de Filipe Homem Fonseca e Fernando Kahombo.
6 Jun 2026 | 16h00
DUO Festival: 16h00–17h30
Todo Mundo Slam: 17h30–19h00
Artistas: Filipe Homem Fonseca com MAIS VALE SEMPRE QUE CEDO
Fernando Kahombo com TERA-SPOKEN-PIA
Apresentação: Maria Giulia Pinheiro
Mediação: Patrícia Relvas e Gonçalo Antunes
O DUO Festival é um novo encontro de poesia e performance promovido pela Associação Fala Orgânica, que decorre entre maio e julho, em Lisboa, reunindo artistas das diversas línguas portuguesas em apresentações inéditas. Com sessões que cruzam spoken word com música, teatro, humor e artes visuais, o festival propõe um espaço de escuta, experimentação e convivência, reforçando o espírito participativo do Todo Mundo Slam. Cada noite inclui ainda mediações artísticas, poetry slam aberto ao público e, como desdobramento final, a edição de um livro com poemas dos finalistas, prolongando a experiência para além do palco.
Programação:
Lido numa parede, algures: «A nossa identidade muda com os sustos». MAIS VALE SEMPRE QUE CEDO, de Filipe Homem Fonseca não é um susto pelo que não mudará ninguém. Momentos de, talvez, poesia; quiçá humor, se calhar música, quem sabe imagem. Vai-se a ver e, às tantas, também susto. Uma actuação irrepetível (até ver) com a noção de que há dias que se repetem. Não são os bons.
TERA-SPOKEN-PIA é uma performance visceral que mergulha nas camadas mais profundas da mente e da memória de um homem negro, imigrante e artista, em plena
sessão de psicoterapia. Entre o divã e o palco, o consultório transforma-se em arena: um espaço onde traumas coloniais, deslocamentos identitários, silêncios herdados e
violências cotidianas ganham voz.
Conduzida por uma das perguntas centrais da filosofia — quem somos quando ninguém nos vê? — a obra atravessa reflexões sobre pertencimento, masculinidade, racismo estrutural e a fragmentação do sujeito contemporâneo. A noção de “modernidade líquida”, proposta por Zygmunt Bauman, ecoa como pano de fundo, revelando uma sociedade instável que exige reinvenções constantes enquanto dissolve vínculos, certezas e afetos.
No cruzamento entre spoken word, música original e teatralidade crua, o espetáculo constrói uma narrativa pulsante, íntima e politicamente urgente. O corpo fala, a voz
confronta, o som atravessa. Cada palavra é confissão e denúncia; cada silêncio, um grito contido.
TERA-SPOKEN-PIA não é apenas uma apresentação — é uma experiência sensorial e emocional que convida o público a ocupar o consultório, escutar o indizível e reconhecer, no outro, as próprias fissuras. Uma obra que inquieta, provoca e permanece.

